A volta de Kuchisake-Onna.

3 O Décimo Oitavo Aniversário


Notas iniciais
Anel de Côco¹: também chamado de Anel de Tucum, é um anel preto feito de uma palmeira da amazônia, muito usado ultimamente.

O aniversário de Katsumi chegou.

Como de costume acordou onze e meia da manhã. Ela não estava se sentindo bem. Calafrios, pesadelos e náuseas. Tudo que ela não queria para arruinar seu dia estava de fato acontecendo.

A jovem desligou o despertador e levantou da cama sem ânimo algum. Pegou o uniforme no guarda roupas e foi tomar banho gelado para se refrescar. Ao sentir a água tocando seus cabelos, sentiu uma leve tontura, se apoiou nas paredes e uma forte dor de cabeça começou a atormentá-la. Ela a ignorou e continuou a banhar-se. Após isso vestiu-se, desceu até à cozinha e deparou-se com um enorme bolo em cima do balcão.

— SURPRESA! – Seus tios, juntamente a Yoshiaki, surgiram ao lado das escadas com as mãos levantadas e sorrisos de orelha a orelha para a jovem.

— Ah, obrigada! Eu... Não sei o que dizer. — a menina era tímida de mais para expressar reação alguma, mesmo diante dos próprios “pais adotivos”, como ela costumava dizer. Para seu amigo, era algo relativamente comum. Ela desceu as escadas, abraçou cada um deles, agradeceu pela surpresa os jovens saíram para pegar o ônibus escolar. Ela estava tão distraída que se esqueceu de pegar as chaves de casa. Para sua sorte, Ryoko, tio de Katsumi e pai adotivo da mesma, correu até a porta e lhe entregou as chaves, já que era rotineiro a menina esquecer algo em casa a caminho da escola.

— Ei, nee-chan! Feliz aniversário. – Yoshiaki entregou a ela uma caixinha e beijou levemente sua bochecha direita. Ao ver que ela corou suas maçãs do rosto ele se afastou lentamente.

— Obrigada, Yoshi-nii! Não precisava.

A jovem abriu seu presente e encontrou um par de anéis de côco¹, um para ela e um para seu amigo. Um sorriso se fez no canto da sua boca. O garoto deu uma leve risadinha ao vê-la completamente vermelha e tímida em sua frente. Os dois puseram os anéis e entraram no ônibus.

Em sua turma de escola, ninguém, além de seus amigos, sabia sobre seu aniversário. Pelo menos, ela não teria que aguentar mais piadinhas feitas por Haruka.

— Ei, psiu! Feliz aniversário! – disse Ayumi durante a aula, pondo sobre a mesa de Katsumi uma pequena caixinha embrulhada com um grande lacinho verde em cima.

— O que é isso? – a jovem disse enquanto escondia o presente entre suas mãos. Ela estava com medo de que algum colega de classe visse e descobrisse sobre tal data comemorativa.

— Você acha que me esqueci? E claro que não. Feliz aniversário Tsu-chan!

Ao perceber que a professora estava olhando para elas, ambas voltaram a fazer as atividades que foram passadas na lousa. Katsumi abriu o pequeno embrulho cautelosamente para que ninguém ouvisse sequer um rastro de barulho vindo dela. Ao abrir, se deparou com uma gargantilha cujo pingente era um cristal azul água, o mesmo pingente que elas haviam visto em uma joalheria no centro da cidade. A jovem não poderia estar mais feliz!

Ao tocar o sinal para o intervalo, todos os que estavam presentes na sala de aula saíram, exceto Katsumi e seus amigos, que ficaram ali para parabenizá-la “corretamente”. Cada um retirou de dentro de sua mochila algo para comer, fazendo ali uma simples festa para a amiga. Porém, o que eles não sabiam, é que Haruka ficara ali, do outro lado da porta espionando-os. Ao ver que era o aniversário da “rival”, imediatamente ela começou a espalhar isto pelos corredores da escola, pedindo para que todos comprassem algo para jogar na menina ao final da do dia.

Dito e feito. Chegado o final da tarde, quando Katsumi saía pelo portão, foi recepcionada por uma chuva de ovos, papel higiênico, bilhetinhos chamando-a de assassina, farinha de trigo e tudo mais que conseguiram encontrar no supermercado ao lado da escola. O chão estava completamente branco e sujo, ela não acreditou no que estava acontecendo. Ela começou a chorar. Não por tristeza ou medo, mas por ódio. Ela estava com sede de vingança.

Seus amigos ao verem o estrago que havia sido feito, correram para ajudá-la. Enquanto Ayumi, Akemi e Yoko xingavam os bagunceiros que fizeram isso com a garota, Hiroshi e Yoshiaki retiravam-na do local para longe de todos, mais precisamente para casa da Ayumi, já que os pais dela não estavam lá não veriam o ocorrido, e ela poderia se limpar e trocar suas vestes antes de ir trancar-se no quarto como fazia quando coisas assim aconteciam.

— Vista isso. Se seus pais perguntarem diga que escorregou e se sujou a caminho de casa, e veio aqui para trocar-se. – quando Katsumi saiu do banho, sua amiga lhe entregou uma calça jeans vermelha e uma blusa branca com alguns kanjis desenhados, para que ela fosse arrumada para casa e evitar um interrogatório quando chegasse.

As duas meninas ouviram alguém correndo nas escadas. Era Yoko trazendo o celular de Katsumi, seus tios estavam preocupados com ela e os amigos, pois eles já estavam uma hora atrasados para irem até a festa de aniversário da garota.

— Filha?! Esta tudo bem? – era Naomi, tia e mãe adotiva da menina. Sua voz estava ofegante, um leve tom de medo foi percebido por Katsumi.

— Esta sim! É... Já estamos indo pra casa. Eu vim até a casa da Ayumi para me arrumar. Não se preocupe, em alguns minutos chegamos ai! – a jovem tentou tranquilizar a tia, mas não se convenceu de que conseguiu.

— Ok! Se cuidem, já esta tarde.

— Até mais! – a jovem se despediu, chamou seus amigos e foi para casa.

Ela não sabia sobre a surpresa. Enquanto Akemi a distraía em frente à sua casa, os outros jovens entravam e se escondiam atrás dos móveis. Quando as duas meninas entraram, a aniversariante pulou para trás ao ser recepcionada por balões e gritos de “surpresa” para ela. A noite foi incrível, todos comeram, dançaram, riram e se divertiram. Os seis amigos esqueceram ao males que ocorreram durante a tarde e se divertiram a madrugada inteira.

Mais um dia estava acabando, mas, outro estava prestes a começar...

Notas finais
Continua...