A vida ri-se de mim

1 As vezes, ser adolescente te faz querer morrer


Eu tenho me sentido estranha, talvez meio longe, talvez meio perdida. Tenho tentando levar os dias com mais calma, tenho tentando dormir sem tanto peso. Aceitar as coisas como ela são é realmente difícil. Tenho muitas dúvidas, tenho muitas perguntas e mal sei como agir diante da vida, mas estou tentando levar.

Eu fui, em todos os momentos, a pessoa mais alegre que consegui. Coloquei as minhas dores e angustias no bolso e sai por ai distribuindo sorrisos quando, na verdade, a única coisa que tinha vontade de fazer era chorar.

Mas tudo bem chorar de vez em quando, certo? Não dá para fingir ser forte o tempo todo. Já até aconteceu de eu quase chorar por ter tropeçado na rua, por uma coisa à-toa. É que, dependendo da dor que você traz dentro, dá mesmo vontade de aproveitar a ocasião para sentar no fio da calçada e chorar como se tivéssemos sofrido uma fratura exposta.

Mas para a sociedade, o choro é fraqueza. Dar risada de tudo é loucura. Ser quieta é ser antissocial, ser faladora é ser chata. Para ela nunca nada está bom. Ela sempre encontra algo para julgar, para apontar o dedo. Como se fosse perfeita, como se não tivesse e cometesse erros.

Digo porque sei. Digo porque cresci assim, sendo julgada, pela forma como apanho o meu cabelo, como me visto e por aquilo em que acredito ou deixo de acreditar. Pela minha aparência física e pela minha quietude.

E sabe o pior de tudo isso? Não ter ninguém em quem me apoiar. Ninguém. Ninguém para falar um "vai ficar tudo bem, você é forte e vai superar", mesmo sendo mentira. Ninguém para me abraçar. Ninguém para ultrapassar obstáculos comigo. Ninguém suficientemente disposto a conhecer-me verdadeiramente. Ninguém a quem dar a mão. Ninguém para chorar no ombro e desabar.

Eu quero ser forte, mas dá realmente para ser assim o tempo todo?

E quer saber? Agora, ficar sozinha é quase um privilégio. O silêncio não reclama de todo o meu drama sobre existir em um mundo onde apontar o dedo é mais apropriado que dar um abraço.

E agora me responda, está difícil sorrir pra você também?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.