A volta dos dragões
13 Shaggydog
Notas iniciais
Aquele piso inconstante o deixava tonto, e todos os seus instintos de defesa afloravam. Rosnava para o balanço, para os ratos, até para o vento. Queria terra, a terra que não balançava, a terra com coelhos para caçar, a terra com seus irmãos. Shaggydog uivou, um uivo sofrido, quase um choro, lembrando dos irmãos que há muito não via. Onde estariam? Onde estaria sua matilha?
–Está tudo bem… Vamos ficar bem! — O filhote falou, acariciando sua cabeça, enquanto o lobo gigante se enrolava em volta dele, protegendo aquele filhote do frio.
Estavam presos na caixa de madeira que flutuava desde que haviam saído da rocha escura úmida. O homem de cheiro incerto prometera ao filhote que sairiam da terra que balançava quando a bola se luz amarela estava no céu, mas mudara de ideia quando viu um pano vermelho em um lugar cheio de caixas de madeira que flutuavam. A bola amarela já havia sumido, e agora estava a bola prateada, e eles ainda estavam naquele chão inconstante.
–Por que não aportamos? Prometeu entregar o pequeno lorde aos vassalos dele! — A fêmea que lhe dava comida falou para o homem de cheiro incerto. Shaggydog rosnou para ele quando percebeu que ela estava irritada com o homem também.
–Havia bandeiras Targaryen no castelo de Lorde Manderly, ele traiu rei Stannis. — O homem murmurou, e embora Shaggydog não entendesse os barulhos que ele fazia, aquela palavra, “Stannis”, sempre o fazia rosnar mais.
–Eu não me importo! Deu sua palavra, sor! Entregá-lo aos vassalos do Norte, não aos vassalos do rei Stannis! — Shaggydog latiu ameaçador ao ouvir o nome novamente, mas as carícias do filhote o fizeram se aquietar, deitando a cabeça no colo dele, mas mantendo os olhos de lobo atentos.
–Não se trata disso, milady… Senhora… E se Lorde Manderly tiver feito um acordo com os Targaryen, como Lorde Bolton fez com os Lannister? Ser o senhor do Norte, eles poderiam matar o garoto… — O homem de cheiro incerto fez seus ruídos mais uma vez, e “Lannister” e “Bolton” fizeram Shaggydog rosnar novamente. -Vou levá-lo para Atalaia da Água Cinzenta, os cranogmanos se mantém leais. Enviamos um corvo para Lorde Reed.
“Reed”, era a palavra para os outros dois filhotes que estavam com seu irmão lobo, e o irmão maior de seu filhote. Shaggydog soltou mais um uivo choroso, lembrando de seu irmão cinzento, de quem há muito tinham se despedido, e dessa vez foi a fêmea que acariciou seu pelo negro, fazendo-o se acalmar novamente.
Shaggydog foi dominado por um instinto defensivo, como se um alarme de perigo tomasse todo o seu corpo peludo. O lobo colocou-se de pé, o corpo protegendo seu filhote enquanto ele latia para a escuridão.
–Acalme-se! Acalme-se! — A fêmea dizia, mas não adiantava.
–Estamos chegando à terra, ele deve estar inquieto para…
Mas o homem de cheiro incerto não terminou de falar, pois um pedaço de árvore com a ponta brilhante e quente atingiu a caixa de madeira que flutua, bem ao lado dos pés dele, sendo seguida por várias outras. Os homens começaram a correr de um lado para o outro, e eles pareciam ir mais rápido na direção da terra. Shaggydog continuava rosnando e uivando, pulando de um lado para o outro, mas sem sair da frente do filhote.
–Vocês tem que ir pra cabine, rápido!! — O homem falou, mas o lobo não se moveu, e nem deixou ninguém se aproximar do filhote e da fêmea.
Mais pedaços de árvore com pontas brilhantes atingiram a caixa que flutuava, e ela começou a pegar fogo. Shaggydog chorou, se encolheu perto do filhote quando as chamas se aproximaram dele. Atrás das chamas, outro pano preto, mas dessa vez havia uma mancha da cor da bola amarela, em uma caixa de madeira que flutua um pouco diferente daquela em que estavam.
–Homens de ferro!! — Um dos homens gritou, e vários outros homens subiram no barco, com coisas que tiravam sangue, nas mãos. Shaggydog rosnou para eles, e quando um deles avançou na direção do filhote e da fêmea, o lobo pegou impulso e pulou em cima dele, mordendo seu pescoço ate conseguir arrancar metade do mesmo.
–Temos que sair daqui, vamos!! — O homem de cheiro incerto falou, pegando o filhote no colo e puxando a fêmea pelas vestes.
Shaggydog observou os dois pularem da caixa que flutua, e pelo instinto, fez o mesmo, chorando quando a água gelada envolveu todo o seu corpo, encharcando o espesso pelo negro. O homem segurava o filhote enquanto ia na direção da terra, e o lobo percebeu que não afundava quando movia as patas com rapidez. Shaggydog foi se aproximando do homem, e rosnou para ele, abocanhando as vestes do filhote e o tirando dos braços do homem, suas patas se movendo mais e mais rápido quando percebeu a terra que não balançava se aproximar. Ouvia ruídos de gritos, ordens, explosões, mas seus olhos estavam na terra, e a cabeça erguida para que o filhote não afundasse. O filhote estava em silêncio, tremendo, e quando Shaggydog sentiu terra em suas patas, ele agarrou seu pescoço peludo. Shaggydog agitou o corpo assim que se viu fora da água, livrando-se de todo o excesso, e então virou-se na direção da água, procurando o homem e a fêmea, que estavam logo atrás. O lobo latiu para eles, quase como se os chamasse, e então abaixou um pouco, deixando o filhote montar nele, antes de seguir na direção das árvores, desaparecendo na escuridão.
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