A vingança da Agente Creane
4 Fight
Notas iniciais
Apartamento de Amanda Creane,NYC, 00:30
Quando Natasha e Steve chegaram no prédio destruído de Manhattan a multidão que estava centrada no prédio mudou o foco para eles. Parece que a mente humana tem uma certa habilidade em se esquecer dos problemas quando é posto algo mais interessante na sua frente. De repente parecia que não existia mais um prédio arruinado na frente deles, não parecia que muitos deles tinham perdidos seus pertences, álbuns de família ou um teto para dormir. O fato de ter dois dos mais conhecidos super-heróis ali na frente deles foi o suficiente para apagar a imagem de tragédia.
– Americanos... Tão fácil de distraírem. – Disse Natasha ouvindo os gritos enlouquecidos dos fãs, principalmente aqueles que são fãs do Capitão. – Coloque algo brilhante na cara deles que esqueceram de todo o resto.
– Não se esqueça de que eu sou um americano, Natasha. – Comentou Steve enquanto os dois caminhavam até os guardas que protegiam o prédio.
– Acha que eu se esqueceria do cara que usa um macacão colado azul,vermelho e branco? – A ruiva fez uma leve brincadeira, mesmo sua mente estando concentrada no sequestro de seu chefe.
Fury prometeu que ficaria o mais distante possível do USA, era por isso que Amanda estava fazendo seu serviço e sendo o laço dos Vingadores com ele. Ainda há muitos agentes infiltrados aqui, pessoas que talvez a S.H.I.E.L.D secreta não tenha conhecimentos ainda. Depois de Washington, até a maior agência de segurança não sabe todos os segredos do mundo.
Os Vingadores, por exemplo, não fazem ideia de que a S.H.I.E.L.D continua de pé, continua lutando pelo que acredita e sempre vai lutar enquanto existir pessoas fieis a ela. Algumas pessoas precisam de algo por qual lutar, um nome que represente, Clint, Natasha e Amanda são pessoas assim. Eles não são como o Homem de Ferro, que o ego é tanto que não sabe seguir regras nem suporta ser comandado, ou como Rogers que luta por sua pátria acima de todos, ou Hulk que bem... Hulk luta por que quer, sempre. Natasha traiu a própria pátria, não pode nem pensar em voltar a Rússia e seria muita idiotice se fizesse. A Rússia não é conhecido por ter misericórdia, nem por dar uma segunda chance como o USA.
Se um membro trai a Rússia, pode se considerar morto.
Sorte da Viúva Negra é que ninguém quer necessariamente mata-la.
Steve conversou com os policiais e eles liberaram a entrada dos dois no prédio. Natasha se perguntou o que o Capitão America não conseguia naquela pátria que o idolatrava? Subindo pelos os escombros os dois já foram capazes de entender o que aconteceu, pois por mais que o prédio estivesse cheios de pedras o único andar atingindo foi o décimo. O andar em que Amanda mora.
Chegando ao apartamento de Amanda eles viram uma armadura virada de costas para eles com algo na mão.
– Até uma tartaruga seria mais rápida que vocês. – Comentou o Homem de Ferro ironicamente.
– Nem todos podem voar graças a armaduras que custa bilhões. – Respondeu Natasha entrando no apartamento.
O caos se instalava ali. Pedras cobriam todo lugar que um dia podia ser organizado, sangue espalhava-se pelo chão da cozinha e da sala, papeis picados voavam para todo lado e não foi difícil que deduzissem onde Fury estava.
– Ele deve ter sido arrastado e então erguido pelos soldados. – Deduziu Steve quando viu que o rastro de sangue terminou onde estavam seus pés.
– Parece que a agente Creane lutou muito por sua vida... O sangue dela se arrasta até a frente do prédio. – Natasha abaixou-se e pegou uma foto em meio aos escombros da cozinha. Amanda sorria docemente, parecendo muito feliz. Natasha nunca vira a agente sorrir daquela maneira, e mesmo que tentasse, duvidava que Amanda lhe contaria o motivo de ser apenas conhecida como “agente mona lisa”.
– Olha só, achei que ela era petrificada naquele rosto pálido, mas vejo que ela pode sorrir. – Disse Stark tomando a foto de suas mãos e analisando por si próprio.
– Algo não se conecta... Fury deveria estar na Europa, ele não se arriscaria a voltar pra cá. – Comentou Natasha olhando para Stark e depois para Rogers.
– Talvez quisesse vê-la. – Sugeriu Steve.
– Mas por que arriscaria sua vida por isso? – Perguntou Stark dirigindo-se a janela da moça. – Vou procurar pelos arredores, ver se acho algo.
Quando o Homem de Ferro foi rastrear novas pistas, Viúva Negra e Capitão Rogers vasculharam o apartamento, cômodo por cômodo, até Steve deparar-se no quarto da moça. Ou pelo menos o que restou dele.
Steve percebeu que pisou em algo diferente, algo que não era pedra ou o chão, algo que atraiu sua atenção. A coisa que estava abaixo do seu pé era uma fotografia em um porta retrato quebrado. A fotografia mostrava uma Amanda sorridente, com um belo sorriso no rosto, mostrando as doces covinhas que se formaram, muito diferente do sorriso que ela exibia na S.H.I.E.L.D. Seus olhos fechados só comprovaram a Steve que ela estava dando um sorriso sincero. Mas a foto parecia incompleta, rasgada ao meio pelo fato dela estar parecendo estar apoiada em alguém, com seus braços o contornando.
– Olha só, quer dizer que a agente Creane sabe sorrir! – Exclamou Natasha olhando a foto por cima do ombro de Steve.
– Tem ideia de quem completava essa foto? – Steve se sentiu incomodando por a ruiva ter visto aquela imagem, o fez sentir como se estivessem violando a privacidade de Amanda. Mas sua curiosidade atiçou, não conteve em si a não perguntar.
– Não. – Respondeu Natasha sincera – Amanda é reservada demais para sabermos se ela tinha um relacionamento com alguém.
– Achei que a S.H.I.E.L.D sabe absolutamente tudo. – Comentou Rogers olhando naqueles olhos verdes em forma de provocação.
– Aparentemente não já que ainda não sabem rastrear uma bomba.
O comentário de Tony fez com que os dois voltassem a sua postura rígida. Com seus olhares direcionados ao Stark juntos esperaram sua explicação.
– Há alguns meses dei uns brinquedinhos novos ao Fury, isso incluía algumas dicas nas turbinas dos porta aviões, algumas alterações em seu carro e etc... Meu brinquedinho mais especial foi feito para rastrear uma bomba no mínimo 50 km. Como então Fury deixaria que uma bomba os atingisse tão de repente quando tem um alarme pra isso no seu bolso?
Natasha e Steve entreolharam-se curiosos. Stark tinha razão, Fury não poderia ser capturado tão fácil se não houvesse algo por baixo.
– Talvez tenha sido rápido demais. – Oscilou Natasha procurando uma desculpa.
Stark dirigia-se de volta a sala, com Steve e Natasha o seguindo. Ele queria tirar sua conclusão.
– Ele teria tempo o bastante para pegar Amanda e achar um meio de protegê-los. – Disse Steve olhando mais um pouco a proporção do buraco. Apenas concentrado na sala.
– Percebeu o mesmo que eu, picolé? – Perguntou Tony vendo o olhar de Steve analisar o buraco foi impactado com a explosão.
– A bomba só atingiria a cozinha. Ele poderia muito bem ter ido até o quarto ou arranjar outro modo de fugir se quisesse. – Explicou Steve ainda pensativo.
– Estão querendo dizer que ...
– Fury deixou ser capturado. – Disseram o Homem de Ferro e Capitão América em uníssono.
Mansão Stark 00:57
(Pov. Amanda)
– As extensões de seus ferimentos, por mais que não a comprometam, são graves. Poderá levar semanas para seus pontos realmente cicatrizarem e sua perna... Bem, não podemos determinar nada agora.
Parei de escutar Bruce, toda sua explicação já tinha sido o suficiente. Eu não posso salvar meu padrinho, não posso salvar o único que cuidou de mim. Sou uma completa inútil!
Lágrimas quentes começaram a rolar em meu rosto. O desespero de pensar no que estão fazendo com ele, a raiva por ser completa inútil, a descrença nos Vingadores de que irão realmente resgata-lo. Foram essas razões que me desarmaram o suficiente para me permitir chorar na frente de alguém. Para demonstrar minha fraqueza.
– O que eu vou fazer? – Sussurrei para mim mesma desesperada.
– Não se preocupe Amanda. Prometo que o acharemos. – Bruce segurou em minha mão mostrando seu apoio.
– Preferiria morrer hoje pelas mãos do soldado invernal a me sentir tão inútil como estou agora! – Grunhi tentando impedir transparecer toda a bagunça que se formava em minha mente.
Nick era tudo que eu conhecia. Confiava. Sem ele ao meu lado como vou saber o que fazer? Em que direção eu deveria ir? Como eu saberia como sobreviver aos pedaços que restaram?
Ainda mais agora que estou mais inútil do que tudo! Mal posso-me mexer quanto mais salvá-lo!
O que está ao meu alcance?
– Amanda... – A voz de Bruce me fez erguer a cabeça para olha-lo. – Você é apenas uma humana. Essa briga não é sua. — Lembrava-me com ternura.
"Doutor Banner, O senhor Stark solicita sua presença na sala. "
Bruce olhou para o teto e concordou silenciosamente.
– JARVIS peça a Thor para vir e fazer companhia a Amanda. – Pediu o doutor pondo-se de pé.
– Não preciso de babá. – Disse para ele enquanto limpava meu rosto. – Não diga a ninguém que me viu chorar, senão acabo com você e com o Hulk.
Bruce sorriu tímido e saiu do laboratório.
Respirei fundo. Precisava encontrar minha racionalidade por baixos dos medos e então pensar com clareza.
Mas nada me fazia desviar meus pensamentos que ainda estavam concentrados nos olhos do Soldado Invernal. Estavam concentrados no medo que eu senti. No modo como uma parte minha queria desesperadamente que alguém entrasse ali e me salvasse.
Eu odeio esse sentimento! Eu odeio o fato de ser apenas uma humana e odeio ainda mais não ser capaz de proteger o único que me lembro de amar! Odeio esse sentimento de fraqueza... Tudo que eu quero ser agora é... Poderosa.
Eu olhava muito bem para o alvo. Aquele ponto vermelho estava dentro da minha mente, como Fury me disse, meu alvo estava marcado. Com o som da minha respiração apertei o gatilho da besta, vendo a flecha voar ate o tronco, mas não acertando o alvo e sim próximo a ele.
– Não acertou. – Comentou Nick sendo óbvio.
Soltei um suspiro com raiva antes de marchar ate o tronco para buscar a flecha. Quando voltei percebi o olhar impaciente do meu padrinho.
– Eu estou me esforçando! – Gritei apontando para mim mesma como uma forma de me defender de suas acusações silenciosas.
– Não o suficiente. – Comentou com seus braços cruzados e sua voz cheia de censura. — Se esforçar não significa que vai sobreviver, essa é uma desculpas dos fracos. Que eu me lembre de não estou a treinando para ser fraca. Você é fraca?
– Não. – Respondi com urgência. – Eu não sou fraca. É exatamente o que eu não quero ser. O fato de não lembrar quem fui, ou da vida que tive me deixa fraca, me deixa como uma criança sozinha na escuridão e eu odeio esse sentimento! Eu quero ser poderosa, ser capaz de me proteger... Nick, quero ser capaz de não sentir medo todo tempo.
Meus olhos marejaram involuntariamente, mas precisava desabafar isso com alguém, mesmo que seja ele.
– Encontrou a razão para acertar aquele alvo. – O homem chegou alguns passos até mim e apontou para o tronco me fazendo olhar para ele. – Muitos se esforçam para conseguir o que quer, mas nunca é o suficiente, sabe por que? Eles não têm porque lutar. Quando você luta por algo você não apenas se esforça você faz, com todas as suas forças. Poder não significa força, significa um motivo pelo qual você luta, esse é o verdadeiro poder. — Ele então afastou alguns passos, me deixando ainda com os olhos no alvo. — Você não quer ser apenas poderosa, precisa ser poderosa. Você tem algo pelo qual lutar, e sei que Amanda Creane não desistira ate conseguir.
Sorri para ele e tive a confiança de tentar novamente. E como confirmação de suas palavras minha determinação aumentou e minha flecha atravessou o centro vermelho.
Porque agora eu tenho razão para lutar.
Chega, eu não aguento mais isso! Forcei meu corpo a ir pra frente, passando pela dor causticante que estabeleceu em minha barriga. Peguei a perna engessada e empurrei para o chão, rangendo os dentes por ter feito aquilo doer.
Não vou ficar sentada me lamentando, ou acreditando num bando de heróis que não farão o necessário.
Eu não quero só salvar Nick, ou destruir a HIDRA. Quero que sintam o medo que senti ao vê-los invadir minha casa. Quero que saiba quando estou chegando e quero que tremam de medo como eu tremi. Quero que sintam o meu medo e que sintam a minha dor. Mas especialmente eu quero me vingar de uma única pessoa:
O soldado invernal.

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