A vendedora de almas
9 Capítulo 9 - Pensamentos aleatórios
Notas iniciais
O avião balançava como um navio em alto mar na tempestade, naquele momento eu apenas pensava no modo ascendente no qual o avião pegou impulso e se seria favorável minha morte nessa hora, quer dizer, porque eu queria aquilo? Será que meu pai ficaria orgulhoso de mim? Bom, isso não importa agora, já esta feito! Meu pai talvez não ficasse orgulhoso, porem também não teria morrido em vão.De nada teria adiantado matar Victoria se não matasse Alex e Peter, respectivamente. Em minha convivência com Peter, dotei uma ânsia toda vez que o vejo, nojo. Mais do que Alex, queria Peter morto.
Peter é muito carente, talvez, quem sabe, ele e sua irmã e também Alex sentissem um amor incondicional por alguém como eu sentia pelo meu pai, uma coisa que ninguém podia explicar, uma coisa que ninguém podia dimensionar ou imaginar.
Quando eu nasci, tinha apenas minha avó meu primo e minha tia. Ambos morreram aos meus sete anos em um acidente de carro à caminho da praia. Logo apos a morte da minha avó, minha mãe começou a se drogar e consequentemente teve uma segunda gravidez agitada, que resultou em um irmão mais novo deficiente . A pequena trajetória de vida daquele corpo minúsculo, foi semelhante a um fim de neve do inverno. Nascera tão macia, branquinha e frágil e sabemos que ela vai embora, acompanhamos o seu decompor, seu derretimento até que a mesma vire água. Não foi muito diferente com ele. Seus olhos demonstravam tristeza, suas mãos demonstravam medo e seu corpo apenas esperara a morte. Síndrome era um dos nomes de seu sofrimento.
Senti um súbito alivio ao ouvir o anuncio do piloto de que a aeronave já estava no Rio de Janeiro, a alguns metros do pouso. Acordei Peter e descemos. Depois de fazer o check-out, saímos do aeroporto e fomos para uma casa que Alex possuía de seus comércios estrangeiros.
Passou-se um ano desde que chegamos ao Brasil. As coisas aqui são incríveis, a comida é salgada e pesada, uma mistura de tudo. Moradores educados, patrões não tão gentis, políticos corruptos, manifestantes revoltados e salário mínimo muito baixo. Eu não poderia desperdiçar muito mais tempo sem que agisse logo.
Ao passar minha crise nervosa de questionamento da razão de tudo isso, reorganizei minhas opiniões, mas em contradição a minha critica, pensamentos aleatórios revoavam ao meu redor com a exigência de paz, de sentir conforto, de deitar no travesseiro e não sentir nenhuma dor, nada lhe atordoando, nada ocupando o livre espaço da sua mente dotada de benefícios usados errado. Quem diria eu? Aquela garota de 13 anos que queria apenas ficar em harmonia com a família, viver sem o consentimento do acaso.
Hoje mesmo ligo para cara das armas. Preciso pedir para que ele faça-me um favor enquanto estou fora do país.
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