A verdadeira amizade
1 Capítulo 1 (555 palavras)
Notas iniciais
A VERDADEIRA AMIZADE
Ana Paula de Aquino Lima Alves
Ela era gorda, estatura mediana, e de cabelos longos e bem cacheados, preto. Tinha o corpo em formação, enquanto nós estávamos praticamente com o corpo totalmente formado. Como se não fosse suficiente, era a mais estudiosa. Mas possuía o que qualquer criança gostaria de ter atenção e carinho dos pais.
Ela desfrutava muito bem do que tinha. Nos seus aniversários ela sempre tinha a família toda reunida e vários amigos, que apareciam com muitos presentes. Um deles foi o livro As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Esse livro era bem grosso e eu sempre o quis ler, mas minhas amigas falavam que era coisa de criancinha ler histórias.
Mas que talento tinha para fazer amizades. Ela toda era toda carinhosa e amorosa com seus amigos. Algumas vezes eu queria me tornar amiga dela, porém as minha amigas diziam que não seria bom para minha imagem. O meu desejo de ler o livro era tão grande e como meus pais não tinham condições para me dar um, criei coragem e fui me aproximando dela aos poucos.
Dias se passaram e percebi que as minhas amigas estavam enganadas a respeito dela. Alem se ser carinhosa e amorosa ela também era muito divertida. Aliás, bem mais que minhas amigas que só pensavam em ser popular.
No dia seguinte fui à sua casa com a intenção de nos divertirmos. Ela morava num sobrado como eu. Me recebeu super bem, sua mãe estava em casa e foi muito gentil comigo. E fiquei muito empolgada quando inusitadamente ela veio com livro que eu sempre quis ler... E para minha surpresa perguntou seu eu gostaria de levá-lo emprestado. Não pensei nem duas vezes e aceitei.
As minhas amigas não gostaram da minha amizade com ela e não falavam mais comigo. Eu também nem me importava, pois com ela eu era bem mais feliz e tinha a certeza que ela era uma amiga de verdade, não se importava com as aparências.
Li o livro com tanta empolgação que até esquecia de comer, brincar e acabava dormindo com ele do meu lado, nunca fui tão feliz, parecia que tinha ganhado um tesouro. Para mim era o mais precioso de todos, com um valor que dinheiro nenhum no mundo possa pagar.
Foram passando os dias e chegou o momento de devolver o livro, fui com o coração partido, mas era o certo a se fazer, afinal o livro não era meu e foi muito bonito da parte dela me emprestar. Fui até a casa dela e como sempre fui muito bem recebida, a agradeci com os olhos cheios de lágrimas e para minha surpresa ela me disse que eu poderia ficar com ele, que seria uma forma de me agradecer por minha amizade. Os pais dela acharam lindo o seu gesto e a abraçaram com o mais puro amor.
Fui para casa muito feliz com o livro e acabei percebendo que a vida não pode e nem se deve viver de aparências, pois são os pequenos gestos que fazem toda a diferença. E tenho certeza que nossa amizade será celebrada todos os dias, pois temos sinceridade e muito amor uma com a outra.
Não éramos mais meninas, agora somos mulheres e mais que amigas, quase irmãs.
E as minhas antigas amigas nunca mais ouvi falar.
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