A um passo do fim.
10 Os mortos não dormem.
Notas iniciais
Hinata abriu os olhos e deparou com uma luz radiante preenchendo todos os lugares, seus olhos se contraíram e quando tentou colocar as mãos em frente aos olhos percebeu que sua pele estava reluzente refletindo o brilho do local. Aos poucos se acostumava com a claridade e com dificuldade conseguiu identificar uma silhueta se aproximando, por isso firmou as mãos no chão e sentou-se, a atmosfera parecia pesada e aquele lugar não se parecia em nada com os lugares que a menina conhecia.
– Quem é você? – A voz de Hinata saiu com dificuldade, a garganta parecia seca e apesar de ter tentado falar alto a pergunta saiu em tom baixo.
Não houve resposta. A silhueta continuava a se aproximar e Hinata já não conseguia se mexer, aquele ser tinha uma presença muito poderosa que enchia a menina de um sentimento totalmente novo o que a angustiava, por isso a única alternativa era sentir medo.
– Não se aproxime! – Tentou ordenar com firmeza e novamente a voz se transformou em um cochicho.
A figura parou distante o suficiente para que Hinata não conseguisse a identificar.
– Aqueles que são como você não vêm aqui, como conseguiu tal feito vou te dizer algo importante... – A entidade se manifestou e a sua voz parecia a junção de varias que falavam ao mesmo tempo, como se uma multidão estivesse ali e falassem em perfeita sintonia.
Hinata não conseguia mais falar, apenas engoliu em seco enquanto arregalava os olhos, a luminosidade excessiva incomodava sua visão, ainda assim a garota estava paralisada e indefesa.
– O tempo continua correndo para você princesa Hyuuga, mas saiba que seu tempo é longo e o momento em que deverá escolher entre sacrifico e egoísmo está para chegar e essa simples decisão pode decidir o resultado da guerra. – A multidão de vozes falava claramente. – Cada vez que precisar fazer uma escolha difícil pense nisso, pois pode ser o momento de dizer adeus.
Hinata ouviu cada palavra com atenção absurda, sentiu o corpo tremer e a visão embaçar, notou que o contorno do ser deu meia volta e se afastava cada vez mais.
– Espere... – Hinata estendeu a mão e mesmo com voz falha fez a entidade parar. – Onde estou? – Perguntou e tossiu levemente. – Aqui é o mundo supremo? Você é Deus?
Uma leve risada ecoou e Hinata sentiu seu coração apertar, uma brisa passou pela garota e um arrepiou aterrorizante passou pelo lóbulo da orelha seguido de um sussurro claro.
– Mortos não dormem. – O sussurro era claro e individual capaz de acentuar medo pela leveza e simplicidade.
Tudo ficou escuro e Hinata sentiu seu corpo cair em um abismo vazio, não conseguia respirar e nem se mexer, ficou aterrorizada e de repente abriu os olhos, nesse momento percebeu que estava ao lado de Naruto notou que as mãos do loiro pousaram suavemente na cama e com isso surgiu uma explicação bizarra para o que tinha acabado de acontecer.
– Eu apenas pisquei. – Disse e ficou uns minutos com a expressão assustada e o reflexo da respiração acelerada dominou seu corpo. – Esse tempo que fiquei nesse lugar... Como pode ter sido apenas durante um piscar de olhos?
O corpo estremeceu quando se lembrou do sussurro que veio de lugar nenhum.
– Mortos não dormem. – Repetiu no mesmo tom que ouvira.
Sasuke estava sozinho em seu quarto sentado no chão abaixo da janela enquanto observava a lua.
– Porque você tem que acreditar nessas coisas Naruto. – Disse abraçando os joelhos.
O moreno puxou o celular observando atentamente a tela enquanto passava pelos contatos das garotas sempre dispostas a anima-lo, parou abruptamente ao ver um nome em seus contatos para o qual dificilmente ligaria, por impulso deslizou o dedo iniciando a chamada.
Sakura, Ino e Tenten saíram juntas da escola e resolveram coversar e lanchar na casa da rosada, divertiram-se tanto que perderam a hora e decidiram dormir na casa da menina. Já era tarde quando o celular sobre a escrivaninha começa a tocar.
– Ei testuda teu celular tá tocando... – Ino anunciou enquanto virava mais uma pagina de uma revista.
– Quem me ligaria a essa hora? – A rosada praticamente atravessou o quarto enquanto saia do banheiro passando uma toalha em seus cabelos.
– Pode ser algum admirador... – Tenten ironizou enquanto fazia uma trança em seus cabelos.
O quarto era amplo e iluminado, os dois futons já haviam sido colocados para que as meninas tivessem o conforto necessário, Sakura pegou o celular e arqueou a sobrancelha direita ao ler o nome estampado na tela.
– Não pode ser... – Murmurou baixo enquanto o celular tocava em suas mãos.
– Então cabelo de chiclete... – Ino estranhou a expressão da amiga. – Quem está te ligando?
– É um velho amigo... – Disse e abriu um sorriso sem graça enquanto caminhava para a varanda de seu quarto.
– Você acha que é algum namorado secreto? – Tenten perguntou animada.
– Desde que conheço a Sakura ela só se interessou por dois garotos... – Ino ponderou enquanto olhava a porta de acesso a sacada. – E tenho certeza que ela só teria essa reação se fosse um deles. – Disse estreitando os olhos enquanto voltava a folhear sua revista.
A noite estava fria e Sakura saiu do aconchego de seu quarto para atender o rapaz, fechou a porta com cuidado tendo absoluta certeza de que não seria ouvida pelas amigas assim atendeu a chamada.
– Oi Sasuke-kun... – Disse meio sem jeito. – Você deve ter ligado para o numero errado. – Afirmou passando a mão direita no antebraço esquerdo.
– Não liguei errado... – O moreno falava baixo o que deixava a voz rouca irresistível. – Eu quero falar com você.
– Tudo bem então... – Sakura mordeu o lábio inferior tentando afastar falsas esperanças de sua mente. – Pode falar. – Disse ouvindo a respiração pesada do outro lado da linha.
– Está sozinha? – Perguntou de um jeito sereno.
– Na verdade não. – Disse observando as amigas através do vidro embaçado. – A Ino e a Tenten estão aqui...
– Nos falamos outra hora então... – Disse rápido com o intuito de encerrar a chamada.
– Espere... – A menina pediu. – Não estou perto delas, se tiver algo para me dizer é melhor que diga agora.
– Sakura... – Pronunciou devagar. – Eu só queria conversar com alguém. – Disse com sinceridade enquanto observava a lua.
– Tudo bem Sasuke-kun... – A rosada suspirou. – Pode conversar comigo quando quiser...
Nesse momento começaram uma conversa sobre trivialidades, lembrando-se de algumas coisas de quando eram crianças e divagando sobre interesses em comum, a conversa se estendia e Sakura já nem se lembrava que a noite estava fria até que a porta da varanda foi aberta.
– Ei testuda... – Ino falava esfregando os olhos. – Já está muito tarde, deixe para namorar amanhã ou não vai conseguir chegar cedo na escola.
– Tudo bem Ino... – Falou meio sem jeito. – Bem eu preciso desligar... – Disse se direcionando a Sasuke.
– Tudo bem. – Respondeu esfregando o olho direito.
– Podemos nos falar amanhã? – Perguntou e percebeu que a chamada já havia sido encerrada. – Quem sabe? – Disse para si mesma enquanto fechava a porta e entrava no quarto.
Sasuke levantou-se do chão e se espreguiçou caminhando em direção a cama deitou devagar, as pálpebras estavam pesadas e antes de pegar no sono um vulto passou pela janela, o garoto dormiu.
– Então esse é o Uchiha? – Um rapaz coberto por uma pesada capa atravessou a parede adentrando o quarto.
– Sim. – Respondeu o parceiro que já estava dentro do quarto. – Ele e o irmão são nossos alvos.
– Maldito véu. – Disse puxando a katana e cravando no corpo de Sasuke. – Poderíamos acabar com isso agora mesmo. – Resmungou vendo o aço atravessar a matéria sem machucar o corpo vivo.
– Só espero que você não seja tolo a ponto de usar uma arma de metal avermelhado quando chegar a hora de ceifar ele. – Disse revirando os olhos. – Ele não terá utilidade se for banido.
– Não precisa se preocupar... – Falou recolhendo a arma. – Essa parte é com você, eu só entro em ação se o ele for para o outro lado, se isso acontecer vou cuidar para que ele não seja útil.
– Vamos voltar. – Ordenou virando-se. – Já conhecemos o rosto do garoto.
As duas figuras misteriosas simplesmente desapareceram do local.
Naruto piscou algumas vezes enquanto passava a mão no rosto, notou que Hinata não estava ao seu lado e se levantou abruptamente vasculhando o comudo com o olhar, viu a menina sentada no parapeito da janela coberta até a metade pela cortina escura deixando espaço suficiente para que pudesse ficar admirando o sol.
– Bom dia Naruto-kun. – Disse sem desviar os olhos da paisagem. – Você tem uma vista incrível.
– Obrigado. – Respondeu pensando que nunca tinha parado para olhar através da janela. – Bom dia... Você passou a noite aqui? – Perguntou levantando.
– Sim, mas como não durmo fiquei só te observando dormir. – Respondeu com tranquilidade.
Algumas batidas na porta interromperam a conversa, o loiro autorizou a entrada e uma jovem empregada abriu devagar a porta entrando no quarto.
– Senhor o desjejum já está servido e seus pais o aguardam a mesa. – Disse com uma pequena reverencia.
– Vou demorar apenas alguns minutos. – Respondeu sinalizando para que a moça saísse.
– Você vai me esperar? – Perguntou saindo da cama.
– Disse alguma coisa senhor? – A empregada pensou ter ouvido algo enquanto saia do quarto.
– Não... – Respondeu balançando a cabeça. Ainda não estava acostumado ao fato de que os outros não viam Hinata. – Pode ir.
– Eu posso esperar você se quiser... – Respondeu sorrindo desviando o olhar da paisagem e o direcionando ao loiro.
Naruto acenou positivamente e foi ao banheiro enquanto Hinata manteve no parapeito da janela distraída ao observar os pássaros que voavam livremente do lado de fora. O loiro não demorou e desceu as escadas sendo seguido pela menina que estava curiosa para conhecer os pais do loiro, na noite anterior observou cuidadosamente Kushina e estranhou as reações de Naruto em relação a mãe que se mostrava preocupa e superprotetora, pensou que a falta de informação sobre as relações entre pais e filhos durante a adolescência fazia com que ela não entendesse o que aconteceu o que a deixava curiosa.
Kushina viu o filho descer as escadas e abriu um sorriso sincero, a muito aprendeu a relevar as ações do amado filho, assim o acompanhou até a mesa sem perceber que Hinata também estava ali. Sentaram-se e Minato logo se juntou a eles.
Hinata os observava de maneira curiosa, pareciam uma família feliz, mas ao olhar o fundos de seus olhos poderia notar uma certa tristeza e aflição, como se esperassem sempre pelo pior, se não soubesse sobre a condição de Naruto jamais conseguiria entender o motivo daquele brilho opaco quase imperceptível que se escondia nos olhos de Kushina e Minato enquanto tentavam aproveitar a vida de sue único e tão amado filho. Naruto poderia morrer a qualquer momento. Isso não era mais uma simples teoria, Hinata achava que o loiro estava em constante contato com o mundo espiritual devido a interferência no momento de sua morte, agora sabia que as coisas não eram bem assim, por algum motivo teve a sensação de que deveria pesquisar um pouco mais sobre a síndrome que acometia o loiro. Os devaneios da jovem foram interrompidos pela voz de Kushina.
– Então você ainda não conseguiu falar com a Sakura-chan... – A mulher abriu um sorriso sacana.
– Não pretendo mais fazer isso. – Disse desviando o olhar.
– A Sakura é uma menina muito doce e bonita... – Falou tristemente. – Ela é uma garota muito especial e parece gostar tanto de você, talvez ela possa ser a pessoa certa para você.
– Não existe ninguém nesse mundo certo para mim. – Afirmou levantando-se. – Já está na hora de ir.
Naruto se afastou indo em direção a porta enquanto Minato segurou a mão de Kushina que abaixou a cabeça entristecida.
– Não se preocupe. – O homem falou enquanto sorria docemente. – Sei que vamos encontrar um jeito...
– Minato o tempo está passando... – A mulher encarou os olhos azuis. – Se não conseguirmos resolver isso ele vai ter problemas, hoje mesmo eu vou ensinar o que ele precisa.
– Porque diz isso? – Perguntou sério.
– Sinto que tem um espírito seguindo ele... –Afirmou com os olhos marejados. – Todos esses anos eu tentei prepara-lo, ele estuda incansavelmente caligrafia, mas eu tenho tanto medo de ensina-lo, ele não sabe a diferença, ele não consegue lidar com isso...
– Não se preocupe. – Minato acariciou as mãos da esposa. – Tenho fé que ele vai voltar, nosso filho não será enganado facilmente.
Hinata se despediu do loiro e voltou a colônia, Naruto entrou no carro e seguiu ruma a casa de Sasuke que apesar do que aconteceu no dia anterior o esperava como se nada tivesse acontecido conversaram animadamente.
Quando chegaram ao colégio estavam um pouco atrasados e foram direto para a sala de aula e entraram sendo seguidos pelo professor. Tudo ocorreu normalmente e na hora do almoço Naruto convidou Gaara para se juntar aos seus amigos, o ruivo recusou dizendo que preferia ficar com Sai, quando o grupo saiu da sala foram verificar a lista de selecionados,
Não houve grandes surpresas, os melhores alunos foram selecionados e no dia seguinte eles viajariam rumo ao centro Uchiha de tecnologia. Alguns nomes da lista eram de estranhos e outros eram de estranhos conhecidos, dentre os amigos de Naruto somente Chouji não estava na lista, o rapaz não quis se inscrever. Os alunos do ultimo ano eram os primeiros da lista, dentre eles Neji e Rock Lee eram os que mais chamavam a atenção, o gênio e o esforçado, Lee sempre competia com o prodígio Hyuuga e na viagem não seria diferente.
Hinata não voltou a colônia como disse, ao invés disso foi até a antiga ruína de uma biblioteca, encontrou o lugar por acaso com a ajuda do seu Byakugan e a manteve em segredo de seus amigos, pois não tinha um pressentimento de que aquele lugar deveria permanecer oculto, quando vislumbrou o enorme salão e leu algumas inscrições teve certeza de que não deveria falar sobre aquele lugar para ninguém. A menina estava decidida a encontrar algo sobre os Uchihas e Uzumakis, além de tentar entender mais sobre a inscrição na testa de Gaara, assim suspirou pesadamente encarando as imensas estantes e começou a procurar entre os pergaminhos e livros antigos o que precisava.
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