A vendedora de almas
1 Capítulo 1 - O começo do fim
Notas iniciais
Hoje é véspera de Natal, espero ansiosamente a chegada do meu papai. Ele sempre se atrasa, chega tarde do trabalho, às vezes sinto muito a falta dele... Sei que já sou uma menina grande, 13 anos não é lá uma idade de chamar o pai de papai não é? Mas eu sou muito apegada ao meu pai, ele sempre foi tudo para mim, a pessoa que eu mais amei e amo em toda a minha vida, ele foi tanto um pai, amigo, como uma mãe para mim. Minha mãe é drogada há 10 anos e aos meus 7 anos, ela cheirava cocaína em casa, eu, com tamanha inocência, achava que era açúcar...
****************************************
" — Kate! Amorzinho? O papai chegou!! " Meu pai gritou.
Mais uma vez, o som da voz do meu papai me trazia um alívio no coração. Eu sempre ficava preocupada quando ele saia de casa, ficava longe de mim e arriscava sua vida no mundo lá fora, para trazer comida e sustentar nossa família. Fui correndo abraçá-lo, pulei em seu colo e o enchi de beijos.
" — Cadê a mamãe, princesa? " Ele disse, em um tom meio triste, como sempre fazia quando já sabia a resposta ou se arrependia da pergunta, e nesse caso, era os dois.
" — Papai, acho que vou ir trocar de roupa, já são quase meia-noite. E pai... Quero que saiba que estou feliz porque você chegou à tempo, obrigada, te amo. " Eu disse isso antes de que eu pudesse subir as escadas com pressa para me vestir rápido e passar mais tempo com ele.
Enquanto vestia minha roupa mais bonita eu escutei barulhos muito altos, parecia que estavam soltando fógos na sala. Terminei de me vestir e fui correndo ver o que aconteceu.
Dei de cara com o meu pai todo ensanguentado com um tiro no braço, caído no chão. Ele me viu e sussurrou:
" — Suba!! Rápido Kate, suba! " Um barulho de passos vindos da cozinha se aproximava " — Droga, se esconda Kate! Feche os olhos, isso é tudo um pesadelo, não se preocupe." Ele sussurrou mais uma vez antes que eu me escondesse debaixo do sofá.
Ouvi um homem, com uma voz grossa, dizendo em alto tom:
" — Cadê aquela sua mulher? Logo no natal? Cadê ela preparando o peru para a ceia?Ah, esqueci, ela está se drogando, com outros que nem ela. Vagabunda! Isso sim que ela é, uma vagabunda! "
" — Porque está fazendo isso? O que eu te fiz? " Meu pai respondeu chorando.
" — Você? Nada. Mas sua esposa sim. Ela está me devendo um alto valor pelas drogas que eu a forneci a 2 anos e ela não me paga, alguém tem que assumir os erros dela, não é? Então você quem vai assumir. E você tem sorte que eu só tinha uma bala na minha pistola, ou quer dizer, azar. " Depois de ouvir tamanhas palavras, eu olhei por cima do forro do sofá e vi o sujeito espancando meu pai com pedaços de madeira, e dando-lhe vários socos.
Meu pai morreu? Não, não, não, NÃO !! Isso não pode estar acontecendo comigo! Socorro!
Fiquei no sofá até escutar a sirene da polícia, e ele saiu correndo. Com olhos verde escuros , estampa impiedosa no rosto. Ele não me viu.
Logo então, fui conferir as câmeras da sala que tinham capturado cada movimento, dei uma olhada no sujeito, barba mal feita, olhos verde escuros, careca e uma estampa impiedosa na face.
Entreguei as filmagens na mão do detetive Rubens e ele reconheceu o sujeito, que pelo que ouvi ja tinha passagem na polícia.
Minha mãe, Lilian, apareceu.
" — Mas que merda, Alex. Meu marido! Logo o John? Que merda." Ela gruniu.
Fale com o autor