A ultima provação!

5 Capitulo 4: Um pesadelo vivo.


A escuridão do Domo escondia da humanidade apenas uma coisa: O mal. Não conseguia pensar em uma forma melhor de descrever o que se encontrava a minha frente.

Ao terminar de atravessar o Domo a jangada havia surgido direto no principio de uma praia próximo ao cais. Esperava uma escuridão absoluta como a de meus pesadelos, mas aparentemente os raios solares atravessavam parcialmente o Domo, dando a sensação de uma noite iluminada pelo luar, sendo que por alguma razão, alguns pontos eram bem mais escuros que outros, e as sombras pareciam se mover como se estivessem vivas. Grande parte da areia estava tingida de um vermelho tão forte que se tornava nítido mesmo na escuridão, algumas partes havia poças deste liquido, o qual não era tão inocente de acreditar ser tinta, obviamente era sangue.

Pessoas certamente haviam morrido ali, a visão era aterrorizante. Senti pena, tristeza, talvez algo mais, mas foi só. Outra pessoa gritaria, ajoelharia e vomitaria, ou coisas do tipo, talvez eu mesmo fizesse, mas sentia que algo dentro de mim estava quebrado desde que acordei naquela jangada. Era como se meu coração estivesse retirando tudo que eu considerava desnecessário e se focando apenas no que realmente importa: Sheyla. Focar-me nela realmente era essencial, mas sentia que estava pouco a pouco me tornando menos humano.

Comecei a andar pela praia com cautela. Várias coisas passavam por minha cabeça naquele momento. Se tudo aquilo era sangue, onde estavam os corpos? Não havia sequer um dedo até onde a visão podia alcançar. Quem ou o que teria feito aquilo? E talvez o mais importante, como eu sabia exatamente para onde ir? Meu coração parecia um GPS, podia dizer a direção que devia seguir a cada pontada de dor que sentia. A dor era suportável e ritmada, vinha de vinte em vinte segundos. Era bom tê-la, minha companheira nesta jornada, ela me lembrava que Sheyla estava viva.

Tudo naquele local era hostil. A brisa de ar que atravessava o Domo se misturava a diversos odores, tornando o ar desagradável e enjoativo, carregado com o cheiro da morte. Apenas um alerta constante de que ali, não passávamos de invasores. Os locais onde as sombras eram mais densas tremeluziam, e as vezes me assustava vendo tentáculos ou coisas semelhantes se esticando em minha direção, até perceber que se tratavam vez ou outra de um guarda sol cravado na areia com panos grudados em sua lateral balançando, um simples pilar do cais repleto de fios, ou coisas do tipo, contanto que estivesse em um local mais escuro, qualquer coisa parecia uma ameaça.

“Sheyla, espere só mais um pouco, já estou chegando!”. Este era um dos pensamentos constantes em minha cabeça que mais parecia um furacão que tentava seguir para diversos rumos, porem conseguia apenas girar em um único lugar.

Sheyla era inteligente, de personalidade e mentalidade forte. Talvez para qualquer outro, pudesse ser considerada de aço, o que infelizmente não era verdade. Eu sabia o quanto ela era frágil, gentil e se preocupava com as pessoas a sua volta. Ver algo como o que imaginava ter ocorrido aqui, deve tê-la exaurido de formas inimagináveis. Precisava chegar até ela urgente.

Aumentei o passo ainda mantendo a cautela. As sombras mais densas continuavam a tremeluzir, muitas vezes direcionando minha atenção a elas apenas para descobrir ser algo sem importância balançando.

Já saindo da praia podendo seguir em direção ao cais ou começar a me entremear na cidade, ouvi um barulho estranho, parecia um galho quebrando, um bem grosso e forte. Olhei para o lado, o som vinha da entrada de um dos estabelecimentos de pesca. Fiquei imóvel de imediato, apenas olhando naquela direção. As sombras eram densas na entrada do estabelecimento, o que fez com que eu forçasse ao máximo as vistas e dedicasse minha atenção naquele ponto especifico.

Esperava ver varas de pesca caídas ou algo do tipo. A sombra era densa demais para ver através dela, e não havia movimento algum para distinguir alguma forma. Podia ser apenas minha imaginação pregando alguma peça, ou uma simples tabua do cais se quebrou com uma onda do mar e o pânico momentâneo fez ter impressão de que o som veio dali.

Fiquei assim um tempo, talvez uns 5 minutos, eram apenas sombras. Quando o alivio surgiu, percebi que estava tão imóvel que havia travado a respiração todo este tempo, então expirei relaxando o corpo de toda tensão.

Foi então que “a sombra” abriu dois olhos e avançou em minha direção.

Notas finais
Infelizmente meus dias estão para se tornar um pouco mais atribulados, então fiz questão de adiantar um pouco este capitulo, embora infelizmente não o revisei devidamente. Espero que possam aproveitar a leitura, e até o próximo capitulo, que acredito vá demorar um pouco mais de uma semana se tudo der errado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.