A vingança da Agente Creane
8 M-e-r-c-y
Notas iniciais
4:49 .Torre Stark
Pov. Amanda
Eu voltava pro meu quarto andando um pouco mais rápido com a minha “perna nova”, o que já era um alivio pra mim. Olhei para a varanda e vi um homem parado no local. Suas roupas azul e vermelha.
– Capitão, o que faz acordado? — Perguntei vendo a silhueta do homem, curvado em meio ao corrimão da sacada.
Estava quase amanhecendo em New York, o céu clareava conforme o sol ia chegando. Não percebi o quanto as horas voaram enquanto estava com Stark e sua incrível e perturbada mente. Chegava a ser engraçado estar com Stark e ainda não ter vomitado. Apesar que sua inteligência compensou esse fato.
– Acho que dormir setenta ano compensa as minhas noites. — Rogers virou-se para mim com seu sorriso educado.
– Entendo. — Respondi sentindo o constrangimento abater um pouco ao estar sozinha com Rogers pela segunda vez naquela noite.
– Vejo que ganhou um novo acessório. — Capitão apontou para a perna que Stark me emprestou, totalmente banhado na cor dourada e vermelha.
– Ele diz que a cor é totalmente discreta. — Brinquei balançando a perna um pouco. — Mas não serei má agradecida e dizer que não gostei do presente.
Andei alguns passos até Steve, tornando tudo bem mais fácil com minha nova bota. Claro que os pontos ardiam, porém não é insuportável o suficiente para me deixar quieta.
– Talvez isso a deixe mais confortável do que ser carregada em todos os cantos. — Steve não virava-se para mim, olhava fixamente para o horizonte por trás daqueles prédios. Deixando fácil deduzir que pensava em outra coisa que não fosse meu comodismo.
– No que pensa, Capitão? — Perguntei curiosa, também me apoiando na sacada de vidro.
– Penso no que me disse mais cedo. Sobre Bucky ser o inimigo. — Confessou pela primeira vez pousando seus olhos azuis em mim.
A culpa me abateu como não deveria. Não era porque minhas esperanças foram destruídas que eu tinha o direito de fazer isso com ele. Steve era tão bom, tão heroico... Eu, como todos os americanos, o admirava por sua bravura e patriotismo. Rogers foi uma forte razão de Howard, Fury e Peggy fundarem a S.H.I.E.L.D, o nome já é seu derivado. Era errado ter chateado alguém que nunca pensara em fazer algum mal.
–Steve tente entender meu lado. A S.H.I.E.L.D e Fury são tudo que eu conheci, mas foram arrancados de mim pelas mãos do Soldado Invernal e sua maldita H.I.D.R.A. Não se culpe pelos meus demônios. — Disse abaixando a cabeça pela vergonha.
– Ainda creio a acreditar que Bucky e o Soldado Invernal, mesmo depois de o ter enfrentado e o visto. Ele teve a chance de me matar, se meu melhor amigo ainda não estivesse lá ele teria me matado. Mas não o fez.
Assenti silenciosa, entendo o que estava dizendo. Também estive naquela situação, a renegação. Você não quer acreditar que a pessoa que mais ama e o vilão, não pode fazer isso. O amor se torna uma grande mentira quando isso acontece, se torna a pior coisa do mundo. E assim pra mim e será para o capitão.
– Talvez esteja certo — Comentei sem olhá-lo -, mas já não boto minha mão no fogo por ninguém. Não mais.
Percebi que seus olhos se estreitaram, perguntando-se quem seria a pessoa que me referi.
–De quem você... – Seu comunicador tocou, me salvando último minuto. Ele olhou para a tela e suspirou cansado. – Stark está me chamando.
Pov. Autora
Fury lhe deu isso? — Perguntou Steve erguendo a carta no ar.
Tony assentiu, cansado e pensativo. Fury podia ter lhe dado problema maior do que a responsabilidade de uma garota de 20 anos? Justo a ele! Fury pensa que ele abriu uma instituição de órfãos?
– Queime isso e eu compro um apartamento do qual ela pode seguir com a vingança que quer. — Tony se levantou e caminhou até sua mesa de bebidas. Ele não queria ser insensível, até gosta do jeito independente da agente.
Mas tê-la sob seus cuidados? Fora de cogitação!
– Stark! – Steve exclamou, indignado com a falta de sensibilidade do companheiro.
– Eu não vou cuidar de uma mulher de vinte anos cheia de vontade de matar alguém. Fury deveria ter dito pra nós há muito tempo, não fazer a merda e nos deixar limpar. — Discutia irritado.
– O erro foi de Fury, não dela. — Lembrou Capitão. — Se o que Fury escreveu aqui for verdade ela correrá perigo em qualquer outro lugar. Eu a levaria comigo mas ela está incapacitada agora.
Tony apertou as têmporas, prevendo que novas confusões viam por aí. Cuidar de Amanda, muda-la... transforma-la. Seria uma tarefa quase impossível com alguém que é tão cabeça dura! Tão teimosa! Fury acha que ela iria colaborar com eles? Pois Tony, mesmo sem a conhecer sabia que não.
– Acredite, Capitão, ela não vai gostar da ideia. – Tony deu um gole na bebida. – Acha que se dissermos a ela “Olha só que legal Amanda, seu padrinho falou pra você ser outra pessoa, agora vá a um shopping!” isso vai faze-la mudar? E se dermos essa carta a ela? Como acha que vai se sentir ao descobrir que o próprio padrinho teria que matá-la?
Rogers teve que abaixar a cabeça e pensar em meio as perguntas do Stark. Uma parte dele não entendeu porque Fury pediu isso ao Stark, o mais irresponsável de todos os heróis. Mesmo com as condições de Stark sendo a melhor de todos os Vingadores ainda sim parecia mais correto deixa-la sob os cuidados de Natasha, ou Hill já que são agentes da S.H.I.E.L.D. Para o Capitão, aquele pedido tinha algo de oculto nele, algo que vinculava Amanda a Tony. A outra parte tentava pensar num jeito de fazer o que Fury pediu, pois ele não queria que a moça fosse levada. Ele sabe que ela não merece pagar pelo preço de ser afilhada do cara mais procurado do mundo, aquele que em cada palavra um segredo é guardado.
– Precisamos salva-la, Tony. – Disse Steve pela primeira vez chamando o homem pelo apelido, não com a cordialidade de seu sobrenome. Pois ele não ia só argumentar, ele iria pedir. – Essa garota veio atrás de ajuda, ela está mais perdida do que todos nós. Precisamos ajuda-la.
Base da H.I.D.R.A em algum lugar do mundo
Pov. Autora
A misteriosa mulher que fez Von Struker ficar quieto convidou o Soldado para um passeio na base, mesmo com os soldados correndo nos corredores e a poeira subindo da terra. Ela fazia parecer como se aquilo fosse o mais bonito dos prédios.
– Sabe, Soldado, — Sua voz cintilava como sinos de ventos, sua calma e confiança fazia, de alguma forma, fazer com que ele sentisse que podia confiar nela. – O Barão, Pierce, ou outro comandante da H.I.D.R.A não percebe o quão grave é fazê-lo pensar que somos seu inimigo, o torturando tão cruelmente.
Ela sentiu o braço do soldado irisar-se ao lembrar das torturas que a H.I.D.R.A o fez passar. Pobrezinho, pensou.
– Infelizmente não estava encarregada de cuidar de você, deve me desculpar por cuidar de outros assuntos e deixa-lo de lado, pensei que tinha o deixado em boas mãos. – Os dois parar no corredor, sua mão estava na maçã do homem e seus olhos verdes mostrava uma preocupação que ele nunca tinha conhecido. Fez com que ele pensasse que ela estava sendo verdadeira. – Mas eu prometo que não deixarei mais ninguém machuca-lo, tem a minha palavra.
Seus olhos piscaram rapidamente, batendo os cílios como uma boneca. Ela era tão delicada, tão diferente de todo aquele lugar que se escondiam, ela nem parecia se encaixar no mundo de assassinatos e espionagem. Para o Soldado Invernal, ela era como um anjo que tinha se perdido ali.
– Eu acredito em você. – Respondeu encantado.
– Fico feliz, fico muito feliz! – Exclamou sorrindo, para ele era de pura ingenuidade, para ela aquilo era uma bela atuação. Seu semblante passou de alegre a preocupado, o deixando preocupado. – Mas eu não posso ser completamente feliz enquanto Amanda está lá fora, perdida e precisando de ajuda.
– Por que vocês a querem? – Perguntou confuso, mas viu que seu rosto se fechou e tentou corrigir – Desculpe não deveria ter perguntado.
– Tem todo o direito de saber, é só que esse é um assunto delicado, se não se importa prefiro não lhe preocupa-lo com isso. – A morena sorriu amarelo. – Tudo que precisa saber é: A S.H.I.E.L.D tirou Amanda de nós, e precisamos resgata-la.
– Por que resgata-la? – Perguntou enrugando a testa. – Pelo que observei ela não me parece uma prisioneira. – o Soldado se lembra da visão que teve antes de apertar o botão e a bomba, uma visão dela e Fury agindo com normalidade, ela disse que cozinharia para ele. Não parecia ser o mesmo modo que a hidra o trata.
Aqueles olhos verdes ainda estavam calmos, receptivos ao Soldado. Mas a mente habilidosa da mulher tentava investigar porque ele não a trouxe. Foi uma ordem explicita: Trazer Nick Fury e Amanda Creane. Essa era uma ordem! Ele sabia algo sobre ela, mais do que a mulher sabia. Havia algum interesse na parte dele e ela queria saber.
– Amanda Creane... hum... – Ela coçou o queixo. – Foi um passarinho que se perdeu, isso é tudo que precisa saber. Quando você me trouxer, saberá da verdade.
Ele pensou bem, fundindo com suas lembranças e as palavras da bela dama. Ele ainda tinha dúvidas em sua mente, porém não tem coragem de recusar seu pedido. Um pensamento estrategista invadiu sua mente, podendo usar a organização da maneira que tentam usá-lo e de alguma forma... Poder ajuda-la.
– Tenho uma condição. – Exigiu olhando no fundo daqueles olhos verdes. – Assim que eu a trouxer vocês irão me dar minhas memorias de volta.
A mulher segurou a respiração, engolindo a fúria que as palavras dele trouxe. É claro, pensou, o idiota quer as memorias de volta... Que previsível!
–Como quiser, Soldado Invernal. – Sua mão foi ao ar, esperando o cumprimento do homem.
–Qual é o seu nome? – Perguntou curioso, apertando a mão da mulher com a mão de metal.
– Me chame de Madame Hidra.
Torre Stark, 09:30
Pov. Amanda
Deixe me atrás das grandes
Dispa-me da vergonha
Me acaricie com dor
Porque eu estou de joelhos e estou implorando enquanto você diz:
Por algumas horas eu dormi, vencida pelo cansaço e não pelo sossego. Minha mente fica vagando e vagando, voltando a mesma cena que vivenciei a menos de uma hora. Aqueles olhos castanhos me olhando... não havia desejo em me matar, ou alguma vontade de me entregar... O que podia fazer um dos maiores assassinos do mundo recuar em matar alguém? Alguém que estava tão vulnerável quando eu?
“Bom dia, senhorita Creane. – Saldou a voz robótica. – O senhor Stark e a senhorita Potts pede que a senhorita os acompanhe no café da manhã.”
Me afundei mais debaixo do cobertor, será que eu não posso ficar aqui até morrer? Ninguém iria lamentar ou chorar por mim, nem sei o que poderão escrever na minha cripta. Uma ótima agente? Amada afilhada? Uma solitária cuja a vida toda é vazia e dedicada a uma organização secreta? Era assim que o mundo me via?
“Senhorita Creane, me desculpe mas eles insistem. – Eu juro que pegaria meu sapato e atiraria nele se ele fosse algum tipo de robô ambulante.
– Tá! – Gritei retirando o cobertor. – Diga que já estou indo. – Revirei os olhos e deixei escapar. – Robô idiota.
Fui até o guarda roupa, branco e embutido na parede, onde estranhamente era dividido com roupa feminina e roupa masculina. Eles devem estar acostumado a ter visitas. Peguei uma calça moletom e uma blusinha leve, sensor de moda não era comigo mas as vezes eu consigo disfarçar quando preciso me encontrar com um ditador ou um terrorista aliado da S.H.I.E.L.D... A organização tem muitos amigos estranhos e era meu dever manter contato com eles. Tive que entender que os contatos gostam de uma agente com uma boa aparência, minha beleza conseguia influenciar nas suas decisões de responder algumas questões financiar armamentos, nos fornecer tecnologia rara...
E eu amava sentir que era boa bastante para ter influência em algo.
Desci forçada até a cozinha, onde Pepper, Stark, Capitão e Bruce já estavam sentados à mesa enquanto degustavam da comida. Aquilo me embrulhou o estômago, estar numa mesa com um bando de desconhecidos não era nada do que eu queria agora. Meu estado de tupor não se esvaiu, e ao perceber que tudo que aconteceu não era um sonho minha mente ficou quebrada. Eu nem sei quem eu sou, como posso resgatar meu padrinho de uma agencia de assassinos?
Flashback
–Bom dia, Nicholas. – Cumprimentei ao entrar na cozinha e ver o homem já concentrado no seu café e no jornal. Alguns velhos hábitos não mudam, nem mesmo para o diretor da maior organização de espionagem.
Coloquei a xícara na cafeteira e me apoiei na pia enquanto a cafeteira despejava me café.
–Conseguiu entregar o papel ao Stark? – Perguntei quebrando o silencio.
–Acho que você que terá que fazer isso. – Ele desviou seu olho do jornal e me encarou. – Por que? Está ansiosa pra ir para lá?
–Engraçadinho. – Peguei minha xícara e fui me sentar à mesa de apenas dois lugares, pois ninguém iria me visitar além de Nick. – Porque você sabe, eu quero dar uma de tiete e pegar um fio dele.
–Com todo aquele gel? Mais fácil conseguir da barba.
Trocamos olhares cúmplices e não teve outra, gargalhamos até chorar.
Nem dá pra acreditar que aquilo foi na manhã de ontem, parecia que tinha sido em outra vida.
–Bom dia. – Cumprimentei a todos me dirigindo a mesa.
Havia um lugar ao lado de Bruce, o único que eu me sentiria confortável de se sentar ao lado. Quando sentei ele me lançou um sorriso fortalecedor, do qual eu retribui. Mas o silencio se instalou na mesa, nem Stark queria soltar uma piadinha. E pelo que percebi, aquilo incomodou Pepper.
– Que clima... — Comentou Pepper olhando para todos nós, e seus olhos focalizaram em mim. Que droga! — Amanda por que não conta mais sobre você?
Todos me encararam, esperando a mesma resposta de Pepper. Sei que não foi intenção da ruiva me encabular na frente deles, dava para perceber a inocência de sua curiosidade, porém não era confortável dizer sobre coisas que nem eu sei as respostas.
– Perdi a memória dês do meu nascimento até meus dezesseis anos, então conheci Fury... Fim. – Peguei um copo de iogurte e coloquei uma colher na boca.
Percebi todos exibirem uma máscara de confusão, minha vaga resenha não iria ser o suficiente para o grupo.
– Isso daria uma boa história de cinema, realmente muito profunda. — Ironizou Anthony enchendo a boca de ovos e bacon.
– Isso não é nada saudável pra alguém da sua idade. — Adverti um pouco venenosa.
– Amanda... Isso não pode ser tudo. — Interrompeu Rogers querendo voltar ao assunto. — Por que não nos conta como Fury a encontrou?
Pensei bem se eu mentiria ou lhes contaria a verdade. Não era nada secreto, mas aquilo era uma exposição que eu nunca fiz. Só que eu sabia que não me dariam paz se não lhes contasse.
– Já faziam três dias que eu tinha acordado, sem família, amigos, ou alguém que eu lembrasse para procurar. Eu só tinha meu nome, apenas isso em minha mente. — Suspirei. — Nick tinha ido a Louisiana porque um amigo seu havia falecido, ele me disse que tinha voltado para buscar alguns pertences e acabou me encontrando andando no corredor. Eu estava proibida, é claro, mas nunca foi um problema. Quanto mais cedo me recuperasse mais cedo poderia sair a procura da minha família. Ele achou minha determinação algo admirável, então começou a me ajudar em minha busca. Mas semanas se passaram e eu teria alta a qualquer momento, casos como o meu iria para o sistema e eu ficaria abandonada até os vinte um. Nick me adotou e eu vivo sob sua guarda dês de então.
– Não procurou mais por sua família? — Rogers questionou, com seus olhos azuis grudados em mim.
– Me fiz uma pergunta tal noite, Fury tinha uma missão e me deixou em casa, então perguntei: Se eu realmente tivesse família seria eles a me procurar, não eu. Talvez não me quisessem mais, ou estivessem mortos. Fury se tornou tudo o que eu posso ter no momento e eu não devo passar minha vida toda atrás de uma ilusão. – Rodopiava a minha colher no iogurte para não ter que encarar seus olhares de pena. E também para disfarçar o quanto aquele assunto me toca.
– Ele a obrigou a se tornar uma agente? – Tony perguntou com censura.
– Não, eu escolhi. Quando saímos do hospital ele teve uma conversa bem sincera comigo, contou-me sobre o que trabalhava e sobre o perigo que eu correria ao ficar com ele. Me deu a escolha de viver algo diferente, até iria arcar com minhas contas. Mas eu não poderia ter nenhuma outra vida, queria ser tão importante quanto ele.
– Nick sempre a elogiou. Você é como uma filha pra ele. – Steven disse, atraindo minha atenção. Eu não sabia que Nick disse isso sobre mim.
– Assim como ele é pra mim. Meu protetor, amigo, padrinho e o único pai que eu tenho.
Sorri amargurada ao lembrar da única vez que tivemos um afeto de carinho. O momento que senti que só tinha ele no mundo.
Alguns soldados de total confiança de Fury me levavam até ele, segurando meu braço para não sangrar mais. Chegamos na sala secreta e Fury já veio até mim pegando o braço ensanguentado e o analisando.
– Você está bem? — ele percebeu o ferimento em meu braço, ele ainda estava sangrando e eu nem tinha percebido.
Quando olhei Nick, vi meu padrinho e não meu chefe. E inconsequentemente as lágrimas já estavam rolando, meu corpo tremia. Eu estava fraca e tinha sido derrotada de todas as formas.
Fury avançou e me abraçou pela primeira vez, depois de cinco anos ao seu lado. Afundei meu rosto em seu ombro, com vergonha de mim mesma, não queria encarar o mundo nunca mais.
– Quem fez isso com você? — Ele segurou meu rosto e perguntava de forma desesperada. Eu mal tinha coragem de forma abrir os olhos para encara-lo.
– Foi ele! Foi ele! — Gritava descontrolada. — Ele é um traidor! Ele nos traiu! Ele me traiu! Eu sinto tanto...
Não tive como segurar, eu não poderia aguentar tudo sozinha. Precisava dele. Precisava do meu padrinho. Precisava do meu pai.
– Amanda, eu consegui o que me pediu ontem. – Clint entrou na cozinha arrancando toda a atenção de mim. – Quer dizer, nessa madrugada.
Enquanto Tony fazia alguns ajustes na minha perna peguei seu celular emprestado para pedir a Clint se conseguisse trazer meu celular que estava na base de NY. Eu tinha coisas do apartamento para resolver e eu precisava ligar para o seguro. A vida continua mesmo quando se tem a casa explodida.
– Brigada, Barton. – Peguei o celular e o rodei em minhas mãos, bem diferente do meu antigo. – Eu devo ter perdido tudo nessa explosão.
– O seguro do seu apartamento deve pagar pelo prejuízo. – Disse Pepper.
– Mas de qualquer jeito eu não vou mais poder voltar a morar lá, não tão cedo. – Respondi negando com a cabeça. – E honestamente eu não sou bilionária, não sei se conseguirei um apartamento tão bom e barato como aquele.
– Fica em uma das bases da S.H.I.E.L.D. – Barton sugeriu.
– E não dormir à noite inteira? – Perguntei aumentando minha voz. – Você sabe como a S.H.I.E.L.D é, te suga até não conseguir parar em pé.
– Em meio essa crise duvido muito que a deixarão em paz. – Bruce comentou ao meu lado.
– Podemos ajudar a comprar outro, se quiser. – Ofereceu Pepper com um sorriso meigo.
– Não, não estamos fazendo caridade. – Anthony respondeu enchendo a boca de waffles. Recebeu um tapa na nuca da ruiva e aquilo me fez rir.
– Não está pensando em ir antes da sua recuperação? – Adverteu Capitão com aqueles olhos azuis me censurando.
– Ainda não posso ir, seria uma vítima idiota se saísse daqui agora, mas eu preciso recomeçar minha vida e preciso ir atrás de Nick. – Agora todos me encaravam com censura. – O que foi? Eu disse que vou resgatar Nick.
– Por que não deixa os Vingadores cuidarem disso? – Clint cruzou os braços e deu ombros. – Não há nada que você pode fazer sozinha que não podemos fazer em cinco.
– Acha que vou deixar tudo nas mãos de vocês e ficar sentada? – Perguntei irônica. – Não vai rolar.
–Amanda... – Rogers ia continuar quando bati na mesa de vidro o interrompendo.
– Sabe por que não gosto de vocês? – Olhei para Stark, Rogers, Barton e Bruce, mesmo que o ultimo não tenha me irritado tanto. – Porque acham que ninguém é tão herói quanto vocês, ninguém é super. Mas deixa eu lhes contar um segredo, tem agentes muitos menos reconhecidos que salvaram muitas mais vidas que vocês e não é de vez em quando, é todos os dias! Não pensem que vou ficar parada e não tomar minha posição porque vocês são sexistas, machistas e arrogantes. Querendo ou não, vou salvar meu padrinho e isso será com, ou sem a ajuda de vocês.
Andei até o quarto disposta a sair da torre o mais rápido possível, chega eu definitivamente odeio esses heróis egocêntricos! Não me dou bem com eles e não seria agora porque meu padrinho está em perigo que isso iria mudar. Mandei uma mensagem pra Felix pedindo que mandasse um jato para me buscar, o telefone revirava em minha mão até que vibrou com a ligação de um numero desconhecido.
– Alo? – Atendi. Mas ninguém me respondeu, olhei novamente e na tela mostrava que a pessoa ainda estava na linha. – Alo? Felix? Se for você isso não tem graça...
– Olá, Amanda. – Aquela voz fez todo meu corpo travar, o ar me faltar... O mundo parou.
Já fazia seis meses dês do ataque da H.I.D.R.A na capital, onde vários agentes se revelaram estar infiltrados na S.H.I.E.L.D enquanto servia nossos inimigos. Foi um caos, se eu fechasse os olhos eu ainda podia sentir o medo me envolver como me envolveu naquele dia. As vezes tento fingir que nada passou de um pesadelo, um terrível pesadelo.
Mas são esses momentos que me convencem que não.
– Você. – Proferi como se fosse um palavrão, mas mesmo assim não teria coragem de lembrar seu nome sem me mostrar fraca e começar a chorar. – Depois de tanto tempo, querido? Já estava começando a ficar com saudades.
– Uau, que gatinha feroz. – Aquela risada rouca que uma vez me enfeitiçou me deu náuseas. – Eu gosto mais dessa Amanda...
– O que você quer?! – Interrompi sentindo a fúria me dominar.
– Você, como sempre. – Sua voz suava tão natural, como se fosse apenas uma conversa casual. – Acho que todos a querem agora, né? Amanda Creane, a mulher da vez...
– Não vejo a hora de te mostrar o que eu quero. – Respondi com ódio. – Fale, Lucas! O que você ainda pode querer comigo? Agora quer terminar o serviço?
– Não, não tenho a mínima intenção de matá-la agora, Amanda. Não quando ainda não tiramos tudo de você. – Ele proferiu no plural, pois ele é um deles, os inimigos. Eu me deitei com o inimigo, eu amei o inimigo. – Porque você não dá um alo pro seu padrinho.
Meu sangue esfriou, sumindo com a raiva e dando lugar ao desespero. Eu me lembro de uma vez que estávamos treinando lutas marciais e ele me deu um soco no estomago que me fez perder o ar imediatamente, me fazendo perder os sentidos por alguns instantes. Aquele momento poderia se comparar ao soco no estomago.
– Por que não fala como está se divertindo com nós, Fury? – Perguntou Lucas, ao fundo eu escutei uma respiração forte, de alguém machucado. Foi então que algo bateu nele e pude escutar alguém cuspir, o que provavelmente era seu sangue. E ouve um resmungo.
Eu conheço bem aquele resmungo.
– Não! – Gritei me apoiando na cômoda ao meu lado, eu mal respirava. – Não o machuque!
Outro soco foi transferido, mais uma exclamação de dor, e depois pareceu que aquilo não cessava. Aquele era o pior de todos meus pesadelos, ouvir alguém ser machucado e não poder fazer nada para impedir! Me sentir uma completa inútil por nem conseguir defender a pessoa que eu amo. Era a cena dele sendo levado se repetindo, e mais uma vez eu apenas assistindo.
– Por favor, não o machuque! – Gritei lentamente caindo no chão, enquanto chorava desesperadamente. – Não faça isso com ele!
– O que? Você pediu “por favor”? – Perguntou irônico. – Continua tão fraca, pobre Amanda! Quando ira aprender a deixar de ser tão fraca? Tão... pateticamente idiota! Esse foi só um aviso a você e seus protetores, os Vingadores. Que saibam que isso tudo é só o começo.
– Amanda, nunca se entregue! – Nick gritou, trazendo-me o ar de volta, ele estava vivo!
– Nick!
Depois disso a ligação se encerrou, mais a tortura não tinha acabado.
Não chore, Misericórdia
Ainda tem muita dor por vir.
Não chore, Misericórdia
Misericórdia

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