A vida de Scarlett Rose

3 CDF? Acho que não.


Notas iniciais
Leighton é nerd? Nunca. "O passado nos condena por nossos pecados, mas do futuro nada podemos dizer até que o presente seja modificado".

“Dia novo, vida nova”? Talvez. Mais uma vez acordei no horário para ir à escola, arrumei minha mochila, tomei banho, escovei os dentes, me vesti e fui lanchar. Depois de ter feito todas as minhas “obrigações”, desci para tomar o café. Acho que pela primeira vez na minha vida vi meu pai na mesa do café. Uau! Ele parecia estranhamente feliz.

– Bom dia, filha linda.

– Bom dia. O que aconteceu pro senhor estar tão feliz?

– Fui promovido a gerente administrativo da empresa. Estou muito feliz!

– Ah, que bom! Também tenho boas notícias, o baile de boas-vindas foi marcado. Eu queria saber se a Ju poderia ir comprar um vestido comigo depois...

– Mais é claro! Sem problemas. Aliás, quem é seu par???

– É, podemos falar sobre isso depois? Acho que deu minha hora de ir. Ju, o Jammy tá pronto?

– Sim, pode ir.

Deixei a mesa com uma cara de transtorno, eu queria muito curtir a felicidade momentânea do meu papi, mas tenho coisas a resolver naquela bendita escola. Entrei no carro e nem olhei para James, ele foi muito estranho ontem... Acho que passaram-se 10 minutos até chegarmos a escola, e por acaso, foram os 10 minutos mais tediantes da minha vida.

Quando desci do carro a primeira pessoa que fui procurar foi Melody, ela prometeu conseguir um par pra mim e eu preciso agora mais do que nunca. Enquanto eu caminhava em direção a minha classe vi Luca e London passarem juntinhos, de mãos dadas... É, acho que as coisas aconteceram muito rápido pra os dois, o que já não é mais meu problema. Entrei na sala e vi Mel no telefone. Ela logo desligou a ligação para falar comigo:

– Pois não, minha linda?

– Mel, acho que vou precisar de ajuda pra conseguir um par, meu pai já ficou ciente de que eu vou com alguém.

– Ah querida, tudo bem. Tenho um par per-fei-to pra você. Espera um pouco.

Eu me acalmei, ela começou a gritar:

– Leeeigh, vem aqui, por favor.

Eu pensei “puta que pariu, ela não vai chamar um nerd e ainda por cima novato pra ir ao baile comigo”, mas antes que eu pudesse reclamar ele já estava do meu lado.

– Oi Mel, Oi Scarlett. O que aconteceu?

Eu fiquei tão envergonhada que só consegui dar um “OI” limpo e seco. Tipo assim, como ele sabia meu nome? Antes deu poder continuar minha fala, Mel interrompeu-me dizendo:

– Bem, a Rose quer ir ao baile, sabe? Só que ela não tem par... Eu queria saber se você está pensando em levar alguém, porque ela queria muito ir contigo.

EU, EEEEEEEU? Putz eu não disse nada! Mas vou continuar e ver no que isso dá.

– Não, claro que eu posso levar ela. Confesso que ela era a minha “opção” pra poder levar. Haha

– Sério? Olha aí amiga, você tá com sorte.

– Verdade, haha. (sqn, sua bitch)

– Agora eu tenho que ir atrás da Kellsie, não a vi ainda hoje. Vocês podem ficar “se conhecendo”, sabe? Até mais...

Ela me deixou sozinha com ele. OMG, eu não sou nerd. O que eu posso conversar com ele? Vou entrar em pânico! Ele percebeu como eu estava tensa e começou a falar:

– Ainda não acredito que vou ao baile com você. Eu queria muito isso!

– Ah é? Quem bom. Haha. Mas porque você queria tanto ir comigo?

– Porque desde o primeiro dia te achei interessante, você tem um dom muito lindo.

– Ah, obrigado. Que dom? O.o

– É, podemos falar sobre isso depois da aula em uma lanchonete pertinho daqui? Posso te levar de carro, tá? Quero te conhecer melhor, mas o professor já está chegando.

– Sim, claro. Ótimo, também quero saber mais sobre meu dom. Haha

Ele saiu e foi se sentar, deu uma olhada em mim e piscou. Confesso que eu esperava bem menos de um CDF, mas ele realmente me surpreendeu.

3 horas depois....

Finalmente a aula acabou. Arrumei minhas coisas rapidamente e peguei o telefone para avisar a Ju que iria sair com “uns amigos”. Enquanto eu ia no caminho Leigh apareceu e colocou a mão no meu ombro e saímos juntos. Melody viu-nos e deu piscada pra mim e desejou ‘boa sorte’. Omg, o que será que vai acontecer. Chegamos no carro, eu iria abrir a porta, mas ele foi mais rápido e abriu a porta pra mim.

– Pois não, ma’cherie?

– Haha, obrigado.

Ele deu a volta e entrou no carro. Demos umas voltas na cidade e acabamos parando em um barzinho que aparentava ser bem aconchegante.

– Essa é a sua “lanchonete” preferida, Leigh?

– Sim, sim. Prepare-se para a diversão.

Descemos do carro e entramos no bar, estava tudo muito calmo. Leigh cumprimentou uns colegas e sentamos em uma mesa perto da janela. Não tinham muitas pessoas no lugar e ele aparentava estar extremamente calmo.

– Então... Pode começar o questionário. Haha (ri descontroladamente)

– Antes de tudo eu queria te explicar que apesar da minha aparência de “nerdão” eu não sou assim. É, não sei como te explicar e nem sei se você vai acreditar. Enfim, eu sou descendente de um dos bruxos mais importantes do mundo da magia, por isso eu sei que você tem um dom especial.

– ESPERA AE! COMO ASSIM BR-BRUXO?

– É isso mesmo. Fala baixo, por favor. Nem todos aqui sabem disso.

– Caramba, estou chocada. Mas como assim “nem todos”? E o que isso tem a ver comigo e com a sua aparência?

– Bem, o negócio é: Tenho que esconder minha aparência o máximo que puder, como eu já tenho 18 anos, já posso controlar meus poderes. Esse bar é de um dos meus tios que é vampiro, mas calma, ele não morder ninguém. Eu quis trazer você aqui pra te explicar isso, entende? E mais, você é um de nós, seres mágicos.

– Sim. É que... O QUÊ? O que eu tenho de ‘mágico’?

– Digamos que você é uma fada...

– Ah tá, fala sério, né.

– É sério, você vai ver com o passar do tempo. A profecia diz que para os poderes se manifestarem o indivíduo tem que ter no mínimo 17 anos e 6 meses.

– Ah, veremos, então... Tenho 17 e 5 meses ainda.

– Por isso, hehe. Quer beber algo? Tô afim de beber tequila.

– Energético, somente. Chocada ainda.

Ele levantou e dirigiu-se ao balcão para pegar nossas bebidas, ele parecia muuuito diferente do que ele é na sala de aula. Ele pegou uma torre de tequila e trouxe meu energético. Começamos a beber e falamos de nossas vidas sem envolver essa tal “magia” no meio, depois de uma hora ele já estava ‘pra lá de bagdá’.

– Puta que pariu, velho. Acho que eu bebi demais.

– Sério? Nem percebi. Hahahaha

– É melhor irmos para casa, eu posso te levar até lá.

– Ah, acho melhor não. Nas condições em que você se encontra é difícil conseguir dirigir. Vou levar você.

– Acho melhor não, oh. Vou dormir aqui na casa do meu tio hoje, precisamos conversar mesmo. Devo me divertir muito, hehe.

– Tá então, já mandei um torpedo pro meu motorista.

Ele ficou em pé, chegou perto de mim e me abraçou com muita força. Eu me senti totalmente pequena, até porque ele tem quase 2 metros de altura.

– Certo, se cuida, pequena.

– Tchau.

Eu saí e ele foi falar com o tio dele, confesso que pensei muito nessa parada de poderes, mas só poderei confirmar na hora do acontecimento e se acontecer. James veio a viagem toda calado (mais uma vez), eu também não queria falar nada. Só pensar no dia de amanhã...