A vingança das suas (quase) namoradas
6 Capítulo 6 - É Complicado.
– Eu estou bem. — Jhon disse se levantando.
– O que houve? Quero dizer, porque você estava tão triste? – perguntei.
– Hoje faz cinco anos que meu pai morreu.
– Eu nem lembrava Jhon, me desculpa pela falta de consideração.
– Tudo bem, eu nem falo dele com você, nem com ninguém.
– Eu gosto de lembrar das coisas que a gente fazia antes, isso me alegra.
–Eu gosto também, principalmente de quando o Lucas ainda estava aqui.
– Você sabia que Lucas voltou.
– Sim, eu vi ele.
– Sério? Onde?
– Ele foi lá em casa e depois fomos pro hospital te ver.
– Mas você não foi me ver.
– Fui sim, só que você estava dormindo quando entrei.
– Não pode ser. — disse pensando em voz alta.
– O que foi?
– Nada, só tive um pensamento estranho.
– Tudo bem então. Que tal pedirmos pizza?
– Que tal fazermos pizza?
– Como assim?
– Você tem uma cozinha enorme aqui e não utiliza.
– Eu não sei cozinhar.
– Mas eu sei.
Fomos no supermercado que ficava a duas quadras do prédio e compramos muito mais do que precisávamos, resolvemos fazer cupcake também. Voltamos cheios de sacolas e começamos a tentar fazer as pizzas.
– Você não disse que sabia cozinhar? — perguntou Jhon ironicamente.
– Eu sei cozinhar, só não sei abrir a pizza.
– Sabe o que devemos fazer?
– O que?
– Chamar o Lucas? Fazer como antes, sentar os três na frente da televisão e comer tudo que virmos pela frente.
– Gosto dessa ideia.
– Lily seu celular está tocando.
– Atende pra mim, minha mão está suja.
– É o Nicky.
– Pergunta o que ele quer?
– Pergunta você.
– Põem no viva-voz.
– Pronto, pode falar.
– Foi mal Nicky eu estou ocupada.
– É que eu quero te ver.
– Que fofo. — eu disse fazendo cara de nojo pro celular fazendo o Jhon rir.
– Eu preciso te ver.
– Você está com a voz seria.
– É que... eu te amo.
– Você me ligou pra isso? — eu olhei pro Jhon e ele não estava mais rindo.
– Na verdade não, tenho que te dizer outra coisa, mas não pode ser por celular.
– Você está me assustando Nicolas.
– Não precisa fica assustada. Só não esqueça que eu te amo e que você é muito importante pra mim.
– Tudo bem.
– Tchau.
– Tchau.
– Te amo.
– Tchau. — eu disse e fiz sinal para o Jhon desligar.
– Você é impagável. — ele disse vindo ver os cupcakes. — Não acredito no que eu ouvi ‘Tchau.’, ‘Tchau.’, ‘Te amo.’, ‘Tchau.’ Você é louca.
– E você me ama por isso.
– Você me conhece mesmo.
– Liga pro Lucas.
– Como assim?
– Liga. Pro. Lucas. Pra ele vir pra cá e assistimos televisão e comer tudo que estiver pela frente.
– Foi mal, eu esqueci totalmente.
Eu não ouvi a conversa dos dois, mas quando o Lucas chegou estava cheio de sacolas.
–Lukarindo. — eu disse e fui abraçar ele.
– Você não perdeu essa mania de me chamar assim.
– Não perdi mesmo.
– Oi cara. — ele disse se referindo ao Jhon.
– Irmão.
– Como você está?
– Levando cara, que bom que você veio.
– Então esse é o oásis?
– É, gostou?
– Gostei.
– Lucas me ajuda na cozinha? – perguntei.
– Claro, enquanto isso você vai arrumando as coisas aqui irmão.
Fomos pra cozinha e começamos a confeitar os bolinhos que faltavam.
– Você leva jeito. – eu disse.
– Obrigado, mas nós dois sabemos que é mentira.
– Nada a ver.
– Tudo a ver.
– Lukarindo?
–Fala anjinho.
– O Jhon foi com você me ver?
– Foi, quer dizer, mais ou menos.
– Seja mais especifico.
– Ele foi, mas só entrou depois quando você estava dormindo.
– E ele levou alguma coisa?
– Seja mais especifica.
– Foi ele que levou tudo àquilo pro meu quarto? E não se atreva a mentir pra mim.
– É complicado. Ele levou algumas coisas, mas não sei se foi aquilo tudo. Agora me explica essa história de vingança.
– Quem te contou isso?
– O Jhon. Agora explica.
– É complicado.
– Fala.
Expliquei pra ele a história e ele disse que concordava com o Jhon. Assistimos a uma maratona de todas as temporadas de Friends e The Big Bang Theory.
– Senti falta disso. — Eu disse e eles se entreolharam.
– Nós também. – disseram juntos.
– Hora de voltar pra casa. — disse Lucas.
– Droga. Não quero ir pra casa. — eu disse, mas mesmo assim fomos.
Quando eu cheguei em casa meu pai já tinha ido embora e minha mãe estava na sala assistindo canal de televendas, o que nunca era bom sinal.
– Mãe? — eu chamei, mas ela não respondeu. — Mãe o que a senhora está fazendo?
– O que você acha de eu comprar uma maquina de popcake? — ela perguntou sem prestar atenção em mim.
– Nós não precisamos de uma maquina de popcake mãe.
– Você quer que eu compra a vermelha? Eu prefiro a preta, mas se você quer a vermelha eu vou comprar ela.
– Jhon! — gritei e ele veio correndo.
– O que houve?
– Acho que minha mãe está quebrada.
Você tá louca? Como assim quebrada?
– Olha. Mãe eu posso ir na boate Fienzza no outro lado da cidade e só voltar amanhã?
– Claro filha, mas não esquece a chave. O que você acha de eu comprar uma esteira?
– Mãe você não gosta se exercitar, você é sedentária mãe.
– Você tá certa eu preciso comprar a bicicleta também.
– Você tem um grande problema Lily. — Jhon disse.
– Grande? Enorme! E o que eu faço agora?
– A primeira coisa é desligar a televisão e tirar o telefone da mão dela.
Depois que eu fiz o que o Jhon mandou sentei na frente da minha mãe que olhava pra mim sem falar nada.
– Mãe? Fala alguma coisa.
– Eu vou perder você. — ela disse isso sussurrando e quase que eu não ouvi.
– Você não vai me perder mãe, eu nunca vou me afastar de você.
– Ai filha. — ela disse e me abraçou.
Por um breve momento ela perdeu a noção de quanto tempo tinha passado e a noção de quanto dinheiro tinha gastado, mas logo se refez e perguntou onde eu estava
– É complicado. respondi e sai da sala rindo.
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