A vida de uma filha de Hades.
3 Capítulo 3 - A mesma sensação.
Notas iniciais
Devo dizer que a primeira impressão das pessoas em mim é sempre igual. Sou sempre a estranha.
Percy me levou até Quíron e me mostrou o chalé de Hermes, onde eu deveria ficar até que meu pai me reconhecesse, mesmo que Percy tenha dito que eu era filha de Hades. Isso aconteceu porque eu ainda não tinha sido "oficialmente proclamada" então eu tive que me juntar aos meus novos colegas, que me olhavam estranho porque eu tinha sido "meio reconhecida, meio não reconhecida". Para a minha tranquilidade, David não passou mal enquanto conhecíamos o acampamento, mesmo vendo pessoas lutando e pégasos, além de que ele (diferente de mim) foi bem aceito por todos no chalé.
Larguei minha mochila e minha nova camiseta num canto do chalé e fui tomar banho. Me disseram que eu seria reconhecida por meu pai no jantar, então, eu fui me ajeitar, porque mal podia esperar para este momento. Vesti minhas roupas, sequei meus negros cabelos e me dirigi à David.
"Está gostando do lugar?" Perguntei casualmente, tentando não parecer ansiosa. "Aham, as pessoas são bem err.. acolhedoras.." Ele me olhou torto, pois percebeu que eu não era bem aceita. "Fico muito feliz que vamos fazer novos amigos, além de sair daquela escola infernal." Ri nervosa, tentando melhorar o clima, sem sucesso. "Ester, vamos pro "refeitório", sim?" Assenti com um leve movimento de cabeça, aquela conversa não ia levar a nada.
Me sentei ao lado de David, na ponta da mesa e fomos servidos com comida, seguindo o exemplo dos veteranos, fizemos oferendas aos nossos pais, quem quer que eles fossem. Nos sentamos e comecei a comer, conversei um pouco com David, mas ele estava tão ansioso quanto eu. Ser reconhecida era muito importante para mim. Terminou a hora da janta e algo em cima de David começou a brilhar, ele fora reconhecido. Seu pai era Hefesto, deus das forjas. O resto da noite fiquei esperando pela minha vez. Porém nada aconteceu. Não foi na minha primeira noite que eu fui reconhecida. Percy me olhou como se sentisse minha dor. Era quase certo que eu era filha de Hades. Mas meu pai se recusava a me reconhecer. Por motivos desconhecidos, valeu paizão.
Voltei ao chalé de Hermes, decepcionada mais uma vez. Travis e Connor, os irmãos que "coordenavam" o chalé vieram até mim. "Ester? Olha, eu sei que você está decepcionada..." Começou Connor. "...mas muitos aqui não foram reconhecidos por seus pais também." Terminou Travis. "Não é isso, está tudo bem... tem alguma maneira de eu me comunicar com minha mãe?" Perguntei, sentindo falta de ter alguém para conversar. "Tem... mas é melhor esperar para de dia, a "conexão" fica melhor." Eles sorriram e foram ajudar outros campistas.
Coloquei um pijama e me dirigi à cama onde David ficaria, essa era minha nova cama. Olhei em volta e novamente me senti, novamente, deslocada. Rezei aos deuses para que amanhã eu fosse reconhecida, e fui dormir.
Vozes atormentaram o meu sonho, eu via pessoas que eu não conhecia dizendo que eu nunca seria reconhecida, porque era o meu destino afundar nas sombras, todos iriam me esquecer e logo eu seria exilada para a floresta mais próxima porque ninguém mais conseguiria suportar a minha presença. As vozes me diziam que eu nunca mais conseguiria gritar, somente sofrer em silêncio, porque ninguém nunca iria ligar para as minhas queixas. Minha dúvida o tempo todo era: "Mas e David? Meu melhor amigo?" As vozes não demoravam a responder que ele acharia outra, melhor que eu, que seria um dos primeiros à esquecer que eu existo. Com isso, acordei de madrugada com o travesseiro encharcado de lágrimas, e as cobertas igualmente molhadas, cheias de suor. Chorei mais um pouco, não porque eu acreditava nas vozes, chorei sem saber porque. Simplesmente chorei, esbravejei tudo o que cobria a minha mente. Apesar de todo o tempo que me levou essa choradeira, como disseram as vozes: Eu não consegui proferir som, fiquei apenas sentada, abraçada em minhas pernas, com a cabeça coberta pelas mesmas derramando lágrimas. Após me limpar, consegui voltar à dormir, depois de perceber, que ninguém tinha acordado.
Fale com o autor