Notas iniciais
- Leiam a sinopse e o disclaimer, porque talvez vocês não entendam direito. - Desculpem se tiver algum erro de português ou algo do tipo.

" Eu poderia ter perdoado você, sabia ? Por tentar me matar durante a iniciação. Eu provavelmente teria perdoado você "

Essas palavras ficam na minha cabeça, como pôde ter sido tão idiota Peter ? como ? Agora é tarde demais... mesmo com o perdão dela, nunca daria certo, porque é o Quatro que ela ama e mesmo com o perdão nunca seria capaz de me amar.

A execução dela foi antecipada, simplesmente não posso deixa-la morrer, é o mínimo que posso fazer depois de tudo que aconteceu.

Entro na cela da careta para buscá-la, não consigo olhar pra ela, não suportaria ter que olhar aquela cara de sofrimento e depois ter que ficar normal, talvez um tempo atrás eu iria adorar isso mas agora não. Apenas encaro a parede dos fundos.

Quando viramos o corredor, ouço gritos

–Eu quero...ela! — Grita o Quatro — Eu...ver ela!

Ela olha para mim, com uma cara de súplica e desespero

–Não posso falar com ele uma última vez, não é ?

Balanço a cabeça. Realmente não pode

–Mas há uma janela. Talvez, se ele vir você, finalmente cale a boca.

Tomo cuidado e olho pra ver se não vem ninguém e a guio por um corredor sem saída. Até onde o quatro está.

–Tris! Quero vê-la — diz o Quatro

Ela levanta o braço e encosta a palma da mão no vidro. Não consigo ver essa cena, então a espero no corredor principal.

Quando ela volta, ela diz quase sussurrando:

– Obrigada

Eu sei que nunca ia ter ela pra mim, mas para tirar todo esse peso da minha consciência preciso fazer tudo para redimir as coisas que eu fiz. Mas ainda preciso ser o Peter que ela conhece ou ela vai suspeitar, então digo simplesmente:

– Que seja. Vamos logo

Quando chegando na sala de execução ela esta abarrotada de gente, como esperado.

Tris deita na mesa e eu ajusto os fios ao monitor e logo depois injeto o soro da paralisia, que todos pensam que será o soro mortal. Inclino me para frente dela, olho para seus grandes olhos azuis e digo.

– O soro faz efeito em um minuto. Seja corajosa, Tris.

***

Tudo acontece como planejado, todo mundo acha que ela está morta quando na verdade não está. Empurro a mesa para fora da sala de execução, tentando achar um corredor que não tenha ninguém. Quando acho, acelero o passo, quase correndo e a levo ate onde o Quatro esta.

Olho para ela, não deve fazer ideia do que ta acontecendo, deslizo os braços sobre os joelhos e ombros dela e a levanto.

– Para alguém tão pequena, você é pesada, Careta.

Digito os números no painel e a porta da cela onde se encontra Quatro e ela se abre.

– O que...- Diz ele com aquela cara de choro, ridículo não sei o que Tris viu nele — Meu Deus! Oh...

– Poupe-me do seu chororô esta bem?- digo- Ela não está morta; só esta paralisada. O efeito vai passar em cerca de um minuto. Agora, prepare-se para correr.

– Deixe que eu a carrego- diz o Quatro.

Nem pensar, essa vai ser a unica oportunidade que vou tê-la nos meus braços.

–Não — digo quase rápido demais — Você atira melhor do que eu. Pegue minha arma, eu a carregarei — Nunca seria capaz de admitir, mas essa era a unica forma e parece que ele não percebe. Ele pega a arma e começa a correr.

–Esquerda!- grito

Alguém avista a gente.

–Ei, oque...?! — O Quatro atira em cheio e ele cai no chão. Poderia ter feito isso com os olhos fechados, mas não seria melhor do que a careta nos meus braços.

–Direita! — grito. Quatro atira em mais dois — Espere, pare aqui!

Abro a porta que leva ate o incinerador de lixo. Passo correndo. Logo antes de atravessar, Tris me agarra.

–Cuidado!- diz ela. Sinto um arrepio quando ela faz isso. Então viro a de lado e ajudo a atravessar a porta.

–Tris — diz o Quatro, agachando ao lado dela.

–Beatrice- ela corrige.

–Beatrice — conserta ele rindo, enquanto encosta os lábios nos dela.

NÃO, Não posso ver isso.

–A não ser que queiram que eu vomite em cima de vocês, é melhor deixar isso para depois.

–Aonde estamos ? — pergunta Tris.

–Este é o incinerador de lixo — bato na porta quadrada do meu lado — Eu o desliguei. Ele nos levará ate um beco. Depois, é melhor sua mira estar perfeita Quatro, se você pretende sair vivo do setor da Erudição.- digo, debochadamente

–Não se preocupe com minha mira.- Diz ele.

Abro a porta do incinerador

–Você primeiro, Tris — Só depois de ter falado que percebo que eu falei "Tris" e não "careta", pela primeira vez. Mas parece que ela não repara.

Quatro ajuda ela a descer. Como se ela fosse uma criancinha e não soubesse descer sozinha. Depois ainda diz que acredita na coragem dela...

Quando chega lá ela diz que podemos ir. Quero provar que não sou um molenga ao contrario do Quatro então desso de lado e não de pé. Aterrizo no chão de cimento com força. A dor é insuportável, mas procuro não demonstrar tanto e me arrasto para fora da abertura. No incinerador, o chão é feito de metal sólido e há grades de metal. o Cheiro de lixo em decomposição e queimado enche o local.

– Isso é para você jamais falar que nunca te levei para um lugar legal — digo, brincando.

–Eu nem sonharia em insinuar isso — diz ela.

Quatro aterrissa no chão de pé, e depois se ajoelha com uma careta de dor. Tris ajuda-o a levantar. Minha queda foi bem pior e Tris não me ajudou. Ah que se dane! Aceite os fatos Peter ela ama o Quatro e te odeia.

Caminho até a grade de metal e abro a pequena porta. E a luz invade os espaço.

–Está com a arma ? — pergunto ao quatro

–Não- diz ele — Achei melhor atirar as balas pelo nariz, então deixei lá em cima.

–Ah, cala a boca.

Estendo a outra arma pra frente e deixo a sala do incinerador.

Entramos em um corredor úmido, com canos expostos no teto de apenas cerca três metros de comprimento. Sigo até a porta no final do corredor que diz saída.

***

Enquanto o Quatro atira em algumas pessoas da Erudição, eu e Tris corremos, procurando um lugar para se esconder.

De repente, ela agarra a manga da minha camisa e me arrasta até o prédio mais próximo. Tem seis andares de altura, com janelas largas organizadas em uma grade e divididas por pilastras de tijolos.

A porta está trancada, então Quatro atira na janela e entramos por esta. O edifício está completamente vazio. Caminhamos em direção a escada de emergência, e nos escondemos sob os degraus. Sento-me de frente de Tris e Quatro, com os joelhos encostados sobre o peito.

Estou olhando para a escada, quando olho para Tris ela esta me encarando. De repente, sinto minhas bochechas queimarem.

– O que foi? Porque esta me olhando desse jeito ?

– Como você fez aquilo ? — Pergunta ela.

–Não foi tão difícil. Tingi um soro de paralisia de roxo e o troquei pelo soro mortal. Troquei o fio que deveria ler seu batimento cardíaco por um fio morto. A parte do monitor cardíaco foi mais difícil; precisei de um pouco de ajuda da erudição e de um controle remoto. Você não entenderia, mesmo se eu tentasse explicar — Na verdade deu muito trabalho para eu conseguir tudo isso, mas não queria admitir isso.

– Mas por que você fez aquilo? — pergunta ela — Você me quer morta. Você estava disposto a me matar com as próprias mãos! o que fez você mudar de ideia

Estremeço com as palavras dela. E agora ? Contraio os lábios. Abro a boca, quero falar a verdade, quero falar que a amo que não consigo parar de pensar nela; naquele minuto pra mim só existia eu e ela ali. Mas, de repente me dou conta e olho para Tobias. Não que eu tenha medo dele mas, é ele que ela ama, ela nunca seria capaz de me amar, ela se sacrificou por ele; enquanto nunca deu a mínima pra mim. Não a julgo, há um tempo atrás eu estava quase a jogando do abismo. Idiota, Idiota. Não vou mentir, só vou omitir algumas verdades.

– Não consigo ficar endividado com ninguém. Está bem? A ideia de me dever algo a você estava me deixando doente. Eu acordava no meio da noite com vontade de vomitar. Em dívida com uma careta ? É ridículo. Completamente ridículo não podia aguentar.

– Do que você esta falando ? Você me devia alguma coisa ? — pergunta ela.

Reviro os olhos.

– No complexo da amizade. Alguém atirou contra mim. A bala estava na altura da cabeça; ela teria me atingido entre os olhos. E você me empurrou para fora do caminho. Estávamos quites antes disso. Quase matei você durante a iniciação, e você quase me matou durante a simulação de ataque ; estávamos quites certo? Mas depois daquilo...- Tudo mudou queria falar, tudo mudou, meu jeito, meus sentimentos. Nunca vou falar, vou esconder isso pra mim, não ia adiantar nada eu falar, só passaria vergonha e seria mal falado por ai. " O menino ridículo que levou um fora de uma Careta".

–Você é louco — diz o Quatro — Não é assim que o mundo funciona...com todo mundo mantendo um saldo...

O bom é que eles acreditem que sou louco mesmo.

Tem certeza? — Ergo uma sobrancelha — Não sei em qual mundo você vive, mas, no meu, as pessoas só fazem coisas uma pra outra por dois motivos. Ou elas querem algo em troca, ou sentem que devem alguma coisa.

–Esses não são os únicos motivos para alguém fazer algo por você — diz Tris — Às vezes as pessoas podem amar você, não você, mas...

"Não você" É isso que você vai ser pelo resto de sua vida Peter um mal amado. Quero sair daqui, tenho vontade de socar uma parede mas apenas solto uma risada de deboche.

–É exatamente esse tipo de baboseira que espero da boca de uma Careta delirante.

–Acho que devemos sempre nos assegurar de que você nos deva alguma coisa então — diz Tobias — Ou você vai correr pro lado de quem fizer a melhor oferta.

–É — Concordo — É mais ou menos assim que funciona. — É tão ridículo isso, mas parece que eles acreditaram. É melhor assim...

Tris balança a cabeça e Quatro coloca seu braço ao redor dela e ela para de olhar para mim e fecha seus olhos, com certeza não consegue olhar mais pra mim depois disso. Contanto que ela esteja feliz ta bom para mim.

Amor é uma baboseira que só faz atrapalhar e destruir a vida da gente. De agora em diante não vou pensar mais nisso, só voltarei a ser o Peter de antes, frio e egoísta. Depois de ter salvado ela e ver ela feliz já me sinto mais leve como se tirasse um peso de 10 toneladas das minhas costas e é isso que importa.

Notas finais
Final tristinho pro Peter hein pessoal ? Mas é assim, a vida não é um conto de fadas. E como eu não mudei a história só contei através do ponto de vista de Peter vai ficar assim mesmo, a Tia Veronica quis assim. Na verdade, a Tia Veronica só quis desgraçar a vida da gente com aquele final - quem leu Convergente sabe do que eu to falando. Então é isso pessoal. Não deixem de comentar, pois é muito importante para mim ;**
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!