A vida como Mágica
7 O Beijo
Durante a primeira semana longe do conforto de sua casa, Alice teve noites de pesadelos, lembranças do passado, chorou de saudades e pensou, muitas vezes, se continuar a viagem com o mágico era uma boa opção. Mas nunca chegava à uma conclusão.
Era quarta feira e eles chegaram na primeira cidade que Alice se apresentaria.
–Bom dia, minha querida! — Alex parecia animado — Vamos conhecer Brandenburg!
–Bom dia! — Alice respondeu meio sonolenta.
–Anime-se! Vamos conhecer nosso público e a cidade que eles vivem. Se arrume, vamos sair daqui a uma hora! — o mágico saiu do quarto, deixando a porta entreaberta.
Alice olhou para o relógio "Ah, 8:30 da manhã ainda!", pensou. Ficou mais um tempo deitada, porém acordada. Levantou-se calmamente e se arrumou. Encaminhou-se para a pequena cozinha, onde Emma havia preparado uma linda mesa de café da manhã. Os três sentaram-se à mesa juntos e conversaram enquanto se alimentavam. Emma não parecia mais ser uma mulher ciumenta, pelo contrário, agora era a única amiga de Alice. Ao terminar o café, os três foram explorar a cidade. Passearam por dois parques e algumas lojas.
No sábado aconteceu a estreia de Alice Steiner no palco do principal teatro da cidade. Ela estava um pouco nervosa, diante de tanta gente, mas tudo correu bem. No camarim, Alex não pôde deixar de elogiar:
– Nossa, hoje vocês duas foram espetaculares! Alice, só faltou uma pequena coisinha pra ficar perfeito: você parar de tremer. — os três riram. — mas não se preocupe, minha querida, logo você se acostuma e se tornará a melhor assistente que um mágico pode ter!
– Ei! E eu? — Emma lançou-lhe um olhar brincalhão.
– Emma, você sempre será a melhor! — Respondeu Alice.
Eles fizeram mais algumas brincadeiras e foram para o trailer. No jantar, Alice fez uma pergunta:
– Alex, onde o nosso motorista fica?
– Sinceramente, eu não sei. Ele é de pouca conversa, sabe?
– Ah, que pena...ele está perdendo um delicioso jantar — Alice sorriu.
Acabado o jantar, cada um foi para o seu dormitório, salvo Alex, que dormia na sala.
No meio da noite, tudo estava silencioso. Aparentemente todos estavam dormindo. O mágico percebeu uma luz fraca que vinha da porta do quarto de Alice. Caminhou até lá.
– Alex?
– Alice, você ainda está acordada por quê?
– Não consigo dormir. Quer entrar?
– Eu também não estou conseguindo dormir. — Hoffmann entrou no quarto e sentou-se ao lado de Alice, na cama. — O que está te incomodando?
– Pensamentos...ainda penso na vida que deixei em Berlim. E você? Por que não está dormindo?
– Pensamentos também. Mas eles são diferentes dos seus, pois eu estou pensando na minha vida de agora em diante. Na verdade penso em uma pessoa especial, uma mulher, que me deixa sem ação. Ela é linda, tem olhos claros — Alex olhava diretamente nos olhos de Alice e aproximava seu rosto ao dela enquanto falava — um nariz perfeitinho e lábios que parecem ser tão macios...
– Não! Por favor! Ainda não é o momento. — Alice se afastou do mágico.
– Por que não? Eu sei que você sente algo por mim, está em seus olhos. — argumentou enquanto se reaproximava da jovem — Eu também sinto algo por você. Não consigo mais controlar. Por favor, Alice, confie em mim.
O beijo. Não apenas um beijo, e sim O beijo. Alice esperava por isso desde que descobrira que estava apaixonada por Alex. A jovem sentiu algo que jamais sentira antes. Não sabia distinguir o que era realmente. Era algo mágico.
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