Mais uma noite, mais uma festa com gente vazia, fingindo que são poderosos, felizes e que o mundo gira ao seu redor. Não é bem assim que funciona amigo, nem comigo, nem com você, nem com ninguém.

Olá! Aqui quem fala é mais um adolescente embriagado, escondendo suas vergonhas e suas dores debaixo de álcool e musica alta. Alias, meu nome é Bryan, tenho 19 anos e sou fotógrafo, o resto é resto e vocês não precisam saber.

Não! Essa não é mais uma história de rebeldia adolescente, não é mais uma história de romance barato, essa é a história de como fiz aquilo que muitos querem fazer, ter, mesmo que por um breve momento, minha liberdade. Mas voltando ao começo, a festa. Sim, sou o tipo de cara que gosta de ir a festas , gosta de conhecer gente, gosto de beber, fumo as vezes, mas são apenas coisas que me agradam e me acalmam.

Você deve estar se perguntando:" por que caralhos estou lendo isso? E qual o sentido dessa merda todo que ele tá falando?" Calma, logo você vai conseguir juntar as peças.

Vamos ao motivo de ir a tal festa, simples, me livrar da rotina. Não sou o tipo de pessoa que curte acordar todos os dias as seis da manhã, tomar um café reforçado, sorrir e ir ao trabalho ou ir a escola. (Novamente você deve pensar: " Com essa idade na escola?" Sim seu desgraçado, meu ultimo ano no colégio, e não curso só três anos, curso quatro anos de ensino médio, sim, é um saco.) Odeio ter que ir ao trabalho de tarde pois é algo que não gosto de fazer, mexer com gente engravatada? Não, vlw, mas sou obrigado, afinal, dinheiro não cai do céu. Não gosto de ter que chegar em casa depois de um dia longo, e ter que ouvir as mesmas coisas todos os dias durante as miseras horas que tenho de contato com minha família, faculdade, emprego, escola, carro, moto, filhos, casamento, carreira...Não! Chega disso tudo, isso já me cansou, isso cansa a qualquer pessoa que tenha minha idade, cansa qualquer pessoa que ainda não sabe o que quer fazer, não sabe sobre o futuro e não consegue simplesmente arquitetar tudo na sua maldita vida.

Sim! Um dia pensei em tudo isso, como qualquer bom filho e namorado faria, um dia arquitetei tudo, isso é claro, quando tinha motivos para querer um futuro bonitinho e todo cheio de frescuras, isso quando eu namorava uma garota que, sinceramente? Tornou-me o cara mais feliz do mundo, isso enquanto durou. Novamente, isso não vai ser uma história de romance adolescente, aonde vou reatar com a mocinha e ser feliz para sempre. Quer saber? Vamos direto ao assunto. Quando minha vida finalmente mudou.

E pela terceira vez, a festa.

O que se faz quando vai a uma festa com um monte de adolescente chapado e bêbado? Você fica chapado e bêbado junto! Claro, como não curto drogas e essas cacetas todas, só uma boas cerveja já me agrada. O que você faz quando tem uma garota( ou garoto se você preferir) olhando para você? Você fala com a pessoa. Eventualmente podem acabar se pegando ( que foi meu caso) ou só uma conversa meia boca. Se bem, que aquela altura, eu já estava tão bêbado, que nem sequer conversei com a garota. Curti, dancei, zoei, ri, beijei, bebi, fui vivo por uma noite. Sabem como é uma festa indie, cheia de gente estranha com estilos estranhos e musica estranha que é até boa.Mas como tudo o que é bom acaba, a festa também acabou. Go to home! Dirigindo o sedan de mamãe, embriagado e na merda se algum policial me pega.

A cidade por sorte, praticamente morta aquela hora da madrugada, musica alta no carro, e os reflexos quase desligados, uma luz...não me lembro do resto, apenas de ter acordado em um hospital, com uma seringa em meu braço, meu torso enfaixado e dor na cabeça, muita dor. Minha mãe sentada olhando o celular, seu cabelo curto e loiro estava desarrumado, ela provavelmente havia dormido ali, estava usando roupas simples, um jeans, uma regata e tênis.

—Mãe? O que...o que aconteceu?- minha voz estava rouca e minha garganta doía para falar.

—Você bateu o carro, uns caras de uma gangue ligaram para ambulância e para polícia, e ajudaram vocês. Ah, você vai pagar o concerto do carro. — Serio mãe? To todo fodido na cama e você diz que vou pagar o concerto? Merda...

—Ok Ok...eu pago...A outra pessoa? Ela...

—Não morreu, se é o que quer perguntar, e esta ilesa, só sofreu uma pancada no braço e alguns arranhões. Fora isso, nada demais. Alias, ela deixou o contato, caso você precise de algo.

—Ela?

—Sim, provavelmente tem sua idade. Bem, preciso ir trabalhar, vão te dar alta mais tarde, vou pedir para seu pai vir te buscar.

—Achei que você e o pai não estivessem conversando.

—Nos separamos a 11 anos Bryan, deixa de ser burro. E outra, o Riva viajou a trabalho essa manhã.

—Claro, claro. Se cuide no trabalho, conversamos de noite.

—Beijos, e ve se melhora, seu bostinha.

Eu ver meu pai? Fora de cogitação, eu e aquele velho só brigamos quando conversamos, imagina agora, depois de eu ter batido o carro. Sem chances, já estou melhor, posso ir de ônibus para casa. Me levantei e peguei minhas coisas que estavam na bancada ao lado da cama, mas aquela roupa verde que estava usando...

—Quem caralhos me vestiu com esse vestido...? — me troquei ali mesmo e fui embora, dane-se o velho, nos falamos outra hora.

O caminho do hospital até em casa era rápido, não dava trinta minutos andando, o que era um grande feito já que eu estava sem dinheiro para pegar qualquer meio de transporte de terceiros. Virei a esquina de casa e avistei uma garota sentada na porta, tinha a pele branca como neve e era ruiva, cabelo liso e meio curto. Passei a rua em direção de casa.

—Com licença, precisa de algo moça? — Ela se levantou depressa e esticou o braço enfaixado para algo que parecia ser um aperto de mãos.

—Olá, desculpe estar aqui, sei que devia ser melhor eu ficar longe depois do que aconteceu. -fiz cara de desentendido enquanto tirava a mão do bolso da jaqueta e esticava para cumprimenta. — Mas achei que seria bom conversarmos pessoalmente. Prazer, sou Anny. Bati no seu carro noite passada. — Então havia sido ela que sofreu o acidente comigo, apertei sua mão de leve.-

—Prazer Anny, me chamo Bryan...ham, gostaria de entrar? Não sei como isso funciona.- Abri a porta de casa e ela entrou toda canhada, nos sentamos no sofá.- Me desculpe por essa noite, eu não estava sóbrio e acabei apagando no volante, eu acho, não me lembro de nada.

—Furou o cruzamento...- Anny disse baixinho mexendo os pés.- Não se preocupe, você se machucou mais, espero que já esteja melhor.

—Estou sim, obrigado por se preocupar...então, veio aqui para pedir o concerto do carro? Se for, não se preocupe, dou um jeito de pagar.- Disse enquanto tirava a jaqueta o colocava no suporte de casacos.- Quer que eu guarde o seu? Ela me estendeu seu casaco.

—Não! Não é isso! Me perdoe se fiz parecer que fosse. Eu realmente só queria saber se estava bem. e vim oferecer minha ajuda se precisar de algo. Aqui, pega meu cartão. — Ela estendeu um cartão preto com um número e o nome de um estúdio.

—"Fotografias Ann & Jow ", fotógrafa então? — Perguntei apenas levantando os olhos do cartão.

—Ham, sim, mais o menos, colocaram meu nome, Jowey é meu irmão, vou a alguns eventos com ele as vezes, sabe como é, preciso de dinheiro pra faculdade...se bem, que não faço ideia do que fazer de faculdade, mas isso não vem ao caso, enfim, sua mãe disse que você também é fotógrafo- Aquela sensação de bom pressentimento bateu ao conversar com ela.

—Nas horas vagas? Sim, tiro algumas fotos, posto no meu instagram, me viro sabe. — ela sorriu.

—Que legal! Você trabalha fora as fotos? Digo, não que fotografia não seja um emprego, até porque eu também sou fotógrafa, mas é que não sei, você disse que é só nas horas vagas...desculpa, me expressei errado.- Comecei a rir enquanto ela corava e olhava para cima sem mexer a cabeça.

—Relaxa, entendi o que quis dizer. Sim, trabalho na prefeitura, faço estágio por la. Não é grande coisa, mas já ajuda, ainda mais em horas como essa, de ter que arrumar o carro...- ela riu.

—Bem Bryan, leve em consideração que o meu era do meu pai, então foi sorte só ter amaçado um pouco a frente do carro. — sorri e me levantei, indo até a cozinha.

—Que sorte. Ainda nem vi o carro da minha mãe, deve estar um pedaço de coisa só. Quer alguma coisa? Água, café, suco...chá, refri? Algo?- Falei da cozinha e ela respondeu alto pedindo um copo d'água. Voltei com os copos na mão.- Aqui.

—Obrigada. Enfim, acho que vamos demorar um pouco para ter nossos carros mesmo, eu principalmente, não sei nem quando vou poder voltar a dirigir...

—Seu irmão deve ter carro, faz uma chantagem nele, você consegue dirigir.-Rimos juntos e ela deixou o copo na mesinha de centro.

—Tem razão, não tinha pensado por esse lado. Enfim, preciso ir, daqui a duas horas tem um casamento e preciso ir tirar as fotos com Jowey e a equipe. Obrigada pela conversa e...pela água.- tornamos a rir enquanto íamos a porta.- Desculpe pelo acidente, qualquer coisa que precise, basta ligar que vou atender. Prazer em te conhecer.

—Digo o mesmo Anny, sabe aonde me encontrar se precisar de algo. Aqui em casa ou no cruzamento da rua sete com a quinta. -Ela riu enquanto chegava a calçada, ela se virou com as mãos no bolso e acenou com o braço enfaixado.- Até mais! — Fechei a porta e me virei olhando para escada que ia até os quartos.- Droga...vou ter que pagar o carro.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!