–Princesa, tem certeza de que você quer fazer isso? -Nenhuma resposta foi dada ao invés de outros rabiscos feitos no chão. -Eu não estou com um bom pressentimento...

–Pare com isso, coelho. Continue lendo o que mais é necessário para chama-lo. -Ravio continuou a guiando de fazer os desenhos no chão. -Não tenha medo.

–Eu não estou com medo, é diferente.

–Sim, sim, já entendi. -A princesa levantou. -Terminei de fazer o desenho. O que você acha? -O chão empoeirado de um cômodo inutilizado do castelo tinha um desenho enorme de um portal, assim como o Ravio havia a dito para fazer.

–Acho que ficou parecido.

–E agora? -Hilda tomou o livro nas mãos para ler o que tinham que fazer. -Aqui, o feiticeiro de Lorule. Deve ser esse feiticeiro que o Quírio estava falando sobre.

–Tem certeza? Eu acho que era outro feiticeiro de que ele estava falando, veja só. Várias páginas no livro, provavelmente dever ter outros.

–Sim, mas esse é especialmente do nosso reino.

–Princesa...

–Então será esse. Acredite em mim, eu sei o que estamos fazendo.

Algumas frases da página estavam borradas, e algumas partes da folha antiga e desgastada rasgadas. As frases escritas em uma língua estranha e diferente seriam aquelas que ela deveria dizer para invoca-lo. -E então, princesa?

–Temos que falar essas frases assim que colocarmos os braceletes e colocar o livro no meio do desenho. -Ambos colocaram os braceletes dourados. -Eu nunca vi essa língua em toda a minha vida, será que era a língua utilizada há séculos atrás?

–Eu não faço a mínima ideia, princesa. -Ravio acompanhou a princesa até o centro do desenho, ouvindo as palavras estranhas que a princesa dizia.

A cada palavra dita, as linhas da pintura brilhavam, assim como as jóias dos braceletes. Uma poeira da cor das jóias que saia dos próprios acessórios mágicos era levado pelo mínimo vento dentro do cômodo até o desenho.

Enquanto Ravio estava interessado em tudo que estava acontecendo em volta deles, Hilda estava concentrada no livro. Segundo o que estava escrito no livro, assim que as palavras das frases se acabarem, a magia tanto do livro quanto dos braceletes acabaria até que a magia fosse reposta. -A sua joia ainda brilha, Ravio?

–Falta muito pouco para acabar. -...E quando isso acontecesse, o desenho serviria como um portal para o feiticeiro aparecer. -Acabou.

–Do meu bracelete também. -Os dois se afastaram do desenho e esperaram tudo acontecer. -Como você acha que esse feiticeiro é, coelho?

–Ele pode ser de qualquer jeito, se não for ruivo. -A princesa perguntou o por que da resposta dele. -Eu não sei, todos os ruivos desse reino são pessoas más.

–Dinis não é uma pessoa má.

–Mas você só diz isso por que não ficou cinco anos nos cuidados daquele guarda. Até você sabe que todos os dias eu vinha com a boca sangrando, ou com cortes no rosto por causa dele, princesa.

–Sim, mas... -Um barulho vindo do desenho no chão interrompeu a conversa dos dois. Uma figura sendo coberta por uma enorme capa surgiu no centro do chão, sem dizer uma palavra. -Venha cá, vamos até lá.–A princesa sussurrou.

Eu não acho que esse é aquele que estávamos procurando, princesa...–Um bastão dourado com algumas pedras no centro estava ao lado daquele sendo coberto. Os braceletes recuperaram toda a magia ao chegarem perto daquilo. -Vai, chame-o, Hilda.

–Com licença? -Ela pegou o cetro com o formato da relíquia sagrada na ponta que estava consigo e cutucou-o. -Você está bem?

–Sim, é claro. –Aquele que estava coberto levantou-se, mostrando ter uma altura muito maior do que a dos dois. –Obrigada por perguntar.

Um homem de roupas negras, douradas e roxas, com jóias espalhadas pelo corpo, como brincos e uma tiara. A pele pálida dele tinha quase a mesma cor do vestido branco que a princesa usava, e o cabelo enrolado e ruivo do homem os lembrava de Dinis. -É um prazer conhecê-lo, senhor. Esse é o meu amigo, Ravio. Esse pássaro se chama Sheerow, e eu...

–Vossa majestade, princesa Hilda. O homem aproximou-se dos dois, revelando olhos de pupilas amarelas. -Permita-me me apresentar. Eu sou um feiticeiro. Todos me chamam de Yuga.

–É um prazer. -Ela fez uma reverência.

–É... -Ravio ficou encarando para o rosto de Yuga. -É um prazer...

–Por favor, Yuga. Permita-me de lhe mostrar o castelo por inteiro. -Hilda desceu as escadas do cômodo acompanhado pelo feiticeiro.

Ravio não tinha um pressentimento bom daquele feiticeiro, ele não sabia o por que, apenas não tinha. A única coisa que ele fez foi de pegar o livro antigo e guardar consigo mesmo, ele não poderia deixar que a princesa fizesse alguma outra coisa perigosa.

Ao chegar perto da princesa e do feiticeiro, o amigo de Hilda ouviu sobre o feiticeiro falando que assim que ele foi invocado, criaram-se algumas rachaduras nas paredes do reino. O antigo vassalo se lembrou com isso de um livro da princesa que ele havia lido de que existia um reino contraparte daquele em que viviam, e que era possível viajar entre mundo através de rachaduras.

Sem querer ficar muito perto da amiga, já que queria ficar longe daquele feiticeiro, ele voltou para sua casa nova. Quando ele foi libertado do castelo, o ferreiro e sua esposa lhe deram uma casa que tinham posse ao sul do castelo para Ravio, como um presente.

O lugar não era organizado, ainda haviam várias caixas da mudança que não haviam sido abertas, e o único móvel que havia sido montado foi sua cama e uma pequena mesa onde ele colocava em cima suas ferramentas e um pequeno caderno antigo de capa verde.

–Eu não acredito que esse feiticeiro seja uma pessoa boa, Sheerow. -O pássaro piou. -Parece até que a Hilda ficou hipnotizada por ele, isso é muito estranho. Eu acho que eu não tenho mais nada para fazer além... -Sheerow piou novamente, como estivesse se questionando.

–Se aquele livro que fala sobre contrapartes está certo, então se eu utilizar essa magia que está tanto no livro do irmão da Hilda quanto o do meu bracelete, eu poderei viajar para esse outro reino e achar alguém que possa me ajudar, você não acha certo isso?

Ravio pegou o caderno e começou a anotar coisas. Era isso que ele gostava de fazer além de criar itens; escrever.

3 dias para ir.

Ela quer fazer a coisa certa.

Eu queria poder ajuda-la.

Porém, fugir é a minha única opção.

Notas finais
Sim, essas últimas frases são do item "Ravio's Journal", o melhor item do ALBW