No dia seguinte, Alice foi acordada pelo som insistente de seu celular. Era Rosa.

– Hora de acordar, Bela Adormecida! — disse Rosa, num tom irônico, mas conseguindo arrancar um leve sorriso do rosto de Alice.

– Oh meu Deus! Já são cinco e meia da tarde! Como você me deixa dormir tanto assim?!

– Ah, minha querida, você precisava...vamos sair hoje, mais tarde?

– Não sei, Rosa. Acho que ainda não estou preparada para isso...

– Ânimo, Alice! Vamos ver um show de mágica, eu sei que você gosta...e jamais aceitarei um não, pois isso é uma intimação! Passo ai às sete horas.

Era sábado. Alice não teve como não aceitar o convite, adorava mágicas e estava um pouco mais animada. Às sete horas, ela estava pronta, com seu melhor
vestido, sua melhor maquiagem e o melhor sorriso que conseguiu.

Na faixada do teatro havia um grande cartaz colorido e brilhante, com a foto de um homem de cartola e uma mulher loira com um vestido azul de
lantejoulas: "Die große Hoffmann und Emma Finkler" — O grande Hoffmann e Emma Finkler. O teatro era grande. Alice e Rosa sentaram-se na primeira fileira, em
frente ao palco. O show começou.
As cortinas abriram e um homem com uma cartola estava parado no meio do palco, com a cabeça abaixada e os braços abertos. Em sua mão direita
segurava o que parecia ser uma "varinha mágica" de cabo preto e a ponta prata. O homem estava vestindo um smoking preto e uma cartola. Quando
levandou a cabeça, pode-se notar sua beleza.

– Bem vindos ao maior show de mágica de Berlim! — disse Hoffmann, num tom animador — Vamos começar trazendo a minha linda assistente de palco, Emma! —
e apontou para uma gaiola, que estava sobre uma mesinha com rodas. Dentro da gaiola havia uma pomba.

Hoffmann jogou um tecido azul sobre a gaiola, falou umas palavras mágicas — Alakazan! — e pooff! Surgiu uma garota loira, mediana, com um vestido azul, igual
a do cartaz. Aliás, era a garota do cartaz. Depois de alguns truques, alguns risos e muitos aplausos, chegou o grande momento. O último número.

– Ok, preciso de um voluntário, alguém? — Perguntou o mágico olhando para a plateia. Passou os olhos por todos os que estavam sentados na primeira fila,
até chegar em Alice. Parou por um segundo, que pareceu uma eternidade, tanto para ela, quanto para ele. Mas escolheu Rosa para subir ao palco.

– Olá senhorita, podemos saber o seu nome?

– Si-im — gaguejou Rosa, pois nunca havia estado num palco diante de tantas pessoas — Rosa, o meu nome é Rosa Cliff.

Assim, o mágico prosseguiu, fazendo Rosa desaparecer do palco e reaparecer no assento ao lado de Alice. O show acabou com o teatro inteiro aplaudindo
a grande apresentação e o mágico e sua assistente agradecendo a todos. Fecharam-se as cortinas.

Quando chegou em casa, Alice viu um pedaço de papel caindo do bolso lateral de sua bolsa. Puxou-o.


Alex Hoffmann — Mágico e ilusionista

00498.135456

– Como isso veio parar aqui? Só pode ser coisa da Rosa...

Alice pegou o telefone.

– Rosa Cliff.

– Oi Rosa, por acaso você esqueceu o cartão do mágico comigo?

– Oh, Alice! Cartão? Que cartão? — indagou Rosa, confusa — Não sei do que você está falando...

– O cartão, com o telef... — Alice faz uma breve pausa, olhando para o verso do cartão — Ah, esquece, vamos sair amanhã novamente?

– Não vai dar, tenho que estudar para uma prova...fica pra próxima, tudo bem?

– Ah, tudo bem então. Até logo.

Ao desligar o telefone, Alice percebe que o cartão não foi deixado ali por engano, pois tinha o seu nome gravado no verso. "Para Alice Steiner".