A ultima rosa
1 PRÓLOGO
[...] desviei o olhar, mudando o meu foco, tentando disfarçar o efeito que aquele olhar havia me causado.
Minha alma de mulher estava se sentindo lisonjeada com a insistência daquele olhar, minha vontade era retribuir com um sorriso, nem que fosse discreto, mas algo me dizia que isto era uma furada, ele era uma furada. Naquele momento resolvi não ceder ao seu olhar, não ceder a ele.
Dei de costas e fui andando em direção a saída, querendo passar a imagem da mulher firme e decidida que eu sabia muito bem que eu não era.
Conseguia sentir seu olhar fixo me acompanhando enquanto eu ia em direção ao estacionamento; algo nele me causava calafrios e ao mesmo borboletas no estomago.
Eu estava me sentindo estranha com aquela situação, estava tão atordoada que quase não consegui encontrar a chaves do meu carro, que estavam na minha própria mão, acabei rindo de mim mesma.
Coloquei a chave na ignição, quando já estava pronta para dar a partida, notei um pedaço de papel e uma rosa presa no pára-brisa do meu carro. Peguei e li:
Clara
Posso afirmar que é ainda mais bonita do que me falaram. Agora, observando a sua beleza posso ter a certeza que sim... Um homem seria capaz de matar ou morrer por você.
Com grande admiração
Leonardo
Se tratava do rapaz do olhar fixo, esse bilhete me causou um arrepio dolorido na espinha e um nó na garganta e ainda veio acompanhado de uma rosa vermelha, que particularmente é a flor que me causa mais horror e lembranças horríveis.
O seu intuito com toda aquela atitude me soava como acusação e tinha até um tom ameaçador. Eu não imaginava aonde aquela situação toda iria parar; mas chegou o ponto que eu não pude mais resistir à aquele olhar... Foi ali que começou a minha perdição.
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