A vila Bragi
1 Um lugar azul
Notas iniciais
O mundo não fazia sentindo algum pra Janaína. Era domingo e isso significava dormir o dia todo, mas não esse domingo, ela estava muito agoniada pra consegui deitar, estava pensando em tudo ao mesmo tempo como de costume.
Então resolveu se acalmar um pouco e foi ao quarto antigo, não que ele fosse mais velho que sua casa nova, é que os moveis mais antigos ficavam nele.
Era um quarto grande e amarelo, com um tapete bege no centro, e da sua janela de madeira dava pra ver arvores, grama e um rio. Janaína adorava esse quarto, porque quando estava nele, parecia estar em qualquer outro lugar que não fosse a sua cidade.
Embora admirasse, ela logo se cansava de vistas. A vida enjoa, sempre dizia. Cansada, deitou-se no único móvel que dava cor ao quarto, um sofá todo azul, e começou a ler um livro em que uma garota acreditava que o lago da sua fazendo era um oceano. Janaína concluiu que a vida era uma questão de ponto de vista.
Por fim, resolveu sair de casa, o que era esperado das garotas da sua idade em dias ensolarados de domingo, mas não sabia pra onde ir. Acabou indo a uma lanchonete no outro bairro onde gostava de tomar Açaí.
O sol foi se escondendo no mar e ela não queria voltar pra casa, porque sabia que amanhã tinha escola e teria que lidar com todas aqueles sorrisos falsos e aulas entediantes. Pensou se sair correndo era muita infantilidade, e concluiu que depende do ponto de vista e achou que deveria pensar um pouco antes de voltar pra casa.
Então ela foi a um ponto de ônibus, mal sabia Janaína que o mundo a partir de agora irá mudar muito. Não sabia que ônibus pegar, porque não conhecia bem aquela cidade e também porque não gostava de se afastar muito de casa pra conhece-la. Pegou o primeiro ônibus azul que viu, lembrou do seu sofá e assim como os livros que lia nele, pensou que aquele ônibus a levaria a algum lugar especial.
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