A vida de Lara

1 A vida que sempre levei


Notas iniciais
_________ "Nestes 15 anos eu nunca parei para analisar minha vida, sempre deixei fluir como o mar... o que será que está acontecendo comigo?" _________ Oi pessoas, caso esteja lendo esta fiction obrigada pela paciência e confiança em minhas palavras! Resolvi me aprofundar nesta coisa de ficção como forma de adentrar em um universo paralelo que é a minha criatividade. Espero que gostem.

O celular despertou e tudo que eu mais queria eram 5 minutinhos, mas fui interrompida neste ciclo vicioso do soneca por um buldog francês manhoso lambendo a minha mão e pedindo para subir na cama.

–- Bom dia Luke — resmunguei sem abrir os olhos tentando fazer ele parar de molhar minha mão esquerda que estava caída para a fora da cama. Sabia que se eu abrisse os olhos não resistiria em colocá-lo em cima da cama e esmagar enchendo de beijos, mas eu correria o risco de perder horas na cama e me atrasar para escola.

–- Lara, tá na hora — ouvi o reforço do despertador que era minha mãe na cozinha preparando o café da manhã para a família.

Abri os olhos, suspirei um tempo, me espreguicei e sentei na cama pegando o celular na cabeceira e olhando todas as notificações que tinha no celular. Aproveitei e fiz carinho no Luke que logo virou de barriga para cima, para receber seu cafuné oficial de toda manhã.

–- Lara? — minha mãe reforçando o despertar, já que eu não tinha respondido e com certeza era melhor responder para que ela não invadisse o meu quarto e começasse: "mas você ainda está na cama, depois sai correndo descabelada e sem tomar café da manhã" e todas aquelas coisas que toda mãe diz.

–- Sim, já levantei e já to indo — ok, ainda estava sentada, descabelada, de pijamas e checando as mensagens do whatsapp. Logo me levantei, fui ao banheiro, lavei meu rosto e peguei atrás da porta o uniforme que tinha utilizado ontem (porque minha mãe reclama se eu colocar roupa para lavar todo dia, a não ser quando pratico educação física). Coloquei uma música para tocar, exatamente Try da Pink que leva o tempo ideal para eu me arrumar e serve para ir acordando e motivando o dia. Penteio o cabelo, passo um cc cream da quem disse berenice, um blush da vult e um rímel para dar volume aos cílios da boticário — praticamente está é a minha maquiagem de todos os dias, ou de sempre para não encarar o mundo com a cara pálida.

A música terminou e eu já estava sentindo o cheirinho de café vindo da cozinha. É incrível como eu adoro cheiro de café mas não curto o sabor (a não ser cappuccino, café gelado, frappuccino) e também sentia cheirinho de pão de queijo (bem que eu tinha ouvido o barulho da airfryer). Pego uma meia, meu all star preto, mochila e vou para a sala que é conjunta com a cozinha.

–- Bom dia mãe. Falo bocejando, colocando o tênis e com a meia dentro, e a mochila do lado do sofá.

–- Bom dia! Como se sente mais velha? Vem cá me dar o meu abracinho matinal — eu não sou a pessoa mais expressiva e carinhosa do mundo, mas uma coisa que é regra aqui em casa é o abracinho matinal, são 20 segundos de puro conforto e amor que praticamos com todos em casa e por incrível que pareça é algo revigorante.

–- Minhas costas doem, já notei rugas ao sorrir e acho que encontrei um cabelo branco. É sofrer demais? — falei enquanto abraçava a minha mãe e sentia o cheiro do seu hidratante noturno anti idade.

–- Sim a rainha do drama como sempre. Ela riu, se afastou segurando meus braços e me analisou dos pés a cabeça com os olhos brilhando. -- Quando que eu não te vi crescer Lara?

–- Mãe, não começa! Sem sentimentalismo pela manhã. — mães são sempre assim, puros sentimentos sejam eles amorosos ou de raiva quando aprontamos alguma. Eu fico bastante constrangida com expressões amorosas assim, mas no fundo no fundo me sinto bem e segura na minha família, afinal, quantos amigos eu tenho no qual os pais não tem tempo para nada.

–- Humf — Ela deu uma fungada fazendo careta e me soltando e se dirigiu para a cozinha. -- Faz um favor? Vê se os seus irmãos estão acordados ou vivos? — Nisso o meu pai sai pela porta do quarto deles sorridente e sempre disposto. Eu nunca conheci alguém tão disposto e positivista de manhã! Ele acorda antes da minha mãe e liga a cafeteira e depois sai para correr, enquanto minha mãe acorda alguns minutos depois e finaliza o café.

–- Hey pintada do leite feliz aniversário! Venha receber o seu abracinho matinal super especial de aniversário. — revirei os olhos por conta do meu apelido de criança e fui para o meu ritual de abraço pensando "agora só faltam dois"

–- Bom dia pai, vou lá ver se o Vitor e o Miguelito já acordaram. Ele deu uns tapinhas no meu ombro afirmando com a cabeça e foi dar o abracinho matinal na minha mãe enquanto segui para o quarto dos meninos.

Eu era muito sortuda de ser a única irmã mulher, porque assim pude ter um quarto só para mim. Aqui em casa somos em 3 irmãos: Vitor que tem 22, eu com 15 e Miguel com 7. Como Vitor quase não para em casa, não liga em dividir o quarto com o Miguel, e o Miguel não liga de ter um irmão em seu quarto para o proteger do bicho papão que ele diz que não existe mas morre de medo.

Para variar estavam os dois praticamente desmaiados, olhei para a tv que estava desligada porém o playstation não e imaginei que ficaram jogando até tarde. Sorte o Miguelito não ter que estudar de manhã, mas mesmo assim nossos pais nos faziam acordar todos juntos para pelo menos tomar o café da manhã. Fui até a cama do Vitor e dei umas cutucadas nele, que resmungou virando para o lado mas logo abriu os olhos. Em seguida fui e sentei na cama do Miguel e comecei a mexer no cabelo dele que era tão vermelho quanto o meu e falar baixinho.

–- Miguel, tá na hora, os vingadores te esperam para salvar o mundo! — Este é o código para despertá-lo, ele tem como meta de vida e futuro ser um vingador. Quem sabe até lá não tenha realmente um grupo de super heróis né?

Levantei e fui para a porta -- Café tá na mesa, e tem pão de queijo. — Ambos deram um pulo e foram correndo disputando quem chegava primeiro na mesa, as vezes acho que o Vitor nunca irá crescer de verdade.

Luke estava em volta dos meus pais pelo chão farejando na esperança de cair alguma coisa para ele.

Nosso café da manhã é sagrado pois é o único momento que todos estão em casa, então é mais valorizado que o almoço. Tinha suco, café, chá, pão de queijo, pão de sanduíche, margarina, manteiga, geléia, queijo, presunto e nescau.

–- Para a moça do dia tem algo especial — Minha mãe tirou um cupcake de brigadeiro do forno que certamente meu pai tinha comprado na padaria porque só tinha um.

Sorri feliz pois amo cupcake e brigadeiros -- Obrigada! — Percebi que Miguel já estava secando meu lanche especial de aniversário. Resolvi guardá-lo em um potinho e colocar na mochila para comer no intervalo. Quando retornei a mesa meu irmão mais velho me encarou e perguntou -- Você vai comemorar o seu aniversário onde?

Eu estava pegando um pão de queijo e antes que eu desse uma mordida respondi -- Ahn, você sabe que não sou de comemorar essas coisas. Mas acho que vou no shopping com a Helena depois da aula e comer um BK Fish. Por que?

Todos se olharam como se guardassem algum segredo e então minha mãe se manifestou:

–- Que tal irmos no Pizza Hut hoje a noite e depois no boliche, você pode chamar a Helena e o Henry se quiser. — Ela deu um risinho discreto constrangedor.

Dei de ombros tomando meu chá de camomila -- Pode ser, mas acho que o Henry não iria pois ele tem faculdade.

Helena é minha melhor amiga desde a quarta série e Henry é o irmão dela que também é muito amigo meu, só que ele é 4 anos mais velho que eu e cursa História. Por conta da minha relação com Helena, nossos pais se dão muito bem então todo mundo se conhece. O sonho de consumo da minha mãe é formar pares românticos entre as famílias.

O despertador da cozinha tocou, avisando que dentro de 15 minutos todos que deveriam sair ficassem prontos. Era assim que as coisas em casa funcionavam, timer para tudo. Acordávamos super cedo para ter esse momento em família e depois partíamos para os nossos afazeres. Eu ia de carona com meu pai e meu irmão para a escola porque ambos trabalhavam no mesmo lugar e era caminho da minha escola.

Meu pai tem 55 anos e é programador, tem uma empresa de consultoria e também de assistência técnica de informática e meu irmão está indo pelo mesmo caminho. Recentemente se formou na faculdade de Sistemas para a Internet e continua trabalhando com meu pai porque é mais fácil e estável.

Minha mãe tem 51 anos e é formada em Publicidade, porém largou a vida atribulada de jobs e cases em uma agência de publicidade quando decidiu ter o meu irmão quando tinha 30 anos. Hoje ela tem uma loja virtual de cosméticos e que vai muito bem e possibilita ela estar em casa. Eles são grandes exemplos para eu e meu irmão pois sempre planejaram tudo. Ultimamente ambos os negócios estão mais fracos por conta da crise econômica que o Brasil tem passado, mas ainda bem que todos ainda estamos tendo serviço. Ah sim, eu ajudo o meu pai e minha mãe também, o que gera uma grana ou outra porque não ganhamos mesada. Meu pai e minha mãe sempre disseram que para que aprendêssemos a valorizar nosso dinheiro teríamos de suarmos para ganhar.

Eu as vezes fico com inveja das minhas colegas que ganham mesada e aparentemente sempre tem dinheiro para tudo, mas é raro também eu ficar sem grana com o esquema de economia que levamos. Também não sou muito de sair e tenho gostos bem diferente das pessoas na qual estudo, me sinto uma extraterrestre, ser de outro mundo ou que tenha nascido no lugar errado.

No caminho da escola eu estava checando as zilhões de mensagens que a Helena tinha me mandado e eu não tinha respondido. Coloquei meus fones de ouvido e abrir o snapchat e lá também tinha um vídeo dela, abri para ver o que era.

–- Feliz aniversário pintada!!! Muitos chocolates, brigadeiros e todas as coisas doces da vida. — Esta era a Helena em seu surto de fofisse.

(continua)

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.