A vida de outra garota...
9 VIII - Plan
Notas iniciais
~Flashmundo~
POV. Dan
E lá estava eu. 7h e 15 min. 45 minutos atrasado! A Amy vai me matar!! Ahhh!
Entrei no hall e joguei meus tênis longe, corri escada acima e joguei o PS4 e alguns jogos na cama, e corri de novo escada abaixo, parando na frente da porta da sala de reuniões. Tentei tomar ar, mas meu pulmão estava doendo muito...
— Preciso... De... Uma... Bombinha... — Falei para o nada, enquanto andava até um armário no canto do corredor.
Quando eu e Amy nos mudamos para essa casa, o combinado é que teria bombinhas em toda parte, para caso de eu precisar. No começo me irritei com a ideia, quer dizer, o grande Dan Cahill precisando de bombinha? Mas depois eu aceitei, até porque era uma ideia boa... Preparada para emergências. Igual as mochilas que eu e Amy deixávamos embaixo da cama, caso tenhamos que sair correndo da casa no meio da noite.
Depois de um tempo respirando normalmente, entrei na sala de reunião.
Ela é grande, paredes e chão de madeira, com uma lareira no canto, de pedras. Duas janelas grandes com cortinas em tons pastel. Quadros de alguns dos Cahills importantes, como Mozart e Amélia Earhart. No meio da sala ficava uma grande mesa de madeira, com cadeiras de madeira em volta, claro. Fico pensando em como as pessoas dessa família curtem madeira... Mas continuando... Ao lado da lareira tem alguns sofás e era em um deles que estava o meu problema.
Quando eu entrei ela me lançou um olhar mortal, quem me fez congelar no mesmo instante. Através do nosso “olhar/sinal” nos tivemos uma conversa tipo assim:
Onde você estava?!! – Amy
Desculpas , eu acabei passando do horário, sinto muito e... – eu.
Depois a gente conversa – ela.
No final ela me lançou outro olhar raivoso e se virou para o fogo.
— Ai está! — Ouvi alguém dizer e me virei para ver Natalie Kabra falando. — Até que um dia! – Ela dizia irônica. – Perdeu a horam Daniel?
— Sim, Natalie. — Respondi seco. — Sinto muito pelo meu atraso. — Desculpei-me com os outros.
Na sala, além dos membros da caçada, estavam George “sei lá do que”, representando o clã dos Ekaterina. Um tal de Claus representando os Thomas, e a senhora Wizard representando os Janus. E é claro, Ian e Natalie Kabra representando o clã de Lucian, já que a mãe está na cadeia e o pai é muitoo ocupado (poupe-me, como diria a Amy).
Amy suspirou e levantou do seu lugar, seus olhos estavam cansados e ela parecia triste. Ian olhou para ela quase imediatamente quando ela fez isso. Interessante... Vou ficar de olho no Cobra...
— Então... — Ela chamou a atenção de todos, e eu fiquei surpreso de como a sua voz tinha força, mesmo estando com os olhos tristes e com um sorriso forçado, ela ainda parecia forte, ela me lembrava cada vez mais Grace a cada momento. — Podemos finalmente começar a reunião.
A vida de outra garota...
~Mundo Real~
— Então... — eu disse depois de entregar o computador para Ian — Eu tenho que ir...
Não aguento mais ver Amy... Ela está com os olhos fechados, parada, fria... Quase não consigo conter as lágrimas.
— Tudo bem. — Ian disse, sem tirar os olhos do computador, estava procurando algo. — Pode levar Natalie pra casa, Dan? Não quero ela sozinha a essas horas e Sinead e Hamilton tem que ficar aqui. — Ele disse para os dois em questão, que estavam sentados no chão, ao lado de Amy.
— Claro, vamos Natalie? — Não eu não queria levar a Kabra pra casa, queria poder chorar em paz, mas pelo jeito, Ian tem que se ficar, e é realmente tarde para Natalie Kabra andar sozinha pela rua.
— Sim... — Ela disse, deu um beijo na testa do irmão, e acenou para Si e Hammer. — Vamos.
Andamos em silêncio até a saída do hospital.
Decidimos que iriamos a pé, até porque era mais fácil andar nessas horas do que conseguir um táxi.
Andei ao lado de Natalie Kabra, nós dois em silêncio, seus cabelos escuros voavam de um jeito lindo, teria me feito babar se eu não estivesse com os pensamentos em Amy...
Ela é tão forte... Igual a Grace. Mas mesmo assim está em coma.
Passamos por uma rua onde duas crianças brincavam, a menina, ruiva, corria atrás do menino, alguns anos mais novo que ela, loiro. Quando o loiro pensou que tinha despistado ela, ele caiu no chão, machucando o pé, mas a menina, diferente do que o garoto pensou, não fez nada do tipo: tocar nele e sair correndo, dizendo que ele era o pegador. Ela disse: “Tempo!” e se ajoelhou ao lado do menino, tirou o tênis dele e brincou com o menino para ele não chorar, depois de examinar o pé dele, ela deu um beijo na ponta, o que era um ato nojento, mas a menina nem se importou, ajudou o menino a se levantar e disse que ele tinha dez segundos de vantagem.
Fechei os olhos e a imagem das crianças sumiu. O jeito como ela era sempre gentil com todos... Sempre calada, sempre na dela, mas sempre gentil.
As lágrimas que eu estava tentando conter acabaram caindo. Minha dor ficou insuportável. Eu sentei no chão com as mãos na cara, tentando ignorar tudo e todos... Tentando, em vão.
Natalie sentou ao meu lado na calçada fria e me abraçou. Simplesmente assim.
— Calma Dan... — Ela levantou meus olhos para encontrar os dela, e eu reparei as lágrimas que fugiam dos olhos dela. — Todos nós a amávamos, ela vai voltar para nós. — Natalie Kabra quem é você? E o que fez com a Cobra?
— Eu... Eu só queria... Eu não consigo... Ela está por toda parte... Eu a vejo em tudo... Em todos... Eu...
— Shiu... — Ela secou as minhas lágrimas, coisa que não surgiu muito efeito, sendo que elas continuaram rolando.
Parecíamos dois malucos, sentados numa das ruas de Boston, chorando, abraçados, e lamentando por algo que os dois sentiam saudades.
Natalie passou os braços sobre os meus e disse:
— Vem... Minha casa é logo ali, você vai passar a noite comigo, ok? Ian vai ficar no hospital e meu pai não mora conosco... Tudo bem? Existe milhões de quartos de hóspedes e você pode ficar com um... Ligamos pra Nellie quando chegarmos lá...
E assim, Natalie Kabra praticamente me carregou, e todos os meus problemas, para o mundo dela, onde me senti melhor do que nunca antes...
A vida de outra garota...
POV. Sinead
Ian acabou de nos dar nosso trabalho e eu já peguei meu telefone e disquei o número de Ted.
— Alô? — A voz do meu irmão chamou do outro lado da linha.
— Ted, é a Si, você está com quem?
— As Holt, Ned e Jonah por que?
— Precisamos de ajuda, em 10 minutos estaremos em casa, prepare todos os computadores, precisamos achar uma pessoa.
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