A vida de um escravo.
1 Capítulo 1
Bom dia, boa tarde ou boa noite. Antes de mais nada, aviso que essa história vai ser curta. Estou escrevendo isso usando um pedaço de carvão, em cima de um papel higiênico.
Pois bem, meu nome é Jheff. Sou um escravo do Sr. Diamond, e trabalho nas suas várias usinas de carvão. Pois bem, já estou com 53 anos, a idade própria para me matarem quando estou inválido. O enforcamento meu será hoje, por isso, irei escrever esta carta para passar de gerações a gerações.
Estou numa cela pequena, que cabe uma pessoa e um prato de comida basicamente. As paredes são velhas sem rebocamento, e os tijolos são cobertos por musgos onde reside várias aranhas. Minha esposa e meus filhos morreram nessa carvoaria, quando tentaram resistir aos maltratos.
Sou um escravo desde que me conheco por gente. Nasci no meio de um navio negreiro, e quase morri quando tive que suportar as precárias condições que ali se encontravam. Minha mãe, morreu antes de atracarmos no porto por uma infecção por causa das urinas e fezes espalhadas pelo chão do convés inferior.
Meu pai, morreu algumas semanas após ao chegarmos ao litoral do Brasil, onde iríamos trabalhar na cana-de-açucar. No começo, fui mantido em um local especial chamado Senzala, onde todos os bebês recebiam comida o suficiente para não morrermos de fome, e ainda tivermos condições de cagerrar maços e maços de cana nas costas.
Eramos alimentados com restos de comidas que os nobres das fazendas comiam, e de vez em quando eles nos davam leite talhado, que só serveria para fazer sabão.
Até os meus 10 anos, que era o tempo que levávamos para começar o trabalho, eu passava o tempo brincando com a terra e fazendo lutinhas com meus colegas que também viviam em condições precárias. Ficávamos pelados, pois o dono da fazenda não queria gastar dinheiro com vestimentas para nós, negros. Os adultos, recebiam um uniforme grande o suficiente para durar a vida toda, de modo que a da maioria já estava todo em trampos, e alguns ficavam só com uma tanguinha.
Quando completei meus dez anos, os donos da fazenda nos colocaram para regar as plantações de cana, o que não era nada fácil. Tinhamos que pegar um balde de 50 kg nas costas, e levar até o local onde outras crianças pegavam um pequeno balde de jogavam água nas plantações. Isso faziamos até o anoitecer.
Como já tinhamos dez anos, dormiamos nos mesmos locais que os adultos, e como era separado mulheres com homens, as crianças eram frequentemente estrupadas. Sim, isso mesmo, éramos estrupados pelos negros que ali viviam, como uma forma de "diversão" para eles.
O local era uma cabana feita de madeira podre, onde tínhamos que dormir em um pequeno lençol velho e em trapos, mas os adultos pegavam os das crianças e usavam como travesseiro, isso significava que dormiamos no chão.
Trabalhei na empreitada de regar plantações até os meus 15 anos, quando os donos já me intitularam grande o suficiente para fazer um trabalho realmente pesado. Então, começei a trabalhar de plantar as canas, e também colher elas.
Fiz isso até os meus 20 anos, quando fui trabalhar nas minas de carvão.
As minas eram um local fechado, com alguns túneis com carrinhos de mãos empurradas por os menores, que levavam até a entrada da caverna, onde uma grande esteira feita de couro resídia o carvão para ser levado para o mercado das Índias.
Trabalhei inicialmente empurrando carrinho, mas quando atingi meu ápice, que são 30 anos, começei a trabalha realmente duro na mineiração de carvão.
Descíamos um elevador feito de mão, e trabalhávamos com dinamites altamente destrutivas e mal feitas, para conseguirmos coletar carvão. Quando era pouco o carvão na área, iamos mais fundos até achar algum, e por isso tinhamos que usar velhas tábuas de madeiras como escada.
Acidentei uma vez no meu trabalho, e antes que qualquer dúvida surge quanto ao que eu falei lá em cima sobre a minha época de criança, eu nunca estrupei nenhuma. Mesmo se eu quisesse fazer isso, aqui embaixo não ficava crianças o suficiente. Mas constantemente via coisas do tipo, que chegou até a ser algo normal.
Inclusive, uma menina morreu, quando com 18 anos veio para as minas de carvão, e era estrupada todos os dias, até não aguentar mais e se suicidar. Muitos negros conseguiam fugir, mas todos eram pegos. E quando eram pegos, ou trabalhavam o dobro, o que faziam sua vida ser cortada pela metade, ou eram mortos.
Então, nesse ritmo, estou aqui hoje, preso em uma cela com o meu destino selado pelos senhores de engenho. Se você estiver achando que essa história vai terminar com algum herói nos salvando, isso aqui amigo, é a vida real. Agora, o espaço dos meus papéis higiênicos estão acabando, e o pedaço de carvão está pequeno.
Daqui a algumas horas, serei levado até um pequeno espaço reservado na Casa Grande, e serei enforcado pelo dono da fazenda, por invalidez. Não me peçam continuação, futuros leitores dos séculos seguintes, pois até lá morri e a história acaba aqui.
Se essa escravidão vai continuar, não sei, mas só sei que para o seu bem, é melhor não nascer da nossa raça, que por brancos ignorantes, nos acham inferiores.
Então, lembrem-se que, antes de mais nada devem
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