A ultima noite

1 A ultima noite


A noite estava fria, mas ainda assim a rua estava lotada. Desde jovens até idosos, todos haviam saído para aproveitar a primeira noite sem chuva em semanas. Eu estava desesperada, eu e meu namorado havíamos combinado de nos encontrar na frente do restaurante e eu já estava esperando há quinze minutos. Bip. Finalmente, ele havia mandado uma mensagem dizendo que estava preso no trabalho e que podíamos nos ver amanhã. Sai da porta do restaurante e me juntei à multidão que caminhava na rua, indo em direção ao meu carro.

Depois de andar uns quilômetros, o carro parou. Desci para olhar, e descobri que estava saindo fumaça do motor.

-Merda, mas que merda.- Gritei enquanto chutava uma lata que estava na calçada.

Olhei em volta para ver se tinha alguém para me ajudar, mas não havia ninguém. Nos dois lados da rua, os prédios acinzentados pareciam abandonados. Eu estava em uma parte desconhecida da cidade, pois o caminho que costumo a fazer estava interditado, e não faço ideia de como chegar em casa daqui. Peguei meu celular para chamar o guincho e descobri que eu estava sem bateria. Merda dupla, pensei.

De repente, uma sombra do outro lado da rua se mexeu, e comecei a pensar em todas as possibilidades, podia ser uma ajuda ou alguém que fosse me roubar ou me matar.

-Está tudo bem? – Gritou o estranho, que estava caminhando em minha direção- Seu carro está quebrado?

-Sim- Respondi aliviada, pelo visto, era uma ajuda- Você poderia me ajudar?

-Claro, hoje é seu dia de sorte. Sou mecânico.

Não diria que era meu dia de sorte, mas pelo tinha arrumado ajuda. Não seria hoje que morreria. Tão logo pensei isso, e ele se moveu para mais perto, em sua mão carregava uma arma, e está, estava apontada para mim.

-Acontece, que eu também sou um assassino- Dizendo isso atirou.

O tiro não me acertou. Eu me virei e sai correndo, ele veio atrás. Virei a esquina e arrombei um velho prédio, o que não foi muito difícil, pincipalmente porque a fechadura estava toda enferrujada. Fechei a porta e corri para as escadas, acho que nunca corri tão rápido quanto agora. Parei ao chegar ao quarto andar. Fui até o fim do corredor e abri a porta de um dos apartamentos, ele ainda estava mobiliado apesar de estar coberto de pó de teia de aranha. Empurrei o sofá na direção da porta e depois fiz o mesmo com outros moveis, criando uma muralha.

-Não adiante se esconder, eu irei encontrá-la.- Ele havia entrado no prédio e logo iria conseguir achar o apartamento certo.

Eu iria precisar me defender, então decidi pegar algumas facas na cozinha e fui naquela direção, fazendo o menor barulho possível. Daí, percebi que contra uma arma, minhas facas seriam inúteis, ainda mais porque não saberia com usa-las. Caminhei silenciosamente em direção ao fundo do apartamento, esperando achar o quarto, e ao encontra-lo, abri a porta do armário para me esconder lá. Peguei várias roupas e toquei no chão, fazendo um monte, e me escondi em baixo da pilha de roupas. Esse homem deve ter problemas, pensei. Segurando as facas, fiquei esperando que ele desistisse. Quando achei que estava a salvo, ouvi um barulho. Ele devia ter derrubado a barreira. Os paços pareciam ficar mais altos e então a porta do armário foi aberta.

- Eu disse que eu iria te encontrar- falou levantando a pilha de roupas.

Gritei e enfiei as duas facas nele, uma em cada pé. Voou sangue por todo lado, e enquanto ele gritava eu fugi. Sai do apartamento de corri pelo corredor, desci as escadas deito louca e decidi me esconder no segundo andar. Abri uma porta qualquer e comecei a fazer outra barreira, mas não fui rápida o suficiente, ele me alcançou e mesmo sem conseguir caminhar direito veio em minha direção. Corri na direção da janela, pensando em pular, era melhor que ficar ali com aquele maluco. Antes que eu chegasse a janela, ouvi um barulho de tiro. Senti o metal frio penetrando meu corpo, indo para meu coração. Fechei os olhos e esperei pela morte.

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