A ultima provação!

4 Capitulo 3: Primeiras impressões.


Se parar para pensar bem, durante toda minha vida sempre estive a correr atrás ou em direção a algo, e esta manhã não estava sendo diferente.

Corria desviando de retardatários pelo caminho, a maioria pessoas lerdas com o corpo de pé e a mente dormindo, guiados apenas pelo senso de cumprir uma rotina diária idêntica e sem graça, como se estivessem mortos, o que não era diferente de mim.

A mochila pendurada apenas na alça direita batia em minhas costas devido ao movimento constante o qual mantinha, graças a isto já era certo saber que meu material estaria uma enorme bagunça quando a abrisse. Olhei no relógio, ufa, 06:52. Já podia ver os portões que se fechavam as 07:00. Reduzi um pouco a passada, já estava ofegante e suado, não me importava com o que as pessoas pensariam, mas por mim mesmo, gostaria de estar apresentável no primeiro dia de aula na faculdade.

— Cuidado! – Alguém gritou.

Olhei para trás a tempo de ver uma confusão de branco em preto se atirar em minha direção. Desviei trombando no muro e a deixando passar antes de trombar em mim.

Era uma garota baixa, pele branca, jeans escuro e camiseta de alça preta, também carregava uma mochila e corria como louca. Pelo jeito, a estúpida havia desviado de alguém e quase se chocado em mim, mas não importava.

Voltei a correr e de imediato tive vontade de matar aquela jovem. O maldito muro possuía tinta branca fresca e agora todo meu ombro respingava. Há! Encima da hora e com a camisa repleta de tinta, não podia começar melhor o ano.

O porteiro me informou que eu poderia verificar se havia alguma camisa no achados e perdidos, mas já era 06:59, preferi seguir as pressas para minha sala, e lá estava eu ao encontrá-la com a porta já aberta e a professora de pé de frente para turma,olhei no relógio, 07:02. Que espécie de professora neurótica com horários chega as 07:00 em ponto?

Agora era tarde para reclamar ou me arrepender do atraso. Fiquei de frente a porta aberta e bati três vezes para chamar a atenção da professora.

— Olá. – Disse ela se virando para mim. Era jovem, certamente não teria mais de trinta, sorria com alegria e entusiasmo, mesmo ao me receber, um aluno sujo, cansado e com muita, mas muita raiva estampada no rosto.

— Bom dia, eu serei desta sala, tive um pequeno inconveniente no caminho, mas nada que vá me atrapalhar até a hora do primeiro intervalo.

— Bom, gosto de alunos dedicados assim, pode entrar, estava fazendo minha apresentação, sou a professora Sarah, e também propus para uma melhor interação uma apresentação de cada aluno, você poderia ser o primeiro? – Ela sorriu indicando a frente do quadro ao seu lado, de frente para toda classe.

— Não me importo. – Não queria me apresentar, muito menos fazer amizades, queria apenas me sentar. Andei até o centro da sala de frente para todos. – Meu nome é Steve H.G. , tenho dezoito anos, vim para esta instituição por indicação do time de basquete, então não tenho intenção de fazer parte de qualquer outro clube. Fora isso, sou calado e quieto, não se preocupem comigo, obrigado.

Fui em direção a cadeira indicada por Sarah após essa apresentação não muito bem recebida, embora pudesse ouvir alguns murmúrios no momento em que citei o clube de basquete.

O assento era próximo a janela de onde vinha uma brisa refrescante que secava o pouco suor que me restava e também aquela tinta irritante, que pelo menos não exalava um odor forte. Creio que o local foi escolhido por ela por este motivo. Até que era esperta.

Os outros alunos iam e retornavam após se apresentar seguindo a ordem das mesas. Para ser sincero, eu mal olhava o rosto de cada pessoa, apenas queria saber quem é ou não de minha sala e pronto, não desejava perder tempo com amizades que se perderiam em alguns anos. Pensando bem, quais eram seus nomes?

Até que finalmente alguém me fez prestar atenção na apresentação. Sim, era ela, aquela maldita garota branca que quase trombou em mim mais cedo. Já era de se esperar, minha vida inteira já parecia um Mangá Shounen ou Shoujo barato, é claro que a causa de meu infortúnio matinal estaria na mesma sala que eu. Minha vida era um clichê barato.

— Meu nome é Sheyla L. Constance, prazer em conhecê-los. – A voz era suave e agradável. – Minha família e eu nos mudamos para esta cidade pouco antes do começo das aulas, então ainda não conheço ninguém. Espero que possamos ser bons amigos nestes anos que estão por vir. – Para encerrar um sorriso tão branco que chegava a brilhar.

Minha primeira impressão durante a manhã: Eu não gostava dela. E agora após a apresentação eu gostava menos ainda, embora pareça ter agradado a todos. Minha vontade era rir, mas como sempre, preferi ignorar.

Aquela voz suave, tão compassada e sem alterar nenhum tom durante toda apresentação a qual foi encerrada com um sorriso brilhante? Qual é. Podia ser que ela realmente desejava aquilo, mas para mim tudo era falso, e aquele discurso já havia sido usado inúmeras vezes.

Além dela, alguns outros alunos geraram pequenos alvoroços em suas apresentações. Acredito eu que se tivesse prestado atenção poderia até mesmo ter achado alguns interessantes, mas como de costume, não prestei atenção.

Após todas aspresentações as aulas finalmente começaram, e pude seguir meus planos de colocar o sono em dia.

Quando se dorme durante quase todas as aulas o dia passa incrivelmente rápido. Por alguma razão os professores não me incomodaram, provavelmente um bom conselho da direção, o que tornou meu dia bem mais agradável. Nenhum aluno tentou se enturmar, me deixando aproveitar a tranquilidade daquele dia que começou ruim, mas tinha tudo para melhorar.

Após passar pelo portão vi novamente aquela garota, desta vez acompanhada. Estava ela encostada no muro da instituição e em sua volta cinco garotas com vestidos brancos curtos com detalhes em preto e vermelho, as cores que representam nosso colégio. Os pompons que cada uma segurava eram vermelhos repletos de algo brilhante prateado. Poderia considerar que se preparavam para o carnaval, mas era algo bem pior, eram Cheerleaders.

Aparentemente queriam convidá-la a se juntar a elas, ou poderia muito bem ser um principio de bullying, tanto faz. Qualquer que fosse a situação, com certeza não seria algo útil, pois ou você se junta a elas e se torna uma mulher fútil que acredita estar acima das outras, ou você recusa e elas te excluem do meio social de todo colégio lhe considerando uma perdedora. Ou pior.

Podia ser qualquer outra coisa, mas esta era minha visão a respeito de lideres de torcida em todos locais que estive, e se fosse este o caso, aquela garota teria sérios problemas.

Ignorei a situação, aquilo não me dizia respeito. Apenas virei às costas e fui embora para casa, assim encerrando meu primeiro dia de faculdade, o qual teria sido infinitas vezes melhor se não tivesse “esbarrado” com aquela garota.

Hunf. Respirei fundo, amanhã seria um dia melhor.

Notas finais
Só pra deixar claro, EU, não penso assim de Cheerleaders kkk Então, se alguma ler, por favor, não se ofenda :3