A verdade sobre uma pequena mentira

13 Segredos que devem permanecer secretos


O dia já estava clareando, quando exausta, sem conseguir manter meus olhos abertos, atirei-me no sofá, deixando sobre a mesa, uma lista de nomes e possibilidades e de cada fato relato naquele manuscrito, moldei organogramas detalhados e inconclusivos, quase todos personagens já estavam mortos ou desapareceram, assim bem adiantada na minha pesquisa, guardei tudo em um lugar seguro, então dormi pesado.

Tive um sono agitado, cheios de pesadelos estranhos e aterradores, com criminosos escondidos nas sombras, tentando me matar. Acordei assustada, em um pulo, com o coração batendo forte, não sabia quanto tempo havia dormido, chequei as horas no meu telefone, já passava de meio-dia. Também, havia algumas chamadas, entre elas, uma de Alex, que eu estranhei depois da noite de ontem. Outra de Dario, o que será que ele queria comigo? E umas três chamadas da minha mãe e um recado de voz pedido para entrar em contato assim que pudesse. Liguei primeiro para ela, enquanto esperava, fiquei pensando como ela reagiria, se descobrisse que seu pai era um assassino e sua mãe uma ladra, que tinha sido amante de um famoso chefe do crime organizado.

— Julia, estou tentando falar com você a manhã toda! Aconteceu algo de errado? – Ela atendeu já reclamando.

— Não, só dormi demais.

— Sozinha?

— Como assim sozinha, mãe?! Aline, aquela fofoqueira! Ela contou para você! – exclamei, indignada por minha irmã ter contado para minha mãe a respeito do meu encontro com Alex.

— Na verdade, ela deixou escapar e eu arranquei toda verdade dela — minha mãe era a rainha da enrolação. — Como foi?

— Legal! – falei, um tanto desanimada.

— Só legal. Isso não parece bom. E o tal do Dario?

— Você sabe disso também?! – Não podia acreditar, como minha irmã havia me entregue dessa maneira.

— Sei.

— Esse aí não tem nada a ver. Estamos apenas trocando ideias sobre um futuro livro, só isso.

— Aram! Sei!

— Pare com isso, mãe! Eu detesto o cara, ele é metido e convencido!

— Sei.

— Pare com isso, mãe! Eu tenho que desligar, preciso ir ao banheiro.

— Está bem, Julia. Seu pai está mandando um beijo.

— Mande outro para ele. Até mais, mãe.

— Vou matar, Aline! – gritei para o telefone, assim que desligamos. Como minha irmã pôde contar aquilo tudo para minha mãe? No entanto, precisava realmente ir ao banheiro, tomar um banho, escovar os dentes, depois ligaria para Dario e Alex.

Primeiro a pior parte, falar com Dario.

— O que quer de mim, Dario? – perguntei, com uma certa má vontade.

— Queria saber, quando você vai me contar com descobriu o que escreveu no seu livro. Quem ou o que é sua fonte? – Dario insistia naquela história, sua desconfiança era real, ele sabia que eu devia ter algum informante ou fonte para meu livro.

— Por favor, Dario, não insista mais com essa história. Não tenho nada para contar para você! Já falei, veio tudo da minha cabeça – expressei-me, com fingida paciência.

— Julia, tenho certeza que você está mentindo — Ele insistia, irritantemente seguro. — Você não imagina que seria descobrir a verdade para o meu pai! Descobrir quem entregou o pai dele para os seus carrascos – revelou e eu fiquei balançada.

— Lamento, Dario, mas não posso ajudar, simplesmente, porque não sei de nada sobre isso. Mas, será que ele ficaria mais feliz em saber de toda a verdade? Deixe os mortos onde estão, enterrados – repeti a frase de James, tentando dissuadi-lo.

— Foi você quem desenterrou os mortos, Julia. Agora, eles estão na vista de todos, doa a quem doer.

— Desculpe, Dario, mas, eu não posso ajudá-lo. Preciso desligar agora. Adeus.

— Pense bem, Julia. Nos falamos depois. Até mais.

Desligamos, fiquei olhando para o aparelho, sentindo-me meio culpada, sabendo que poderia ajudá-lo a descobrir como ocorreu a morte do seu avô e até onde ele havia sido enterrado, estava tudo no manuscrito da minha avó. Não dei muita importância na primeira vez, só havia citado vagamente no meu livro, mas depois da releitura com outros olhos, descobri nas entrelinhas. Foi o próprio chefe da polícia da época, que era corrupto e estava na folha de pagamento de Tony Felix, havia sido ele que entregou os seus informantes para o mafioso que mandou matá-los. Contudo, tinha minhas dúvidas, se saber sobre isso ajudaria alguém ou se poderia confiar este segredo a Dario.

Liguei para Alex, meu espírito ficava diferente quando falava com ele, toda a armadura que usava com Dario se desmontava, caindo em pedaços por terra e eu flutuava de alegria. Apesar da decepção da noite anterior, quando ganhei um simples beijo de despedida no rosto, e não esperava que ele me telefonasse outra vez. Alex atendeu prontamente, havia um tom de surpresa na sua voz.

— Julia!

— Oi, Alex. Você me ligou? – Tentei parecer casual.

— Sim, eu liguei. Tudo bem com você?

— Tudo. E você? – ele perguntou, sem assunto. Aquela conversa não engrenava, como se tateássemos no escuro, querendo encontrar um caminho para seguir.

— E então?

— Er... Julia, queria saber se você gostaria de vir até a minha casa?

— À sua casa? – As coisas pareciam que estavam melhorando. Imaginei jantar à luz de velas, um bom vinho, música suave, uma noite romântica completa, quem sabe o que poderia rolar depois.

— Sim, na verdade, na casa dos meus pais. – Ele se corrigiu para minha decepção. – Haverá um jantar formal, com alguns convidados, eu havia falado com meu pai sobre você e ele sugeriu que eu a convidasse. Por isso, estou telefonando.

— Você está me telefonando, por que seu pai pediu para me convidar? – perguntei, um tanto ofendida por ele não estar interessado em mim. Era isso mesmo que eu tinha entendido?

— Não, Julia. É só uma desculpa para eu a ver outra vez. – Ele se saiu bem dessa.

— Mas você não precisa de desculpa para me ligar.

— Então, você vem? Seria uma alegria para meu pai, ele leu seu livro e gostou muito, ficou admirado quando contei sobre você, como é jovem e bonita – Ele realmente estava fazendo progresso.

— Está bem! – Mas, eu ainda estava relutante.

— Eu pego você às sete, aí na sua casa. O traje é passeio completo.

— Então, está bem. Até mais tarde. – Pensei que seria bom me distrair em um jantar elegante, com gente que eu não conheço, mas tinha dúvidas se seria uma boa ideia.

Precisei vasculhar meu armário para procurar algo para usar. Acabei escolhendo um vestido preto de renda, fechadinho na frente, mas com um decote estonteante atrás, que deixava minhas costas quase nua, presente da minha irmã, sapatos de saltos altos de uma marca famosa. Ainda bem, que eu e Aline calçávamos o mesmo número, por isso de vez em quando ela me dava um par de alguma marca famosa, e para finalizar um colar que havia pertencido da minha avó, com um lindo pingente de esmeralda, um tanto antiquado, mas dava um ar meio retrô a minha roupa. Para ajudar no conjunto, prendi o cabelo em um coque solto e fiz uma bonita maquiagem. Olhei, me no espelho, me admirando. Gostei da minha produção!