A um passo do fim.

9 Algumas coisas bem antigas.


Notas iniciais
Oi pessoal, espero que estejam gostando da fic. Gostaria de agradecer muito pela linda recomendação que recebi da linda leitora LuHiuga Hutcherson, você me incentivou muito e ainda estou chorando até agora.... :D Obrigada aos lindos comentários, vocês impulsionam essa fanfic. ;) Boa leitura.

O grupo incomum estava formado, Naruto queria aprender mais sobre o mundo espiritual, Gaara queria retomar o contato com sua mãe, Sai queria ficar mais forte e Hinata queria amizade, entretanto a garota doce de olhos brancos nutria outros interesses em relação aquele grupo, para alcançar seus objetivos deveria mantê-los em segredo.

Os alunos não podiam deixar de notar que Naruto e Gaara voltaram juntos, quando retornaram a sala vários olhares se direcionaram a dupla que parecia estranhamente próxima, ninguém recordava de ter visto os garotos trocarem palavras e agora conversavam como se fossem grandes amigos, até mesmo os irmãos do ruivo não esconderam a surpresa de ver os dois tão amigos.

Quando o dia de aula chegou ao fim o loiro mais uma vez surpreendeu seus amigos, levantou de seu lugar e foi em direção a Gaara que logo o acompanhou para fora, no pátio todos observavam quando os dois colegas de turma encontraram Sai e conversavam animadamente, Sasuke estava irritado pelas atitudes do melhor amigo mesmo sabendo que aquilo provavelmente não era de propósito, afinal Naruto não entendia o que significava ignorar alguém, o moreno decidiu aborda-lo de maneira sutil e assim o fez, aproximou-se da conversa com cuidado e chamou o amigo.

– Naruto! – A voz do moreno parecia agradável. – Você pode passar na minha casa?

– Me desculpe Sasuke, o Gaara e eu combinamos de ir ao apartamento do Sai. – Respondeu passando a mão na nuca.

Aquilo era demais para Sasuke, o moreno era frio e arrogante, gostava de considerar-se indiferente, mantinha uma lista de garotas sempre dispostas a agrada-lo e era acostumado a ter tudo o que queria, Naruto era o único que considerava como um verdadeiro amigo e até então ele era o único que podia ser considerado um amigo verdadeiro para o loiro afinal era o único com quem Naruto dividia a frustração de carregar aquela síndrome. Sasuke saiu dali irritado enquanto Naruto e Gaara apenas seguiram rumo ao apartamento de Sai.

Hinata prometeu que ensinaria mais sobre o mundo espiritual e os ajudaria a melhorar a habilidade espiritual de cada um, para isso pediu que fossem até o apartamento de Sai onde os encontraria, quando chegaram Hinata já os aguardava, decidiram lanchar enquanto conversavam, sentaram-se a mesa um em cada lado e depois de agradecer começaram a comer.

– Então Gaara-kun... – Hinata estava sentada em frente ao ruivo. – Quando foi a ultima vez que viu a sua mãe?

– Há seis meses... – Respondeu mordendo um sanduiche. – Posso te perguntar uma coisa?

– É claro! – Respondeu sorrindo.

– Você já viu Deus? – Perguntou com naturalidade.

– Bem... – Hinata ficou inquieta. – Ainda não o conheci. – Respondeu meio sem graça.

– Hum. – Gaara pousou o sanduiche sobre o prato. – Então não tem certeza que ele existe. – Afirmou encarando-a com curiosidade.

– É claro que ele existe! – Exclamou de olhos fechados. – Não preciso vê-lo, todos nós somos parte dele então se eu existo ele existe também.

– Sua afirmação é um tanto simplista, mas esse não é o ponto no qual eu queria chegar. – Disse e entortou o canto da boca. – Minha mãe me disse que viu Deus. Porque ela viu e você não?

– Provavelmente estejamos em planos diferentes, assim como eu e vocês... – Disse em tom explicativo enquanto respirava profundamente. – O meu mundo e o seu coexistem, tudo que existe no mundo material existiu primeiro no mundo espiritual...

– Está dizendo que nós éramos espíritos? – Naruto interrompeu a explicação.

– Sim. Mas isso não é uma exclusividade nossa, animais e objetos também. – Respondeu encarando os olhos azuis. – Essa mesa, o seu sanduiche, tudo isso existe no mundo espiritual e tem seu reflexo aqui, ou seja, seus corpos são apenas reflexos do seu espírito.

– Como isso é possível? – Gaara perguntou enquanto enrugava a testa.

– Para que entendam vou ter que explicar algumas coisas bem antigas. – Disse sorrindo. – Durante a grande guerra celeste surgiram três forças poderosas e incontroláveis, o amor, o ódio e a morte, entre os anjos que guerreavam a morte recebeu o nome de banimento, pois se um anjo ou espírito morre ele desaparece para sempre, dizem que a energia se dissipa e simplesmente deixa de existir, o medo estava consumindo os anjos e aos poucos eles enlouqueciam tentando controlar o desconhecido. Quando a guerra acabou Deus encontrou uma alternativa, ele criou essa matéria e fez nossos corpos colocando o amor e o ódio dentro de cada um, para que tivéssemos a chance de aprender a controla-los tivemos que nascer ignorantes e aprender tudo desde o inicio, já a morte virou uma entidade, seu poder foi entregue a um dos anjos mais poderosos e a ele foi dado o trabalho de acabar com a vida nesse mundo daqueles que tivessem seu tempo cumprido para que pudessem voltar ao mundo espiritual, deveríamos aprender a morrer para que o medo do banimento não nos conduza a loucura, assim criou-se um equilíbrio delicado entre o mundo espiritual e o seu reflexo o mundo dos vivos, bem como um equilíbrio entre as três forças ocultas, se o equilíbrio for desestabilizado vai ter inicio uma reação em cadeia que levaria todos ao banimento, o desequilíbrio romperia o véu completamente deixando-os a mercê de anjos e demônios, uma nova guerra seria travada neste mundo e a devastação seria inevitável.

– Porque a guerra seria travada aqui? – Gaara perguntou.

– Lúcifer e seus seguidores foram expulsos do mundo supremo que é o lugar que vocês chamam de céu, ainda assim seu orgulho o impulsiona a desejar o lugar de Deus, então ele achou uma maneira, se ele controlar a amada criação do altíssimo ele poderá derruba-lo e tomar o seu lugar, para isso ele teria que derrubar o véu criando um campo de batalha, como não podem ir ao céu o único jeito é trazer eles até aqui, assim ele baniria muitos anjos enfraquecendo definitivamente o exercito divino, ele acredita que do desequilíbrio surgira um novo universo comandado por ele, por outro lado nós acreditamos que o desequilíbrio traria apenas destruição absoluta.

– Então é por isso que está aqui? – Naruto perguntou enquanto tentava dissecar as palavras da garota.

– Espíritos como eu foram ceifados antes da hora, por isso ficamos presos e não temos contato direto com anjos e demônios, por isso ficamos aqui. – Respondeu sorrindo. – Eu fui encontrada por membros de uma colônia espiritual que são guiados por um espírito muito poderoso que ainda não consegui identificar a origem, sei apenas que não é um vivo ceifado prematuramente.

– Como nós nos encaixamos nessa guerra? – Gaara perguntou cerrando os olhos.

– Temos estudado o poder dos médiuns e descobrimos um controle excepcional do véu por isso achamos que talvez os vivos possam nos ajudar a ter contato direto com os anjos, até agora não tivemos sucesso, pois a barreira que nos separa deles é bem mais espessa, mas a sua marca pode nos ajudar muito. – Hinata fez uma pausa e como não houve reação continuou. – Acredito que a resposta está na sua inscrição, se a sua mão for um anjo e essa inscrição pode fazer vocês terem contato então talvez seja isso que falta para atingirmos eles.

– É melhor começarmos a ensinar a pratica a eles. – Sai falou terminando de tomar o suco. – Não temos muito tempo.

– Me desculpem... – Hinata corou. – É que quando começo a falar essas coisas me empolgo pesquisar sobre o passado era o meu passatempo.

Todos assentiram e depois de arrumar a cozinha se reuniram na sala do apartamento formando um circulo, Hinata respirou fundo e começou a falar.

– O Naruto não tem controle sobre o véu. – Falou devagar enquanto encarava os olhos azuis. – Você está em contato com o mundo espiritual graças a sua condição, como está assim por muito tempo é possível que o seu poder seja maior que o do Sai, mas precisamos que controle isso somente assim o seu poder virá a tona. – Hinata esperou Naruto acenar positivamente e voltou seu olhar para Gaara. – Você não tem poder sobre o véu a sua inscrição permite que veja somente quem está ligado a ela, você tem uma proteção espiritual enorme, sendo quase impossível atravessa-la em outras palavras você é imune a qualquer tipo de ataque espiritual e podemos treinar isso a fortalecendo e aumentando seu controle, além de te permitir identificar o mundo espiritual mesmo que não possa vê-lo.

Todos acenaram e Hinata encarou Sai fazendo um sinal para que ele assumisse, assim o moreno juntou as mãos em forma de concha e começou a concentrar energia entre elas fazendo surgir uma bola azul brilhante.

– Isso é chakra. – Afirmou concentrado no poder em suas mãos. – Todos temos isso dentro de nós, mas só aqueles que sabem que existe podem manifesta-lo. A partir disso podemos fazer inúmeras coisas usando selos de mãos para canaliza-los.

– Podemos fazer isso? – Gaara parecia extasiado.

– Isso pode demorar um pouco. – Afirmou dispersando a energia. – Agora o Naruto vai treinar com a Hinata o controle do véu e nós vamos treinar um pouco de percepção. Como o espaço é pequeno você e eu vamos ficar aqui enquanto eles vão treinar no terraço.

Naruto esboçou um pequeno sorriso, afinal ficaria um tempo sozinho com Hinata, Gaara concordou com a proposta e assim Hinata e Naruto saíram do apartamento caminhando lentamente até o terraço, subiram três lances de escadas e chegaram ao seu destino, assim que atravessaram a posta se posicionaram de frente um para o outro.

– Naruto-kun você precisa se concentrar bastante, restabelecer o véu é bem mais difícil do que rompê-lo, por isso quero que feche os olhos. – Hinata se aproximou e colocou as mãos sobre as mãos do rapaz. – Senti essa energia?

– Um pouco. – Disse sentindo uma sensação de calor nas mãos. – Hinata eu...

– Você tem que deixar fluir, o véu está em toda parte tem que deixar ele se regenerar. – Falou soltando as mãos do rapaz.

– Hinata eu não posso...

– Esse é somente o primeiro passo, depois que identificar o véu vai poder controlar o seu poder.

– E se eu não conseguir mais ver você? – Perguntou abrindo os olhos percebendo o quanto aquilo o afetava.

– Não se preocupe com isso Naruto-kun... – Hinata sorria docemente. – Eu sempre vou estar ao seu lado.

– Se eu conseguir fazer isso eu vou poder tocar você? – Perguntou corado.

– Eu sei que você vai ficar mais forte... – Respondeu mantendo o sorriso enquanto as bochechas coravam levemente. – E sei que logo vou poder te dar um abraço.

– Então eu preciso mesmo tentar... – Naruto abriu um sorriso enorme e essa era uma das poucas vezes que o gesto foi feito com sinceridade.

Enquanto o loiro tentava restabelecer o véu entre ele e Hinata Gaara já estava mostrando melhoras em seu treinamento com Sai.

– Bem agora vou projetar meu espírito no mundo espiritual e você tem que dizer onde estou.

Sai encostou-se ao sofá fechou os olhos e relaxou o corpo, logo seu espírito estava flutuando consciente enquanto estava ligado ao corpo por uma linha azul o rapaz então se posicionou atrás de Gaara que tentava sentir as variações do mundo espiritual.

– Isso é muito difícil. – Murmurou impaciente ainda tentando identificar o que estava ao seu redor.

Naruto e Gaara estavam decididos a melhorar e assim treinaram até a exaustão, saíram da casa de Sai por volta das nove da noite e ambos melhoraram bastante, Naruto conseguiu estabelecer o véu por alguns segundos, com isso já podia identificar quando alguém o atravessava ou o rompia, também podia dizer se havia algum espírito dentro do seu raio de alcance e Gaara podia sentir o espírito de Sai se mover pelo apartamento. Dividiram um taxi para voltar a suas casas e Naruto convenceu Hinata a acompanha-lo.

A mansão do loiro era fascinante, assim que atravessaram o momento de admiração que a jovem Hyuuga estava tendo foi interrompido pela recepção incomum de uma bela mulher de longos cabelos vermelhos.

– Uzumaki Naruto. – Chamou com a voz firme e irritada. – Você não pode simplesmente sumir e nos deixar preocupados dessa maneira.

– Eu estava com alguns amigos e não percebi que o celular estava desligado. – Disse e continuou a andar.

– Como assim com alguns amigos? – A mulher cruzou os braços enquanto batia o pé. – Liguei para o Sasuke, para a Sakura e para cada um dos seus amigos da escola e ninguém sabia nada sobre você. – Kushina estreitou os olhos.

– Esqueceu-se de ligar para o Sai. – Respondeu próximo à escada. – Vou pro meu quarto, estou sem fome, nos falamos amanhã. – Disse imparcial e começou a subir as escadas quando estava no meio do caminho olhou para trás e viu Hinata parada observando a mulher. – Você vem? – Perguntou com gentileza.

– Sim. – Respondeu por reflexo desviando o foco da mulher e indo em direção ao loiro.

– Você disse algo? – Kushina virou em direção ao filho.

– Não. — Disse sem encara-la lembrando-se que sua mãe não podia ver Hinata.

Kushina suspirou pesadamente vendo o filho ir sem esboçar reação, era nítido o avanço da doença e Naruto parecia cada vez mais distante, ele não entendia o risco que corria, a dor é o que nos faz ter cuidado, a dor nos avisa dos perigos, um corte, uma queda, o dano mais simples poderia levar seu precioso filho a morte.

O loiro caminhava levemente sendo seguido pela Hyuuga, não demorou e chegou ao quarto assim que entrou deu passagem para Hinata que atravessou a porta um pouco envergonhada.

– Naruto-kun, acho que já devo ir. – Disse sorrindo enquanto o loiro fechava a porta.

– Por favor. – Falou apertando a maçaneta. – Fique um pouco mais. – Pediu de olhos fechados sem encarar a menina.

– Posso ficar mais um pouco. – Proferiu de maneira serena sentindo angustia na voz do rapaz.

– Vou tomar banho, por favor me espere. – Pediu virando-se para encarar a garota. – Preciso conversar algo importante com você.

– Tudo bem. – Falou sorrindo na tentativa de aliviar o coração do rapaz.

Naruto apenas sorria, pegou uma muda de roupa que estava dobrada sobre sua cama e foi até o banheiro, por habito deixou a porta entreaberta. Hinata era extremamente ligada a água, por isso amava ouvir alguém tomar banho, assim que Naruto entrou no banheiro ela se aproximou e sentou no chão estava encostada a parede, o quarto era grande e ali era o melhor lugar para ouvir o som da água.

– O contato com a água é uma das melhores coisas de estar vivo. – A menina disse suficientemente alto para que o rapaz escutasse.

– Não há água no mundo espiritual? – Perguntou confuso, pois as afirmações anteriores da garota sugeriam que aquilo também deveria existir onde ela estava.

– Existe sim, mas é energia pura. – Respondeu encostando a cabeça na parede deixando o som da água penetrar em seus tímpanos. – A consistência é diferente, assim como a consistência do nosso corpo é diferente da do nosso espírito.

Naruto deixou a água lavar seu corpo enquanto ponderava sobre as palavras da garota, saiu do banho e a viu encostada a parede.

– Hinata... – Chamou e a menina abriu os olhos. – Você dorme?

– Não... – Respondeu com uma pequena risada. – Mas eu gosto de ver os vivos dormindo.

– Sabe Hinata-chan desde que eu te vi no pátio da escola eu sinto algo que não dá pra explicar. – Caminhou até a cama e sentou-se. – Você quer ser minha namorada? – Perguntou corado.

– Naruto... – Hinata realmente não esperava por algo assim. – Você não sabe o que está falando. – Afirmou enquanto sua face ficava completamente vermelha.

– Hinata eu sei muito bem, eu não pertenço a esse lugar, o que eu sinto em relação a você é a coisa mais concreta que eu já consegui discernir. – Naruto a encarou com firmeza. – Estou prestes a não sentir nada, se você não tivesse aparecido eu já teria sucumbido completamente a essa doença, por favor fique comigo. – Apelou tentando a manter ali.

– Você está doente? – Perguntou abalada.

– Fui diagnosticado com síndrome de síndrome de Riley Day*, eu não sinto dor. – Naruto desviou o olhar. – O meu caso é um pouco mais raro e estou a ponto de perder completamente a sensibilidade relacionada aos sentimentos também, tive má formação em todo o sistema nervoso e isso está impedindo que as informações dos estímulos cheguem ao meu cérebro.

– Naruto eu sinto muito. – Disse com pesar e quando tentou tocar a mão do loiro viu suas mãos atravessarem a matéria lembrando-a de suas limitações. – Eu não posso nem te tocar. – A voz da garota estava falha.

– Dorme comigo... – Pediu encarando os olhos brancos.

Hinata apenas balançou a cabeça de maneira positiva. Naruto deitou-se de lado enquanto Hinata deitava a sua frente, depois puxou o edredom que os cobria completamente, mesmo no escuro era possível ver os olhos de ambos a morena levantou a mão deixando-a na altura do peito do loiro assim liberou um pouco de chakra que brilhava, Naruto levou sua mão na mesma direção que a da menina e sentiu o calor que aquela energia emanava.

– Promete que vai pensar na minha proposta? – Pediu enquanto suas pálpebras pesavam.

Hinata viu o rapaz pegar no sono e deixou-o sem resposta, para ela não havia resposta que pudesse ser dada, estavam em lugares opostos e a ideia de um relacionamento não passava de uma ilusão, talvez uma brincadeira cruel e insana do destino, enquanto observava o rosto sereno do rapaz sem sentimentos uma pontada de dor invadiu seu coração e por um longo momento a menina achou que talvez aquele desejo poderia consumi-la também. Hinata fechou os olhos e por um instante sonhou.

Notas finais
Desculpe pelos erros, eu queria revisar esse capitulo, mas tô meio sem tempo... :/ *Insensibilidade congênita a dor. Espero que esteja agradável. Bjs e até o próximo.