Notas iniciais
Voltei! O capítulo vai ser um pouquinho mais curto, assim como o próximo, para eu postar dois capítulos no mesmo dia!

Diferentemente dos demais dias que o antigo vassalo fazia visitas para a amiga, Ravio fora convidado para uma reunião pessoal com a princesa, o que não era algo comum, já que ela nem fazia reuniões com seus conselheiros. Sem dúvidas, aquela mudança repentina de agir fora incentivada pelo feiticeiro, já que ele havia se tornado o conselheiro real dela.

–Princesa? -Ravio bateu na porta do escritório dela, a vendo sentada em uma cadeira atrás de uma mesa cheia de decretos. -Posso entrar?

–É claro, Ravio. Feche a porta quando você entrar, por favor. -Ele fez como pedido e sentou em uma cadeira na frente da princesa. -Obrigada por ter vindo.

–Não há do que agradecer, princesa.

–Enfim, eu lhe chamei para te fazer uma proposta. -Ela deu um sorriso. -Eu só espero que você a entenda e aceite.

–Qual é a proposta? -Ele ficou interessado.

–Bem, primeiramente, você deve saber que o Yuga se tornou o meu conselheiro real. -Ravio perdeu o interesse assim que ela mencionou o nome do feiticeiro. -Ele me disse algo que eu não sei se você já sabe.

–O que é?

–De acordo com um livro, existe um mundo idêntico ao nosso, e podemos ir até lá através das rachaduras que se espalharam nas paredes do reino. Você sabia disso? -Ele afirmou. -Eu pensava que era apenas uma história que a Luna inventou para me fazer acreditar em alguma coisa.

–Quem é Luna?

–É a minha cuidadora de infância desde os dias atuais. Enfim, eu estive pensando com ele que talvez... Talvez ainda exista naquele reino a tal relíquia sagrada, que o Yuga me disse ser chamada de Triforce, e talvez possamos ir até lá e adquiri-la! O Quírio estava certo quando éramos crianças, é possível ter a Triforce novamente!

–Mas princesa...

–O Yuga descobriu que quando se possuí magia, pode-se virar uma pintura na parede, passando por aquelas rachaduras e indo até o outro reino! Então aí vem a minha proposta para você; talvez as pessoas lá não iriam gostar se roubássemos a Triforce deles, então iremos precisar de algumas armas, então você... -Ravio interrompeu a princesa.

–Mas... Mas princesa...!

–Eu sei, eu sei. "Não precisamos de uma relíquia, já temos uns aos outros!" -O antigo vassalo constrangeu-se ao lembrar daquela frase. -Nós não somos mais crianças. Você não pode ainda ter esse pensamento. Eu sei que você é filho do ferreiro, então você poderia fazer algumas armas para nós!

–Princesa... Princesa, eu não posso.

–Por que não?

–Eles não fizeram nada para nós, e eu sei que nosso reino está uma desgraça, mas... Deixar esse reino igual como está o nosso? Isso não me parece justo.

–Mas Ravio... Esse é o meu sonho! Desde criança, eu sempre quis que o nosso reino tivesse uma Triforce!

–Princesa, isso não é certo. Eu não posso aceitar isso se tivermos que arruinar um reino inteiro para a nossa felicidade. -Hilda começou a ficar com raiva do que o amigo dizia. -Não me diga que você está agindo assim só por causa do Yuga, não é?

–Não o meta nesse assunto! É ele que me deu essa ideia e confio nele mais do que você! Por que tanta covardia?!

–Não é covardia, princesa.

–É sim! Você é um covarde! Por que não? Cadê aquele menino corajoso que um dia eu conheci?

–Eu sou um covarde mesmo, princesa. Essa é a resposta que você esperava?

–Você não respondeu a minha pergunta! Aquilo não era uma pergunta retórica, eu achava que você era corajoso! Eu achava que você era o meu herói!

–Esse menino nunca existiu! Tudo que ele queria fazer era impedir que a única amizade que ele tinha acabasse! Mas se você quer saber, mesmo se ele tivesse um dia existido, ele teria desaparecido assim que se tornou o vassalo de uma certa princesa.

–Mas... Mas e todas as histórias que você me contava, lhe colocando como o herói da história?! -Hilda falava, chorando de desespero.

–São todas mentiras! Eu nunca briguei com nenhum moblin, e apenas virei seu vassalo por que eu queria continuar sendo o seu amigo! -Ele disse, olhando a princesa chorar. -Eu fui maltratado por tanto tempo por aquele Dinis, você deveria saber o por que eu fiquei com tanto medo do Yuga!

–Ravio...

–Eu não era uma criança corajosa, eu pensava todas as noites em fugir e nunca mais te ver, só por que eu queria voltar para casa! -Ravio ficou com o coração batendo rápido por estar falando tudo que ele queria falar para a princesa. -E eu devo ser o maior covarde do reino por não ter lhe impedido de se relacionar com aquele feiticeiro maldito!

–Ravio! Cale a sua boca! -Ele arregalou os olhos. -Como... Eu sinceramente estou com muita raiva de você. Eu nunca notei tudo isso, ou que você me deixaria nesse momento que seria o meu único momento de glória! Um único momento que eu finalmente teria algo que eu queria! Eu perdi tudo que eu tinha de mais importância, e agora... Você faz isso comigo?! Você não quer me ajudar a realizar o meu sonho?!

–Desculpa princesa, eu sou um covarde do fundo do meu coração...

–Então fique sabendo que o que o nosso reino precisa é de esperança, algo que o Yuga pode nos fornecer, e não de covardes como você! -Ela correu para abrir a porta. -Não precisa fazer o favor de retornar para o castelo em uma visita, seu covarde! Por favor, vá embora! Eu tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar aqui com você.

Ravio voltou para casa, com raiva e com arrependimento pelo que tinha dito. Talvez, ele não tivesse que falar tudo que lhe veio pela mente quando estava nervoso, mas a princesa continuava a sua amiga, e ele tinha que ajuda-la de alguma maneira.

2 dias para ir.

Ela está sendo enganada. Será que ela não percebe isso?

Ele é apenas um verme. Não tenho outra opção além de ir.