A ultima provação!

2 Capitulo 1: A separação.


O irritante bip do despertador havia começado, enquanto forçava meus olhos a se abrirem ouvi um clique o desligando.

— Só mais cinco minutos, amor. – Era a voz cansada de minha esposa. De imediato abandonei a tentativa de abrir os olhos e relaxei na cama.

Realmente, um dos maiores luxos da vida é poder voltar a dormir após acordar exausto, mesmo que fossem apenas cinco minutos. Sentia-me sendo revigorado, o calor de Sheyla ao meu lado e aquela leve brisa de outono adentrando pela pequena abertura na janela que sempre deixávamos. Eu poderia ficar assim por horas, que dia perfeito.

— Puta merda. – Gritou Sheyla tão alto e repentinamente que me fez levantar em um salto. Já de pé ao lado da cama meio desorientado tentava entender a situação. – Já são quase dez horas, meu deus. Você dorme demais, não acredito nisto. – Disse ela já correndo em direção ao banheiro.

Meu cérebro demora um pouco a pegar no tranco ao acordar, mas finalmente me liguei na situação. Ela tinha uma viagem hoje para Mannhattan e eu iria acompanhá-la ate o aeroporto. Já sabendo de nossos mal hábitos, havíamos programado o despertador para as 07:00, mesmo a viagem saindo as 11:00.

— Puta merda. – Disse eu já me colocando a correr para a cozinha. Preferia ir ao banheiro primeiro, mas até ela sair, creio que já terei adiantado muita coisa. Mulheres e seu tempo quase infinito no banheiro, nunca irei entender. – Deveriamos ter mais despertadores, você sempre o desliga e a gente se atrasa. – Falei enquanto passava em frente ao banheiro. Ela tentou esconder, mas pude ouvir um risinho baixo, não pude deixar de rir também. A gente não se atrasar realmente seria impossível.

Minhas habilidades culinárias não eram das melhores, mas iriam servir. Com agilidade fiz duas poções de ovos mexidos com bacon, e enchi dois copos grandes com suco de laranja que estava na geladeira. Correndo já de volta para o quarto, separei a roupa que usaria e peguei a mala de Sheyla levando-a para a sala, próximo a porta. Perfeito. Voltando ao quarto me sentei na cama e esperei um curto período de tempo até que ela saiu do banheiro, e o adentrei como uma bala.

Meu banho foi rápido. É como dizem, a pratica leva a perfeição, e eu tenho anos em pratica em me atrasar com ela e seus banhos demorados.

Já arrumado, mesmo que as pressas fui para sala apressar Sheyla. Ela estava parada de pé ao lado da mesa. Usava um discreto vestido preto de mangas curtas, e sua maquiagem era bem leve, apenas para evitar que ficasse vermelha com facilidade devido a sua tonalidade de pele tão branca que quase chegava a brilhar. Estava com cara emburrada e me olhava intensamente com aqueles olhos negros, poderia dar medo se não tivesse apenas 1,52 de altura. Dei um sorriso.

— Ainda não comeu? Estamos atrasados. – Disse indo em sua direção.

— Você demora muito, e estava te esperando!

— Deveria ter comido. – Dei-lhe um beijo na testa. Realmente queria que tivesse me esperado.

— São 10:25, temos 5 minutos pra comer e sair, seja rápido. – Disse ela me empurrando para trás e se sentado em sua cadeira já atacando como um animal o prato de ovos mexidos com bacon.

Dei a ela um minuto de vantagem, sou mais rápido que ela para comer. Este um minuto foi muito bem gasto a apreciando, era quase como um ritual que fazia toda manhã, olhar para ela me dava forças para vencer o dia, apenas esperando vê-la quando a jornada de trabalho chegasse ao fim. Ela possuía algum tipo de magia, algo que me prendia, pois mesmo se alimentando como um animal selvagem ela ainda possuía um brilho que nunca vi em nenhuma pessoa, e me sentia realmente grato por me apaixonar por ela todos os dias, e assim seria até o fim dos tempos.

— Toda manhã você faz essa cara de besta, mas hoje realmente estamos atrasados sabia? – Disse ela em uma pequena pausa entre uma garfada e outra, logo tomando um grande gole de suco, e voltando novamente a atacar o alimento em seu prato.

— É que me assusto com você comendo. Cuidado para não se engasgar.

10:30. A mala já estava no carro e estávamos partindo em direção ao aeroporto. Por sorte o transito estava tranquilo e chegamos ao nosso destino em tempo recorde, sem nenhum inconveniente, até mesmo os semáforos pareciam estar nos ajudando.

Após toda burocracia entre outros aborrecimentos, finalmente chegamos a zona de embarque as 10:56.

Abraçamos-nos e nos beijamos antes que ela seguisse em direção ao avião.

— Boa sorte em sua entrevista querida.

— Obrigada. Quando voltar vamos comemorar vendo filmes na Netflix e comendo pizza. – Gritou ela antes de embarcar. Com a porta já se fechando ainda pude ver seus lábios se mexendo uma ultima vez “Eu te amo?” parecia o que foi dito, mas o barulho não me deixava ouvir.

— Estarei a sua espera, vá com Deus! – Falei baixo, ela já estava fora de meu campo de visão, e mesmo que gritasse o barulho ao redor não permitira que escutasse.

Enquanto assistia ao avião decolar senti um pequeno aperto no coração. “Saudades?”, mas já? Não, era diferente, eu acho.

Voltei para casa e fui dormir. Hoje iria trabalhar a noite, e não poderia ligar para Sheyla por cerca de nove horas que era o tempo médio que o avião iria demorar a completar a viagem.

Acordei no horário sem ela para desligar o despertador que ficava no criado mudo de seu lado da cama. Era realmente estranho sair no horário, mas bom que me sobraria tempo para telefonar assim que chegasse à empresa.

Já no carro a caminho do trabalho, os semáforos novamente pareciam de bem comigo, estava sendo realmente um dia bem agradável. Foi então que senti novamente aquele aperto no peito, porém desta vez muito mais forte.

— Arg, que merda é essa? – Falei automaticamente. O aperto ocorreu de novo, mais forte ainda e continuo. Parecia uma adaga perfurando meu coração, sendo girada, arrastada, e retornando a apunhalar novamente. Minha visão ficou turva, meus braços perderam a força e caíram paralelos ao corpo. “Ow merda”.

A dor era enorme, o normal seria eu estar comprimindo meu peito, mas ao invés disto o restante de meu corpo parecia mole, completamente anestesiado. O peito doía, a mente funcionava, mas o corpo estava desligado. A visão cada vez mais escura, porém ainda conseguia enxergar quando meu carro declinou para a pista ao lado da qual estava e foi de frente para um caminhão. Pronto, escuridão. Não havia dor, não havia nada.

Notas finais
Bom, demorei um pouco a mais que o previsto devido a minha amável cobaia (amiga leitora *-*) ter dito se perder em alguns trechos da narrativa, e fiquei a pensar em como alterar ou reformular os ocorridos, deixando desta forma. Casa aja algum ponto negativo ou positivo, estou sempre aberto a criticas e conselhos.