Notas iniciais
Oi? Tem alguém ai? desculpem ai se tiver meio ruim, eu to pegando o embalo dessa fic de novo ainda... MTO tempo sem escrever ela, e to postando com a beta meio atrasada, então ta indo tudo sem revisão vidalokatbmama

Se ela já tinha se sentido confortável alguma vez em sua vida miserável naquele mundo, foi em meio ao fogo. Ouvindo as histórias usuais para uma princesa criada o mais próximo possível das tradições de Valíria, aquela relação entre fogo e aqueles com sangue de dragão sempre lhe pareceu um pouco abstrata… Até ver o irmão morrer com uma “coroa” de ouro derretido. O alívio que o fogo lhe trazia assumiu um lugar muito mais importante depois que Drogo morreu. Seus braços eram fogo também, e sua pira funerária fora a última vez em que sentiu algum alívio. O nascimento de seus bebês… Mas no dia do seu segundo casamento, Daenerys Targaryen, primeira de seu nome, sentiu um sopro frio no peito, o bastante para congelar seu coração e obrigá-lo a escapar uma batida. O fogo lhe trouxe medo pela primeira vez.

Todo um Khalasar transformado em cinzas pela sua falta de aptidão em conter a fera. Drogon a espalmou contra uma rocha, a deixando desacordada antes de massacrar o que poderia ser uma ameaça ou um aliado… Ela não saberia dizer. Quando enfim despertou ao lado do dragão e seu feito, Daenerys provou do poder e também do peso da responsabilidade. Chegou a hesitar se aproximar uma primeira vez, e por esse erro “o terror negro” manteve distância dela por dias. Ele vagou pelo Mar Vermelho, as vezes delirando pelo calor, com Drogon lhe sobrevoando de hora em hora. Quando o corpo enfim cedeu, desidratado, ela agradeceu pela areia fofa que tinha substituído as pedras afiadas do percurso do dia anterior.

“Cabeças… Cabeças… Daenerys… Cabeças…”

Ela tentou abrir os olhos mas eles se encheram de areia, fazendo a mulher fechá-los novamente com força, tentando protegê-los com os braços. Pode sentir a areia em volta de si se agitar, e aos poucos ir entrando em toda sua roupa, cobrindo suas pernas e cabelo. Daenerys sentiu o corpo esquentar, e cada vez mais um peso em seu corpo que a impedia de levantar, e um vento incessante que a impedia de abrir os olhos.

“Três cabeças, Daenerys… Três cabeças de dragão.” Dessa vez a voz veio mais alta, e quando ela se moveu tentando ouvir melhor, algo envolveu mais firmemente seu corpo. Parecia estar completamente enterrada em areia, e não tinha forças para sair… Mas ao mesmo tempo, seu atual estado tinha tirado a maior parte de sua sensibilidade e consciência.

De repente os olhos pararam de doer, e ao abri-los a rainha Targaryen se viu em um tipo de floresta ou bosque. Haviam árvores com folhas muito vermelhas, e flores por toda parte. Lindas flores azuis próximas a um lago de aparência não muito profundo. Ela deu alguns passos, se aprofundando no bosque e encontrou uma árvore enorme, de aparência velha, que parecia centralizar totalmente o ambiente, talvez pelo rosto desenhado em seu tronco, talvez pelo homem sentado em suas raízes. Ele tinha um porte alto, perceptível mesmo sentado, os braços não eram tão grossos, mas elegantes, nos ombros pendia um longo cabelo prateado, preso em uma fita preta,, e tinha algo em suas mãos que Daenerys não conseguiu ver direito.

“Precisa achar as três cabeças de dragão, Daenerys.”, percebeu então que a voz que ouvira estava partindo dele. A mulher deu alguns passos na direção do homem, os olhos curiosos, mas ao mesmo tempo com a sensação de que sabia de quem se tratava.

—O que quer dizer? Aegon? Está falando de Aegon? — A menção de Aegon fez o homem encará-la, os olhos violeta cheios de tristeza. Ela se aproximou mais um passo, conseguindo então identificar a harpa nas mãos dele, para então soltar um suspiro. -Ele está vivo, disseram… Está em Westeros.

“Três cabeças, Daenerys. Não uma, três.” Os dedos elegantes do homem começaram a tocar uma melodia triste, que fez o coração da rainha se partir várias vezes. “Elas não estarão prontas… Você precisa unir as três cabeças de dragão. Desculpe lhe deixar este fardo, e tão pouco tempo para cumprí-lo.” A melodia continuava, lenta e triste. Falar com ela não parecia distraí-lo das cordas que tocava com maestria.

—Rhaegar… — Ele olhou para ela novamente quando ouviu o nome. Os olhos se arregalaram em susto, e ele pareceu ainda mais triste, como se estivesse se despedindo. — O que eu tenho que cumprir? Como vou conseguir qualquer coisa se nem consigo controlar meus dragões?

“Eles não são seus, Daenerys… Dragões não são propriedades, não são bichos de estimação.” A voz dele era séria, mas também acolhedora e gentil. “Respeite a natureza deles, e eles entenderão seus limites… Eles estão inquietos. Eles não pertencem a este lugar. Os dragões precisam voltar a Westeros, antes que a grande guerra comece.” O tom ficou um pouco menos gentil, e a melodia parou de tocar na harpa.

—Que grande guerra? — Daenerys enrugou a testa, sentindo um arrepio lhe percorrer a espinha. — A guerra pelo trono? A guerra acabou…

“A guerra não acabou. Ela nem começou… Os demônios já estão enfraquecendo o reino dos homens. Eles vão precisar dos dragões! Dos dragões e do príncipe prometido.” Rhaegar insistiu, agora com a testa levemente enrugada. O rosto agradável do irmão mais velho virou na direção do nada, como se procurasse alguém. “Eu sonhei uma vez… Sonhei que da minha descendência viria o príncipe que foi prometido. Entre as três cabeças de dragão.”

—De quem você está falando? Quem é a terceira cabeça? — Ele com certeza falava dela, Aegon e mais alguém… Mas quem?

“Você não vai lutar a grande guerra, irmãzinha.” O tom dele era carinhoso, mas Daenerys chegou a dar um passo para trás quando ele se levantou. Rhaegar lhe sorriu, e em seus olhos violeta, quase lilás, ela sentiu uma familiaridade que jamais teve em toda sua vida. Seu peito se encheu e aqueceu, ela sentiu paz, esperança… Não soube bem como explicar. “Você é a “mãe dos dragões”. Prepare seus filhos para lutarem sem você… Prepare meus filhos para lutarem também.” A mão do príncipe dragão pousou no ombro da rainha, e ela foi tomada por uma gostosa sensação de relaxamento.

—Eu vou morrer antes dessa grande guerra, não é? Vou morrer logo... — Ela não parecia exatamente desapontada. No fundo estava um pouco cansada de lutar. Mas era frustrante não poder ter um período mais longo para “aproveitar” os louros das vitórias.

“Não… Você só não vai lutar nela. Você vai viver muito, tem muito a ensiná-los.” Ele respondeu com uma firmeza e tranquilidade que a surpreenderam e também a convenceram. “Se você lutar seu herdeiro não vai se revelar.”. Aquela mensagem não podia ser mais clara.

—Então não quer que eu abdique por Aegon?

“Prepare as três cabeças. Todos devem lutar, mas antes que a guerra chegue ao fim,, o príncipe que foi prometido precisa se revelar… Ou o mundo dos vivos vai ser governado por mortos.” Ele começou a parecer menos e menos real, até finalmente virar fumaça, deixando-a sozinha naquele bosque…

Daenerys acordou com os raios do sol entrando por brechas entre as garras de Drogon. O dragão tinha pousado sobre ela no meio de uma tempestade de areia, que formara uma pequena duna cobrindo ela e o dragão. Não precisou mais do que um bater de asas para “libertá-los” e quase começar outra tempestade de areia em volta da rainha que quase a cegou novamente. A mulher pousou os braços em uma das asas do dragão, se apoiando enquanto respirava fundo, o corpo muito debilitado pela privação de água e comida. Tinha alucinado, não tinha dúvidas, e ainda assim algo como uma pitada de força, coisa que estava com carência naquele momento, surgiu nela. Pouco, mas o bastante montar Drogon novamente, e se segurar firme o bastante, torcendo para que ele estivesse a levando de volta a Meereen quando levantou voo.

Notas finais
será que ela levou a alucinação a sério?