A vida como Mágica
8 Eu te amo
As visitas noturnas do mágico ao quarto de Alice se tornaram cada vez mais frequentes. No início ele só ia ao quarto quando ela não conseguia dormir. Depois a visita se tornou quase diária.
Setembro. Estava começando o outono. O trailer já estava em Bremen. Os três saíram para comprar o material que faltava para o próximo show.
– Vocês duas vão à loja de tecidos, depois à gráfica. Eu vou à loja de artigos mágicos. Nos encontramos no trailer, tudo bem? — instruiu Hoffmann.
– Tudo bem. — Elas concordaram.
Enquanto andavam pela cidade procurando uma gráfica, elas conversavam.
– Hm...e o que os dois pombinhos ficam fazendo no quarto quase todas as noites? — Emma lançou para Alice um olhar brincalhão.
– Er...nós apenas conversamos. Só isso. Nada mais. — A jovem parecia nervosa ao responder.
– Sei... — Finkler respondeu desconfiada.
– Ali! Encontramos uma gráfica! — Steiner mudou de assunto.
As duas se encaminharam ao local e encomendaram o cartaz para o próximo show. Já estava escurecendo e elas decidiram que era melhor voltar ao trailer, pois não conheciam a cidade. Quando chegaram, Hoffmann já estava lá, com o jantar pronto. Nem sinal do motorista.
– Nossa, como vocês demoraram, a comida já até esfriou! — o mágico sorriu.
Eles jantaram juntos e assistiram a um filme antes de irem para os seus respectivos dormitórios. Esta foi uma das noites da visita de Alex.
– Alex, por favor, não venha mais aqui. Emma já esta desconfiada e... — O mágico a interrompeu
– Emma, Emma, Emma! Não me importo com Emma. Eu amo você! Por favor, entenda isso.
– Eu também te amo. Mas ainda tenho dúvidas.
– Alice, por favor, peço novamente que confie em mim. Me dê uma chance, posso provar a você que toda essa resistência é inútil.
– Tudo bem. Eu vou tentar.
– Prometo que não irá se arrepender. — Alex se aproximou de Alice e lhe deu um beijo quente e apaixonante. — Quero passar o resto da minha vida com você. — sussurrou.
Emma ainda não suportava a ideia de Alex e Alice juntos. Logo percebeu que os dois não eram apenas amigos e que estavam caminhando para um relacionamento mais sério.
No dia seguinte, acordou os dois com um grito.
– SOCORRO! UMA BARATA!
– Emma, o que está acontecendo? — Hoffmann saiu do quarto enrolado em um lençol.
– U-uma barata estava no meu quarto! Ali! — Emma apontou para um canto do quarto.
– Emma, não tem nada ali.
– E-eu juro, tinha uma barata! — Tentou explicar
– Tudo bem, ela já se foi.
Essa manhã foi diferente das outras. Emma não acompanhou Alex e Alice no café da manhã.
– Emma enlouqueceu. — Alex parecia preocupado.
– Não se preocupe, meu querido. Ela só tem medo de baratas. É algo comum. — Tentou explicar Alice.
– Amor, vou lá fora um pouco, respirar. Também tentarei conversar com Emma, mais tarde.
– Tudo bem.
Alex saiu do trailer.
– Emma, você enlouqueceu? — Alex gritava num sussurro.
– Apenas não gostei de ver vocês passando a noite inteira juntos. Você me prometeu que nada aconteceria entre vocês.
O dia estava frio.
– Lembre-se que precisamos dela para o nosso show.
– Eu sei, mas...
– Sem "mas". Agora se controle e volte pra lá e não conte sobre nossa conversa à Alice. — ordenou o mágico.
Os dois voltaram ao trailer, juntos. Por um tempo, não falaram nada. O silêncio foi quebrado por Alex.
– Vamos ensaiar?
– Por mim tudo bem, ainda não consigo entrar na caixa direito. — concordou Alice.
– Emma? Tudo bem por você também? — Perguntou Hoffmann.
– Oi? Sim, tudo bem por mim.
Os três foram ao palco onde iriam se apresentar no fim de semana. Ensaiaram todos os truques que apresentariam e alguns extras. Emma e Alice trocaram poucas palavras durante o ensaio. Quando terminaram, Emma foi tomar uma ducha.
– Alex, o que vocês conversaram lá fora? — Alice perguntou ao mágico num tom suavemente curioso
– Nada, minha querida. Apenas falei que a barata não iria aparecer novamente, porque vou mandar dedetizar o trailer. — Alex respondeu confiante.
– Querido, você não ficou bravo com ela, não é? Poque isso acontece mesmo, acho que eu também gritaria se visse uma barata.
– Tudo bem. O que importa é que eu sempre estarei lá para te proteger. — Alex sorriu e Alice o abraçou.
– Obrigada.
Ao anoitecer, Alice viu em seu celular uma mensagem de texto:
"Oi, amiga, se esqueceu de mim?
Ligue-me assim que puder."
– Rosa?
– Oi Alice! Nós não nos falamos a tanto tempo! Tudo bem com você? Como estão os shows? — Rosa estava empolgada
– Calma, amiga. Está tudo ótimo, os shows não podiam estar melhores. Bem, tenho uma novidade.
– Conte-me! Anda logo, não me enrole...
– Estou namorando.
– Com o mágico? Desde quando? Eu sabia que vocês dariam certo. Se for casar me chama. Ah, queria tanto te dar um grande abraço agora...
– Bem, não sei exatamente se é algo pra toda a vida. Ainda tenho muitas dúvidas. Mas eu confio nele. Não sei porquê, mas confio mesmo.
As duas continuaram conversando por mais alguns minutos, até que Hoffmann foi ao quarto de Alice.
– Oh, tenho que desligar agora, Rosa, depois te ligo. Até logo. — despediu-se a jovem Steiner.
– Vamos jantar, minha querida? Hoje iremos à um restaurante muito bom.
– Sim, sim. Logo estarei pronta.
Os dois saíram. Foram ao restaurante. No meio do jantar, Alex fez outra proposta à Alice, mas, desta vez, um pouco menos complicada e mais fácil de se resolver naquele momento.
– Alice, minha querida, acho que nossa situação não está bem clara. Eu quero você como minha namorada. Algo realmente sério. Aceita?
Alice olhou para um lado, para o outro. Olhou para cima e em todas as direções que podia, menos para os olhos de Alex.
– Alice, você está bem?
– Sim. Quer dizer, sim, eu aceito.
– Eu te amo. — Alex beijou-a
– Eu te amo muito. — disse Alice, pela primeira vez ao mágico.
Fale com o autor