A um passo do fim.

5 A garota de olhos brancos.


Notas iniciais
Oi pessoal.. :D Boa leitura. Espero falar com vocês nos comentários..

O avião começou a despencar e os gritos de desespero ecoavam por toda parte, o rapaz ao lado de Hinata despertou de seu transe e por reflexo levou a mão até o braço da poltrona e tocou a mão de Hinata, ele a encarou surpreso, não tinha percebido que alguém estava ao seu lado. O avião estabilizou.

– Você está bem? – Perguntou encarando os hipnóticos olhos brancos.

– Sim... – Respondeu com simplicidade.

Hinata sabia que aquilo marcava o inicio, os chamados já haviam rasgado o véu e era tão forte que permitia o toque. Novamente o avião despenca, dessa vez as mascaras caem e antes que percebam a grande maquina de aço está se espatifando no chão. O rapaz não soltava a mão da moça.

Gritos. Desespero. Dor. Morte. O avião estava destruído, muitas pessoas estavam mortas, sangue estava espalhado por todo o local. O rapaz respirou fundo.

– Já acabou? – Perguntou para si.

– Talvez. – Hinata respondeu soltando a mão do rapaz. – Acho melhor sairmos daqui.

Os sobreviventes saíram dos destroços e se reuniram, Hinata saiu depois do garoto e viu que a prancheta dele estava caída no chão, o desenho era lindo e por curiosidade o pegou, apenas uma pessoa da tripulação sobreviveu e resolveu tomar o controle da situação, entre os passageiros cinco haviam sobrevivido, estavam em uma floresta de arvores altas e vegetação fechada, o avião deixou um enorme rastro de destruição.

Hinata observou todos e percebeu que a maioria morreria ali, os relógios já estavam próximos do zero com exceção do relógio do rapaz que esteve ao seu lado, muitos estavam feridos e aquele lugar aparentava esconder muitos perigos.

– Qual é o seu nome? – O rapaz de cabelo preto resolveu conversar com a garota isolada.

– Meu nome é Hinata... – Respondeu em tom baixo.

– O meu é Sai... – Disse passando a mão no cabelo.

– Acho que isso é seu... – Hinata estendeu a prancheta. – Você desenha super bem.

– Obrigado. – Sai pegou a prancheta enquanto sorria com sinceridade. – Está é a flor branca... – Disse indicando o belo desenho.

– É uma flor muito linda. – Hinata observava os traços no papel.

– Como os seus olhos... – Disse baixo vendo a menina corar. – É que a flor parece os seus olhos. – Tentou reverter a situação embaraçosa.

– Ei Hinata-chan. – Rin se aproximou. – Quem é seu amigo? – Disse sorrindo como se insinuasse algo malicioso.

– Esse é Sai... – Hinata apontou para o rapaz. – Essa é minha amiga Rin, viajávamos juntas. – Afirmou sorrindo.

Rin apenas suspirou, obviamente a menina não havia entendido suas insinuações, ficaram por ali enquanto os adultos conversavam e Hinata logo observou as relíquias sobre o peito dos sobreviventes e notou que dali apenas dois sairiam vivos, um deles estava ao seu lado, o outro também era jovem e estava acompanhado por um adulto muito machucado. Logo o comissário de bordo aproximou-se dos jovens

Os sobreviventes se reuniram esperando o resgate chegar, resolveram se afastar dos destroços caminharam um pouco e ficaram a beira de um córrego de água pura, Sai aproximou-se e juntou as mãos em forma de concha levando um pouco de água até a boca, Hinata e Rin aproveitaram o momento para conversar um pouco.

– As únicas pessoas ilesas são Sai e aquela garota, provavelmente só eles vão sobreviver. – Disse Rin um pouco triste.

– Aquele ali é um garoto Rin. – Disse apontando para o jovem.

Era um rapaz de traços suaves que mantinha uma expressão muito gentil, os cabelos negros desciam até o meio da costa, usava uma causa bege e uma camisa rosa que agora tinha apenas uma manga, pois arrancou a outra e a molhava constantemente na tentativa de limpar o sangue do homem que acompanhava, um cara alto de cabelo curto castanho, a expressão dele era o exato oposto do garoto, o olhar daquele homem era assustador.

– Tem certeza? – Rin estava perplexa. – A sua percepção é muito boa Hinata-chan.

– Rin se concentra... – Hinata ficou preocupada. – Eles só podem atacar enquanto o véu estiver partido. – A jovem olhou em volta.

– Tem razão. – Rin recuperou a postura. – Assim que o ultimo morrer podemos ficar tranquilas. – A moça suspirou, não estava contente com as próprias palavras.

– Você tá sentindo? – Hinata virou-se de repente em direção aos destroços do avião.

– Sim. Acabaram de chegar ao avião. – Rin mordeu o lábio. – Eles estão tentando ocultar sua presença, não consigo saber quantos são.

– Fique aqui. – Disse com firmeza. – Vou tentar chegar um pouco mais a frente para vê-los. – Hinata já ia começa a correr e sentiu a amiga segurar seu pulso.

– Eu já fiz mais missões que você. – Rin apertou o pulso fino da moça. – Sou mais velha, eu devo ir.

– Eu sou melhor em ocultar a minha presença. – Hinata puxou o braço. – Prometo que não vou demorar.

Rin apenas concordou, Hinata desenvolvia habilidades superiores a maioria dos espíritos que estavam na colônia dos desabrigados, o treinamento avançado da garota de olhos brancos era sempre mantido em segredo, nos treinamentos em grupo a garota sempre demonstrava destreza incomum e manuseio avançado para alguém tão jovem. Rin a via como uma criança e ao vê-la correr apenas pôde lembrar-se do ditado difundido entre os espíritos que viviam ali a frase era muito antiga.

– Não podemos subestimar alguém de olhos brancos. – A garota sussurrou lembrando-se do que os companheiros falavam ao ver a pequena lutando.

– A Hinata tá indo aonde? – Sai se aproximou e viu a menina correndo em direção a mata.

– Ela tem que pegar algo nos destroços... – Respondeu dando uma desculpa qualquer.

– Não é melhor acompanharmos ela? – O garoto parecia preocupado.

– Ela não vai demorar... – Rin tinha que mantê-lo ali. – Ela corre muito rápido vamos espera-la aqui. – Disse sorrindo vendo o garoto apenas acenar positivamente.

Hinata sempre deixava seus companheiros de missão muito confusos, antes dessa missão a garota era usada apenas como suporte auxiliando sempre de longe e mantendo suas habilidades em segredo, quando algum inimigo se aproximava a garota tinha ordens diretas para voltar à colônia, por isso quando sentia que o inimigo se aproximava a garota se transferia de volta dissipando seu espírito para viajar instantaneamente.

A garota de cabelos azulados estabeleceu uma boa distancia entre ela e os sobreviventes e antes de chegar aos destroços sentiu um calafrio percorrer sua espinha, parou abruptamente experimentando as mesmas terríveis sensações que percorreram seu corpo pouco antes de sua morte prematura, Hinata estava estagnada e a única coisa que conseguiria fazer era usar um de seus segredos para ver o que se escondia atrás das arvores esgueirando-se entre os destroços do avião, ela revelaria sua presença e teria pouco tempo para sair dali, contudo precisava averiguar o que lhe causava esse efeito tão avassalador, a menina juntou as mãos em frente ao corpo formando um selo.

– Byakugan! – Disse com voz firme e imediatamente as veias saltaram em volta dos olhos.

Hinata podia ver através das arvores, ao longe um grupo de três pessoas cobertas por capas, quando iria aprofundar a visão para tentar identificar quem eram aquelas pessoas a garota notou eles virando-se em sua direção e apesar de ainda não ver seus rostos sabia que um sorriso pequeno se formava no rosto do homem que parecia ser o líder, sabia que ao ativar seu byakugan não conseguiria esconder sua presença entregando sua localização quase que imediatamente, a pequena soube na hora que não tinha tempo a perder e precisava voltar para onde estavam os sobreviventes, seu trabalho era protegê-los.

Virou imediatamente indo em direção ao riacho, entretanto antes que começasse a correr surpreendeu-se ao ver que alguém a seguia.

– Você está bem Hinata-chan? – Perguntou o rapaz a sua frente estranhando a expressão de medo da moça.

– O que você tá fazendo aqui Sai-kun? – Perguntou assustada.

– Você voltou aos destroços, achei que talvez precisasse de ajuda. – Respondeu meio sem jeito.

– Precisamos voltar... – Hinata falou assustada e segurou o pulso do rapaz a sua frente tomando impulso para correr.

– Hinata... – Rin chegou ao local trazendo consigo duas pessoas.

– O que aconteceu? – Hinata parecia mais assustada.

– Um homem usando uma capa chegou lá e matou todo mundo. – O rapaz de longos cabelos negros foi o primeiro a se manifestar enquanto amparava o homem que o acompanhava. – saímos vivos de lá por muito pouco.

Tudo começou a acontecer rápido, enquanto Hinata ainda tentava assimilar as informações os inimigos já estavam próximos, aquilo não deveria estar acontecendo, deveria ser uma missão simples, afinal mandaram apenas duas pessoas. Porque havia quatro inimigos? Eles estavam atrás de que? A menina foi obrigada a sair de seus pensamentos e notou que pela primeira vez entraria em uma batalha, balançou a cabeça tentando se concentrar observou que Rin já sacava um punhal preso atrás da blusa, por isso Hinata colocou a mão dentro do casaco lilás sacando um punhal.

– O que vocês estão fazendo? – Sai começou a estranhar a atitude das garotas. – Como conseguiram entrar no avião com isso? – Apontou as armas de metal que reluziam de um jeito estranho.

– Vocês... – O homem que até então se manteve calado pronunciou-se, a voz assustava tanto quanto o olhar. – Esse garoto com certeza deve sobreviver. – Indicou o menino que o acompanhava.

– Porque está dizendo isso Zabuza? – O rapaz se assustou.

– Já passei por isso antes... – Afirmou arfando. – Acho que dessa vez meu tempo acabou Haku.

– Por favor, não diga isso... – Os olhos do rapaz marejaram.

Hinata observou aquele homem sabendo que ele tinha razão, seu tempo estava prestes a acabar e era por causa dele que o véu continuava rasgado.

O inimigo atacou sem avisar, a espada descia em direção a Sai, sem se dar conta do perigo que corria o rapaz apenas encarava sem entender as atitudes das jovens a sua frente. Rin não perdeu tempo e liberou seu chakra através de sua mão transformando o punhal em uma espada impedindo que o golpe inimigo atingisse o objetivo, o rapaz moreno percebendo o choque de espadas próximo a sua cabeça apenas caiu sentando assustado com a situação, os olhos negros refletiam a batalha que Rin travava com o recém-chegado desconhecido. Hinata por sua vez avançou antes que o inimigo tentasse atacar Haku que ainda amparava seu companheiro, o punhal já havia se transformado em espada e o golpe foi contido dando inicio a uma rápida sequencia de golpes firmes e fortes.

Zabuza sentiu o sangue subir pela garganta e o corpo pesar, ajoelhou-se ainda apoiado no ombro de Haku que parecia nem notar as batalhas que aconteciam a sua volta, o ponteiro estava quase no zero.

– O véu está se reestabelecendo... – O terceiro inimigo se manifestou próximo a Zabuza. – Não podemos voltar sem nada. – Apontou a katana em direção ao garoto que parecia nem se importar.

Antes que a Hinata ou Rin pudessem ter alguma reação o golpe fatal foi desferido, Zabuza segurou a lamina deixando o sangue de sua mão escorrer, apertou firme e para a surpresa do agressor puxou o objeto com força extrema desarmando o inimigo, com destreza o homem girou a katana segurando o cabo, levantou-se e avançou com velocidade o homem a sua frente estava paralisado sentindo o medo bloquear todos os seus sentidos.

– É meio pequena para mim. – Zabuza afirma sorrindo enquanto atravessa o peito do inimigo. – Mas vai quebrar um galho. – Enquanto a lamina afunda o homem aproxima-se até o ponto de poder sussurrar para que somente a vitima escute. – Vejo você no inferno! – Zabuza tombou.

– Por favor, Zabuza-san! – Haku aproximou-se chorando. – Não me deixe sozinho...

– Você tem que viver... Você merece... Não desista. – A voz estava arrastada e saia com dificuldade.

O ponteiro atingiu o zero completando sua rota e encerrando a contagem do tempo, o homem morreu nos braços de seu amigo e o véu foi restaurado.

Quando o véu é restaurado ele gera um enorme deslocamento de energia, a potencia do evento atingiu todos encerrando as batalhas e lançando todos ao chão, aquilo causava um efeito traumático nos vivos que desmaiavam instantaneamente, por outro lado os espíritos ficavam apenas atordoados. Hinata recuperou-se rapidamente tentando alcançar Rin que estava no chão.

– Vamos Rin. – Hinata tocou o ombro da moça que se mexeu devagar. – Temos que sair daqui. – A menina iniciou a viajem levando a amiga junto.

– Perdemos a menina de olhos brancos e aquela outra garota. – O primeiro levantou devagar se recuperando.

– O mestre não vai gostar... – O outro bufou de raiva. – É a primeira vez que ela está tão desprotegida...

Os homens voltaram iniciaram a transferência desanimados, enquanto Sai e Haku permaneciam desmaiados, o efeito desse tipo de evento causa um trauma nos vivos reparado apenas pelo total esquecimento dos eventos, que era o que ocorria na maioria das vezes, entretanto para aqueles dois não seria tão fácil, por trás do semblante sereno as lembranças se enraizavam em suas memórias forçando-os a ligar-se aquele momento singular, a partir daí teriam uma vista privilegiada do outro mundo, um poder que aprenderiam a controlar e a aumentar com o tempo. Acordaram uma semana depois em um hospital de Tokio e sem combinar entre eles disseram apenas não se lembrar de nada. Hinata visitou ambos para averiguar se haviam superado o trauma, ao perceber que não deu-lhes instruções e foi designada para acompanhar o progresso deles de perto, era importante ter médiuns como aliados.

O moreno saiu do banheiro enxugando o cabelo com uma pequena toalha, estava com outra presa em sua cintura, Hinata estava distraída e quando notou o rapaz apenas virou-se um pouco corada e ficou observando a parede, Sai vestiu o uniforme escolar.

– Vamos logo olhos brancos... – Disse passando por ela e abrindo a porta. – Não vai querer se atrasar.

Hinata apenas sorria e acompanhou o moreno que ao passar pela sala pegou a chave da moto. Aquele seria um dia interessante.

Notas finais
:D Até o próximo!!!