A vida como ela sempre foi
5 Gabriel
Gabriel, desta vez, não representa somente um, mas conta a história de vários.
O primeiro Gabriel é um adolescente de dezessete anos que vai fazer o vestibular, porém não sabe o que quer cursar (às vezes, por ter opções demais, outras por não se enxergar em algo). Esse primeiro encontra algumas possibilidades, como conhecer cursos diferentes através de palestras, escolher algo da área que gosta pra saber se é por aquele caminho ou parar e ter outros tipos de aula (fotografia, pintura, dança, esportes…), para se conhecer melhor.
O segundo, por sua vez, tem vinte e um anos e vai começar um novo curso. Não que ele não gostasse do antigo, mas durante esse tempo se descobriu melhor, viu áreas de interesses que o deixaria mais feliz e encontrou algo que o interessa mais — se quiser experimentar ainda outro, ele pode!
O terceiro Gabriel não quis fazer faculdade, não lhe interessa. Precisou parar por um tempo para encontrar sua paixões. Com vinte e seis anos começou a surfar, porque amava o mar, chegou até a competir por três anos, mas parou. Com trinta e dois descobriu que adorava preparar cachorro-quente, abrindo seu próprio negócio no ano seguinte, fazendo algo que lhe faz bem e, por consequência, gerava os benefícios que outro emprego faria.
O último Gabriel deste capítulo tem cinquenta e quatro anos. Formou-se em farmácia enquanto jovem, mas retornou aos estudos depois de tanto tempo para cursar cinema, algo que se tornou seu sonho ao longo de sua vida.
O que todos esses “Gabriéis” tem em comum? Tempo. Ritmo próprio.
Todos eles seguiram caminhos diferentes, procurando coisas que os fizessem felizes. Todos eles compreendiam que a vida é somente uma e que não importa se você é mais jovem ou mais velho, o que importa é que o tempo não é motivo para que você se sinta pressionado em começar e recomeçar (ou até, descobrir como começar).
Somos pessoas diferentes com ritmos, gostos, vantagens e desvantagens diferentes. Se o seu primo com dezesseis anos passou em medicina para cinco faculdades federais diferentes: que ótimo, bom pra ele! Mas a vida também é dos indecisos, dos demorados, dos outros.
O cemitério está cheio de almas que deixaram livros para escrever, músicas para compor, peças para atuar, receitas para inventar e descobertas para fazer. Há coisas boas dentro de todos, mas nem todo mundo sabe se explorar da melhor forma (ou tem medo). O pensamento do primeiro ao quarto Gabriel se baseia em descobrir onde essas coisas boas estão.
Nunca é tarde demais pra tentar.
Fale com o autor