Águas Passadas

Como todas as histórias boas vamos começar com, Era uma vez uma família meio fora do normal, conhecida como os “Dewer’s”.

Era apenas uma manhã comum como todas outras para a família Dewer, não espera, pensando bem não era não. Hoje é o dia 30/05/1998 o dia que Joy, que no caso seria eu veio ao mundo, minha mãe Elisangela estava na cozinha conversando com meu pai e minha avó quando sua bolsa estourou assim foi rapidamente encaminhada ao hospital. Mas vamos pular essa parte nojenta e tediosa, todos sabem como bebês vêm ao mundo, provavelmente com cara de joelho e gritando.

Enfim, minha infância não foi lá uma das melhores infâncias do mundo, porém foi a melhor que alguém já poderia ter, no começo minha mãe passou muitas dificuldades, em 2001 ela teve minha irmã caçula e quando meu pai viu que não dava mais pra ficar parado esperando o dinheiro vir até ele, ele resolveu se mudar para outro estado para estabilizar a vida e depois buscar nós. Mas a verdade é que ele nunca se importou com essa parte, quando dizem que mãe é o anjo mais fiel ao filho, eles têm razão.

Cada dia para minha mãe era um inferno, a vida não se estabilizava e tudo parecia perdido, os únicos bem que minha mãe tinha era eu, minha pequena irmã Giovanna e uma babá meio fora do normal já que ela deu minha irmã no meio da rua para uma mulher, sabíamos que ela tinha alguns problemas mentais, porém minha mãe cuidava dela como se fosse da família.

Elisangela que no caso seria minha mãe perdeu sua mãe cedo, minha vó faleceu antes de eu conhecê-la. Eu acho que se eu tivesse um pedido para fazer a Deus seria ele me permitir conhecer minha avó, pelo que todos falam era parecia ser uma grande pessoa, após a morte da minha vó apenas meu pai ajudava minha mãe, e logo quando ele se foi era minha mãe contra o mundo, não sei dizer ao certo se foi uma boa fase para ela pelo fato dela ter tido eu e a Giovanna em sequência, ou se foi uma das piores por todos terem abandonado ela. Minha família sempre foi um bando de inúteis, só serviam para criticar, mas nunca ajudaram minha mãe ao certo.

Mas os dias de agonia estavam ao fim em 2002, um dia quando minha tia ou sei lá o que ela era deu uma pequena ajuda a minha mãe, porém abandonou-a em uma casa velha, onde não tinha luz e o gás tinha acabado a babá meio doida estava segurando minha irmã no colo enquanto ela chorava de fome, eu estava com 4 anos sentada a luz da lua que entrava pela janela da sala como eu tinha medo de escuro aquilo era a única coisa que me acalmava e a única forma de eu não começar a gritar. Um grande amigo, um herói, um pai para mim, ele chegou a casa e viu aquela situação, ele não pensou duas vezes apenas chamou o caminhão de mudanças e levou as coisas da minha mãe para casa dele, assim nos acolhendo. Vamos dizer que até meus 6 anos de idade eu tive a melhor criação que alguém poderia ter, o Anderson ajudava minha mãe como ninguém ajudava.

Quando disseram que aqui na terra se faz, e aqui na terra se paga, seja lá quem disse isso ele tinha razão.

Durante meus 4, 5 e 6 anos eu ia a escola frequentemente, não sei o que eu tinha na cabeça, mas eu era apaixonada por livros e estudos, meus avós paternos deram uma ajuda a minha mãe durante o tempo que morávamos com Anderson, até então meu avô é meu porto seguro.

Quando completei 6 anos meu pai decidiu buscar nós e eu como criança não poderia optar a nada, apenas ir. Assim foi então nos mudamos para onde meu pai morava, eu demorei certo tempo para chamá-lo de pai já que pra mim naquela época ele não era eu odiei totalmente mudar e ir para onde ele morava, até meus 9 anos de idade sempre foi assim, fiz algumas grandes amizades, não gostava o fato depois de tudo minha mãe voltar pro meu pai como se nada tivesse acontecido, e eu não era o espelho dele já que eu aceitava numa boa naquela época, porém não tinha esquecido o que haveria acontecido a alguns anos atrás. Uma das provas disso é que a maioria da minha infância eu apanhei muito por dizer a verdade na cara dele, eu era a única que tinha coragem de enfrenta-lo, e apesar de tudo ele ainda passava algumas noites fora de casa o que aumentava mais ainda minha raiva.

Aos meus 9 anos então mudamos para uma cidade turística da região de São Paulo, era lindo por lá, foi onde me aproximei um pouco mais do meu tio apesar da vaidade dele e a ambição por dinheiro tomar conta da cabeça dele eu gostava dele, porem nunca terei grande respeito a eles como terei pelo Anderson.

Vivi muito tempo por lá, na maioria das vezes só felicidade, eu gostava da cidade, ainda era um pé atrás com esses membros de minha família, mas eu tentava guardar o rancor.

Eu vi vidas de muitos que pisaram em minha mãe no ano de 2000 á 2006 irem por água a baixo, sonhos, esperanças e tudo mais. Aquela tia que deixou minha mãe abandonada com as crianças foi internada já que o filho dela começou usar drogas e ela caiu em depressão, bom eu não pensei que seria assim o desfecho das histórias deles, mas enfim, aqui se faz, aqui se paga.

Algo estranho acontecia comigo toda noite de lua cheia, era a época que eu mais sentia raiva, a época que eu sempre ficava de castigo por fazer coisas erradas.

Mas isso é outro segredo que contarei ao longo da história, mas quando descobri o que eu era sabia que muitas maldições caem em pessoas boas pelos passados delas serem um dos mais doloridos.

Continua...

Notas finais
Essa é uma breve introdução do que virá por ai, obrigado aos leitores.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.