A vida é feita de coincidências.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Aquilo era surreal. Em um instante, estava conversando com a morena – Regina era seu nome, tinha que se acostumar – e Killian, e no outro, estava no carro dela indo para sabe-se lá onde enquanto Killian com certeza havia pego seu beetle para ir embora, sentiu falta das chaves no bolso do casaco, aquele espertinho filho da mãe.
– Então, Miss Swan. Seria muito cedo para você me falar um pouco sobre sua vida?
A voz repentina fez Emma saltar do seu lugar, e logo a morena sorriu divertida com o ato.
– Não fique tão tensa. Não vou me chatear se você não quiser falar.
– Oh, não, não é isso! Eu só... Acho que estava pensando demais. Eu... Trabalho na polícia, às vezes investigo casos particulares, trabalho quase o dia todo, folgo o fim de semana. Não tem nada muito incrível para se contar, eu não tenho dinheiro, você viu como é meu carro ou minha casa, tenho meu amigo Killian para festejar comigo em todas as minhas folgas, geralmente bebemos bastante e voltamos a pé, eu costumo ir num lugar bem perto de casa.
Emma sentiu que não precisava mencionar Neal, por algum motivo. Lembrou-se das palavras de Killian e neste momento achou-as mais do que corretas. A morena, ouvindo tudo, apenas arqueou uma sobrancelha interrogativa.
– Todas as suas folgas? Ontem você não estava com ele. E estava bem longe da sua casa. Mas você não pareciam brigados. Aconteceu alguma coisa?
Emma engoliu a seco com a pergunta, ela realmente fora pega de surpresa. Ao vê-la se encolher desconfortavelmente no banco, Regina desviou o olhar e prestou atenção na estrada novamente.
– Está tudo bem, miss Swan. Não vou obrigá-la a responder. Quanto a mim, acredito que já saiba muito pelos jornais, aqueles intrometidos... Então não tenho muito a lhe dizer. Apenas tenho um filho, ele se chama Henry, já tem 12 anos e é a minha razão de viver. E miss Swan... Às vezes dinheiro é insignificante nesse tipo de situação.
Emma ficou surpresa ao ouvir da morena que ela tinha um filho. Não se lembrava disso em nenhuma notícia que já chegara a ler. E a ultima parte de sua fala... Parecia quase triste ou solitária Emma perguntou-se o porquê daquilo.
Pouco tempo de um silêncio confortável, Regina parou o carro e desceu seguida de Emma. Enquanto ela entregava as chaves para o manobrista, Emma olhava com surpresa o lugar onde haviam parado. Era um restaurante. Um dos mais caros da cidade. E ela nem estava vestida de acordo com aquilo! Quase como se percebesse a aflição da loira, Regina delicadamente tomou seu braço e a puxou para dentro enquanto sussurrava.
– Não fique nervosa, você está comigo. Ninguém irá reparar nos seus trajes.
Enquanto andavam, Regina era cumprimentada por muita gente. Muito conhecida pela cidade, afinal. Era estranho perceber os olhares sobre si, obviamente estavam imaginando que ela não fazia parte daquele tipo de ambiente. E realmente não fazia. Era apenas uma policial comum sem muito dinheiro que estava acompanhando uma das mulheres mais famosa e rica da cidade como... Sei lá como era a situação de ambas no momento. Quando se sentaram, Regina arqueou uma das sobrancelhas para o desconforto ainda evidente de Emma, esperando-a falar, e logo recebeu em troca um olhar de criança perdida da loira, que era muito fofo, diga-se de passagem.
– Regina... Você é tão conhecida, popular, poderia gastar seu tempo livre com qualquer um e com certeza conseguiria uma conversa bem mais inteligente e interessante com outra pessoa, com certeza também alguém que poderia pagar as despesas por você ao invés de apenas dar trabalho... Por que eu?
– Não pense besteiras, Swan. Eu te disse que dinheiro é irrelevante, eu não ligo para gastos. Você viu metade das pessoas que me cumprimentaram? Todas podiam ter dinheiro, mas eram todas iguais: Sem graça, esnobes, sem senso de humor algum. Se eu procurasse uma cópia minha, melhor seria eu falar com o espelho. Você, Swan, é engraçada. Parece se divertir com facilidade e, por mais que sua vida não seja fácil, você sempre parece levar tudo no bom humor e me fez esquecer minha falta de senso de humor. É uma companhia muito mais valiosa do que os que conheço.
– Bom, diz isso porque nunca me viu depois de dois dias de trabalho.
Emma manteve um tom brincalhão de voz e arrancou outra risada da morena. Embora brincasse, Emma havia ficado bem sem graça com tais palavras, e apreciou ouvi-las.
O resto da noite fora gasto com outros tipos de assuntos aleatórios, Emma realmente não precisava de bebida para se empolgar e fazer palhaçadas, estava feliz, e conseguia soltar-se facilmente na presença de Regina. Elas comeram e Regina havia pedido um vinho, alegando que apenas uma garrafa não iria fazer mal algum para ambas no dia seguinte, e Emma concordou em beber.
Não era muito tarde quando ambas saíram do restaurante, Regina deu carona para Emma até sua casa, e, quando desceu para acompanhar a loira até a porta e se despedir, fora puxada por ela para dentro. A leve embriaguez evitava qualquer vergonha. A tensão sexual já era presente desde a metade do jantar e ambas notaram. A morena não lutou contra isso e a acompanhou. Mãos e lábios ansiosos rapidamente sem encontravam em todos os lugares dos corpos. Foi algo selvagem, quase como uma necessidade, que acabou rápido como começou e ambas já se encontravam dormindo.
Emma acordou no dia seguinte, ligeiramente zonza, com o sol atrapalhando seu sono. Encontrou a cama vazia e percebeu que não estava atrasada. Debaixo dela, encontrou um papel que ela já sabia do que se tratava e puxou com um sorriso. Nele, Regina dizia que saiu cedo pois teria que estar em casa antes de seu filho acordar, havia elogiado a noite e disse para não haver preocupações com contato, pois Regina sabia exatamente onde encontrar Emma. O bilhete deixou a loira boba pelo resto do dia, mesmo as pessoas em seu ambiente de trabalho estranharam. Ela nunca mostrava o mesmo bom humor no trabalho, era sempre séria e altamente concentrada. Killian também trabalhava pela delegacia, e sabia que algo muito bom havia acontecido pra ela sustentar aquele bom humor. Com certeza ele perguntaria sobre aquilo mais tarde.
No horário de almoço, Emma saiu para a sua lanchonete favorita já imaginando seu queijo grelhado e um bom copo de café. No caminho, sentiu alguém agarrar seu braço e já ia reclamar, mas travou ao notar quem era. Era Neal. Ele estava horrível.
– Emma, precisamos conversar. Eu estou arrependido. E eu finalmente consegui uma promoção, vou trabalhar menos, ganhar mais, e poderei morar com você.
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