A vida de Scarlett Rose
6 Revelações do passado
O dia amanhece e aqui estou eu no velho bar do tio do Ley esperando ele chegar. Sentada numa mesa de bar em pleno domingo parecendo uma vagabunda sem vida tomando uma pinga, até que o celular dá aquele bip de mensagem:
"Tô a caminho, não saia daí.
Pfvr, não comece a beber sem mim.
Ass: Ley"
Mal sabia ele que eu já estava pra lá de bagdá quando a mensagem chegou. Pra acompanhar a bebida eu coloquei uma música do BTOB pra tocar e fiquei lá esperando o Ley por um bom tempo. Depois de uns 30 minutos ele aparece com de regata, jeans e chinelo, um mochila e completamente suado.
— Desculpa, desculpa Rose, eu tive um problema e...
— Tudo bem. Senta aí.
— Então, como você tá?
— Um pouco bêbada e você?
— De boa, rs. Então, preparada pra ouvir toda essa história?
— Não, né. Mas... Aceito meu destino.
— Que bom, kkk; Se eu fosse você não beberia, porque depois vocêvai esquecer tudo.
—Talvez eu nem queira lembrar o que você vai me dizer... Não sei.
— Tenho certeza que você vai querer lembrar — ele abriu a mochila e tirou uma carta velha e meio amassada de dentro dela — Toma, leia isso.
— Certo, só um minuto. — Dei uma pausa na música e comecei a ler as seguintes palavras...
Querida filha,
Se você estiver lendo isso, acho que finalmente chegou a hora de saber a pura verdade. Bom, primeiramente quero que você saiba que não morri em um acidente de carro como o seu pai disse, eu estou bastante viva, mas estou com grandes problemas. Você é fruto de um "objeto mágico" no caso eu, com um humano. Eu era a rainha de Nature Valley e por ser rainha (assim como os descendentes) eu tinha poder de me tornar uma humana normal, e foi assim que conheci seu pai e tudo aconteceu; Depois que ele descobriu que eu era uma "fada" ele surtou e disse que não queria mais me ver, mas apesar de tudo ele decidiu assumir uma responsabilidade por você que eu não podia ter e decidiu não contar a você sobre minha existência. Infelizmente nesse momento eu estou presa em uma jaula em Aqualand e estou impossibilitada de fazer nada, no caso, presa. Espero que você aceite seu legado e venha me resgatar junto com Ley. Espero te ver logo.
De sua amada (e viva) mãe, Eres.
Meus olhos estavam cheios de lágrimas e Ley me observava com o queixo apoiado sobre sua mão sorrindo.
— Então, agora você entende? — Ele perguntou.
— Mais ou menos. Tipo, como ela me escreveu se ela tá presa? Como ela sabe de você? Porque meu pai me escondeu isso? Tá tudo muito confuso. :l
— Deixa eu tentar te explicar: Assim como você, sua mãe também é fruto de uma relacionamento de pais metade mágicos e metade humanos e por isso sua avó foi presa também naquela época. Funciona como uma tradição: Depois que a filha da rainha, ela fica totalmente em perigo pois um dia sua filha se tornará uma grande fonte de poder e qualquer pessoa daria tudo por isso, esse é o seu caso. Quando você completar seus 17 anos e meio em plena lua cheia um porre de poderes cairão sobre você e você vai precisar aprender a manejá-los. Por isso estou aqui.
— E você seria?
— Leighton Reyn, sub-treinador de criaturas mágicas e futuro príncipe do reinado de Heaven Clouds.
— E o que deabos seria isso?
— Bom, as criaturas mágicas tem várias classificações, eu sou classificado como dominantes do vento, você da natureza e meu tio logo ali é uma aberração da Dark Forest. Entende?
— É, acho que sim.
Na verdade eu não estava entendendo nada, eu estava pirando. Meu sonho não era descobrir que meu pai e um ignorante mentiroso, minha mãe uma criatura mágica, o Ley ser meu futuro "personal magic traineer", o tio dele ser um vampiro aberração e no final eu teria que salvar minha mãe. É, eu não deveria ter nascido. Mesmo assim eu ainda queria saber, queria tentar entender isso. Enxuguei as lágrimas e perguntei:
— Então, e o que o Luca e as Paisley (bitches da pior quality) tem haver com isso?
— Bom, apenas que Luca é o futuro herdeiro de Aqualand, onde sua mãe está presa, e está aqui para viajar você, quanto as Paisleys elas são também aberrações da Dark Forest para ajudá-lo.
— E eles não sabem sobre você?
— Duvido muito, como meu reino é acima das nuvens e ele é um ser aquático, é muito improvável isso acontecer.
— Verdade.
— Então, você tá melhor?
— É, né (claro que não, seu belo idiota). Quando chegar em casa vou ter que encarar a cara de mentiroso do meu pai.
— Você não precisa fazer isso, vem comigo.
Ele me pegou pela mão esquerda e me levou até o parque de diversões da cidade.
— O que você está pretendendo fazer, senhor Reyn?
— Estou tentando fazer com que você se divirta, senhorita Rose.
Do jeito que estávamos, pegamos os tickets do parque e começamos a ir em vários brinquedos, montanha-russa, trenzinho... Todos. Não percebi mais comecei a esquecer de tudo o que ele tinha me dito pra começar a me divertir um pouco com ele. Após brincarmos de tudo já eram 16 horas da tarde e eu estava exausta e com muita fome.
— Vish, já tá muito tarde e eu roubei a sua tarde toda, desculpa. — ele disse.
— Não, tudo bem. Foi melhor do que ficar remoendo tudo aquillo na minha cabeça.
— Então, já está preparada pra ir pra casa?
— Não mesmo.
— Quer passar o resto da tarde lá em casa? Não é tão grande quanto a sua, mas é bastante confortável.
— Sim, eu agradeceria. E não tente nada, seu pervertido!
— Você tá me estranhando é? O.O
— Zoando, idiota. kkk
Como nenhum de nós estava de carro e eu não iria ligar para o James, pegamos um ônibus para a casa do Ley. Isso era estranho pra mim, mas de alguma forma eu me sentia mais protegida com ele do que anddando sozinha. Descemos em frente a uma praça e andamos um pouquinho até chegarmos ao prédio onde ele vivia. Entramos e subimos algumas escadas até o apartamento dele. Quando ele abriu a porta era um lugar bastante pequeno, mas pra quem vivia sozinho era bastante arrumado. Entrei e desliguei o celular pois eu não queria que ninguém me incomodasse.
— Você deve estar morrendo de fome, vou fazer um lanche. Pode ficar a vontade, a casa também é sua. — ele disse.
— Obrigado.
Eu estava sentada no sofá e estava meio exausta de tudo aquilo, então resolvi deitar a cabeça ali e fechar os olhos pra pensar um pouco. Quando Ley veio trazer o lanche eu meio que já tinha adormecido com algumas lágrimas nos olhos. Eu apenas senti sua mão delicada passando pelo meu rosto e me dando um beijo na testa. Ali mesmo fiquei por algum tempo até que as horas estavam avançadas e tive que ir pra casa. Sentei no sofá ao lado dele e disse:
— Ley, muito obrigado por hoje. Por tudo mesmo.
— Não, cara. Era meu dever fazer isso, tudo bem.
— Já são quase 21 horas, preciso ir.
— Você não precisa ir se não quiser, você pode passar a noite se não estiver se sentindo bem. Eu posso até abraçar você...
— IDIOOOOOTA! NÃO! Mas obrigado mesmo assim — dei uma cotovelada nos ombros dele — Sério, valeu por hoje. Não vou te incomodar mais.
Me levantei peguei a bolsa e liguei pra Ju avisar pro James ir me pegar naquela praça perto de onde o Ley mora. Eu ia sozinha, mas o Ley não deixou porque poderia ser perigoso, então ele foi comigo até lá.
— Sabe, até que foi divertido passar mais um dia contigo. Deveríamos fazer isso mais vezes... — ele disse meio envergonhado.
— Concordo. Mas não vá imaginando que estou lhe dando uma chance, é só que... Sua presença é agradável...
— Se você já está me achando agradável, imagine quando estivermos namorando.
— Ley, para de falar idiotice, plmdds. Já basta essa cara de pervertido, não preciso ouvir suas perversões.
Meu celular deu um bip e recebi uma mensagem da Ju que dizia:
"Amoreco, estou na esquina com a rua Washington, 701.
Venha logo, a rua está perigosa. Bj :*"
— Quem era?
— A Ju.
— É, acho que isso é um "adeus" até amanhã.
— Concordo.
— Muito obrigado mesmo por tudo!
— De nada, se cuida.
Quando dei um passo a frente, Ley me puxou pelo braço, fazendo com que meu corpo ficasse frente-a-frente com o dele e acabamos nos beijando de novo.
— Você sinceramente tem que parar com essa mania de ficar me beijando.
— Se você não gostasse não estaria sorrindo, sua idiota. — ele riu.
— Tá, tá. Tchau!
Comecei a andar e Ley me observou até entrar no carro, eu não queria assumir, mas ter passado aquele tempo com ele me trouxe vários sorrisos bobos e várias lembranças inesquecíveis (até mesmo sobre o papo de ser """fada""").
— O que você estava fazendo aqui, hein mocinha? — Ju perguntou ironicamente.
— Tava na casa de uma colega, Ju.
— Hipoteticamente falando, essa "colega" por acaso se chama Leighton?
— Hum, talvez.
— Que bom.
— Ai dentro.
— Ai dentro o caralho, vocês foram feitos um para o outro..
— Mas eu não afirmei nada, uai.
— Mas eu não sou cega, ué. Vi ele com você, tolinha.
— Hum, tá.
Assim seguimos para casa. Quando chegamos meu pai já havia adormecido e assim fiz eu, me joguei mais uma vez na cama procurando sono, mas não consegui dormir. Fui pra varanda e fiquei remoendo isso por longas e longas horas...
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