A Vila de Salém, localizada na colônia Nova Inglaterra no século XVII, transbordava misticismo, puritanismo e ignorância. Os britânicos fugidos da perseguição e da crise na Europa buscavam um recomeço em uma terra nova. Vieram com o sonho de viver em uma “terra prometida”, onde poderiam praticar sua religião livremente. O que encontraram, na verdade, foi uma terra inóspita, invernos rigorosos, índios insatisfeitos com suas terras sendo tomadas e falta de alimentos.

Foi nesse contexto que ocorreu um obscuro episódio marcado pelo fanatismo , histeria em massa e intolerância religiosa: a caça as bruxas de Salém. Muito se questiona ainda sobre o que levou os aldeões a enforcarem seus amigos e familiares. Porém, para quem vivia na isolada vila de Salém, o diabo parecia mesmo habitar cada canto.

As crianças corriam ao redor das plantações enquanto os adultos trabalhavam. Ali estavam Betty, Jane, Anne e Tituba, a escrava. Já sem muitas ideias, as crianças discutiam o que brincar. O clima triste e sombrio das florestas ao redor não inspirava muitas brincadeiras.

Tituba, a escrava, tem uma ideia

— Que tal eu mostrar pra você um pouco de bruxaria?

— Bruxaria? Como assim? – Indagou Betty.

— Minha mãe me mostrou algumas tradições do lugar que viemos. Lá as pessoas praticavam magia, se comunicavam com espíritos.

O Voo doo era a religião predominante do lugar de onde os pais de Tituba vieram. A mãe dela lhe ensinou algumas coisas. Tituba sabia que a religião dos brancos ali era muito diferente. A mãe lhe alertara para não falar nada sobre o Voo doo para os brancos. Porém, Tituba faria algo diferente: seu próprio show para entreter as amiguinhas.

— Parece bem legal – disse Anne – mas meus pais me dizem que as coisas do seu povo são malignas, do diabo, e que temos que manter distância.

— Só vamos brincar um pouco. Vai ser divertido. Ou vocês estão com medo? – provocou Tituba

— Não, claro que não!

— Vamos logo fazer isso!

Tituba disse que precisam matar um animal para o ritual. As crianças ficaram horrorizadas. Ela sabia que o sacrifício no voo doo era feito apenas em cerimônias especiais. Mas ela queria muito ver todas elas com medo.

— Não precisa ser um animal grande. Pode ser uma galinha – disse Tituba

— Eu não tenho coragem de matar uma galinha! – disse Jane

— Nem eu – disse Anne

— Como vocês são medrosas. Eu mato a galinha – Tituba achava essas branquinhas muito mimadas. Ela sim era corajosa.

Foram as crianças no galinheiro. Tituba pegou uma faca no rancho. Os adultos estavam almoçando. Entraram no galinheiro. O mais difícil foi conseguir pegar a maldita galinha, elas eram muito rápidas. Tituba segurou a galinha. Ela estava com medo, sim. Respirou fundo, apertou a faca na mão e... cortou o pescoço da galinha. As meninas gritaram.

— Shhhh! Fiquem quietas, eles podem no ouvir. – disse ela – Vamos fazer o ritual na floresta. Lá ninguém vai nos ver.

Tituba teve que ter muita criatividade para achar o que botar no ritual. Pegou algumas pedras, folhas de chá, um pote de madeira, botou uma faixa branca na cabeça e roubou algumas velas.

As meninas claramente estavam com medo quando se encontraram na floresta. Elas olhavam para baixo. Apenas Tituba estava feliz em reviver as tradições de seu povo. Sua mãe lhe falava muito da África, e ela imaginava como seria sua vida lá.

Tituba colocou as pedras ao redor da galinha sangrenta e acendeu as velas. As meninas sentaram ao redor da galinha.

— Agora vamos começar. Fechem os olhos e se concentrem na minha voz.

Tituba começou a bater no pote produzindo um som ritmado. Não era um tambor, mas servia. O clima na floresta tornou-se sinistro. O céu estava cinza e escuro. As meninas estavam amedrontadas, mas não se atreviam a sair correndo porque não queriam parecer fracotes. Parecia que a qualquer momento algo iria se manifestar ali.

Tituba começou a proferir uma reza que sua mãe lhe ensinara uma vez. As palavras soaram estranhas para as outras meninas. Parecia que ela estava invocando algo. Ela sentiu uma energia fluindo em seu corpo. Quando estava quase terminando a reza algo estranho aconteceu.

Tituba deixou o tambor/pote cair no chão. As meninas levaram um susto e abriram os olhos. Tituba olhava para cima fixamente, como se estivesse em transe.

Anne, corajosamente, pergunta com a voz tremula – Tituba?

Tituba baixou a cabeça rapidamente e seus olhos... seus olhos estavam todos brancos. Nessa hora ela começa a gritar; um grito agudo, penetrante. As meninas saem correndo loucamente pela floresta . Tituba desmaia.

Notas finais
Você leu tudo? Parabéns. Continue assim, porque o que vai vir a seguir será muito interessante...