Notas iniciais
Espero que goste. Esse é o ultimo :(((

Fecho meus olhos. Eu estava indefesa e eu não podia fazer nada. Quer dizer, o que uma garota poderia fazer contra um general bêbado e mais forte? Exatamente! Nada!

Se eu já achava que a minha vida estava ruim, tinha acabado de piorar.

Fui estuprada.

E no dia seguinte acordei com aquele cheiro de bebida insuportável. Ele ainda estava lá. Aquele maldito general. Ele estava lá, ao meu lado me fazendo relembrar o que ele me fez.

Levantei-me da cama e coloquei a roupa para o dia frio, mesmo que não estivesse tão fio a esse ponto, só para não olhar para meu corpo.

Tinha um espelho no quarto e eu fiquei de frente para ele. Aquela não era eu. Aquela na minha frente era uma escrava do mundo cruel em que vivia, mas não era eu.

Eu não conseguia chorar. Vi meu rosto, meus braços com marcas roxas. E eu olhava para aquela Ester com raiva. No fundo do espelho vejo o reflexo dele. Ele me olhava com desrespeito, indiferença, e seus olhos indicavam que ele não se arrependia.

–Vamos logo Esther! Já está atrasada. – Ele diz para mim o que me deixa com mais raiva ainda. Mas não digo nada, somente o acompanho.

Aquela havia sido a primeira de muitas vezes que ele fez isso comigo. Só a primeira vez. As outras chegaram a ser até piores, pois ele estava sóbrio. E assim continuou por um ano inteiro e depois outro, até eu estar com 19 anos. Eu nem tentava mais evitar isso, mas a raiva me consumia a cada dia, a cada toque, a cada palavra e a cada humilhação.

Essa noite ele chegou ao meu quarto e disse:

–Eu tenho mais uma tarefa para você Esther.

Essas palavras foram as mesmas que ele usou da primeira vez, o que me fez querer matá-lo agora mesmo.

–Eu prefiro morrer a ter que cumprir mais uma tarefa sua. – Eu lhe respondi.

Seu sorriso maléfico surge em sua face.

–Seu desejo é uma ordem majestade, mas primeiro o meu desejo deve ser realizado, depois você poderá morrer Ester, eu prometo.

E mais uma vez tive de suportá-lo.

Na manha seguinte ele me acordou e me levou até o campo.

–Seu desejo será realizado princesa. – Ele diz com desdém – Pode até escolher o jeito que quer morrer: câmara de gás ou um tiro rápido e certeiro? Pensando bem não vai ter direito de escolher, afinal acho que você não gostaria de morrer como seu irmão Max, com uma bala na cabeça, ou como seus pais, com vários tiros. Morra de um jeito diferente deles. – Heinz me provoca com essas palavras – Morra sufocada com esse gás, ou melhor, posso te queimar com os outros judeus infelizes da sua espécie.

–Vá pro inferno!!!

–E de onde você acha que eu vim querida? – Ele me olhou de cima a baixo percorrendo todo o meu corpo. Ele se aproximou de mim e me agarrou pela cintura me beijando e só parou quando eu dei um tapa forte em seu rosto branco, deixando a marca da minha mão sobre ele.

Aquele nojento, como ele era capaz de fazer isso com uma garota de 17 anos, por dois anos seguidos, quase todos os dias? E ainda, quando a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida, a morte, está próxima ele faz isso. Repugnante!

Heinz me colocou em uma câmara onde eles queimavam os judeus.

–Antes de te deixar tenho um ultimo pedido.

–Diga alteza. – Já que eu iria morrer, um pouco de desdém e ironia não iriam me fazer mal.

–Preciso do vestido de volta. Vou ter que arrumar outra pessoa para me servir. – Ele sorri como um maníaco. – Mas eu te prometo que nunca vou te esquecer, já que você foi a melhor de todas.

Eu tiro o vestido e lá estava eu, nua e prestes a morrer.

–Adeus Ester. – Ele diz antes de me deixar sozinha na câmara.

Tudo começou a escurecer e a esquentar. O calor subia pelo meu corpo e eu sentia a morte vindo para me levar. Que fosse assim! Pelo menos agora eu poderia dormir uma noite em paz.

Tudo escureceu e eu encontrei Max e meus pais. Agora tenho certeza que seríamos livres de verdade.

Notas finais
ultimo capitulo, espero que tenham gostado comentem pf
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.