A ultima dança.
2 Morte de um, morte de vários.
Rainha Aline
Todos estavam ali, sentados, olhando para mim, e para Luis, o que falaríamos? Que nossa filha fugiu? E se perguntasse o motivo, só eu sabia, e imaginava o motivo dela ter fugido, e iria contar! Mesmo não querendo ver minha filha morta, era meu dever, isso era contra todos, contra a igreja, e principalmente a Deus, não iria querer uma filha rebelde assim, e logo subi a escadaria principal, para avisar, a todos os convidados, que o casamento, havia sido cancelado, todos ficaram sem se movimentar, era praticamente impossível o que havia acontecido, mas porque logo ao meu reino? Porque em minha família? Era difícil imaginar o motivo, se todos os príncipes e princesas tinham o mesmo pensamento e principalmente a mesma educação, mas ela leu, leu os livros que eram proibidos, sem ninguém saber, o que me restava, era com que meu marido, mandasse os guardas atrás dessa infeliz, coisa que ele já tinha feito e que por sinal, com muito desgosto, era realmente estranho a reação de Luis, não queria ter enviado os cavaleiros atrás de Angelina, aposto que não quer que ela seja encontrada, para não ser morta, mas é algo absurdamente diferente esse tipo de reação nele, ele nem se quer falava com ela, nenhum rei mantem contato praticamente com as filhas, e porque reagiu daquele jeito? Além dele sempre seguir as regras, e sabia que com o que ela fez, era realmente errado, e provável que não teria perdão. Não fiquei com essa dúvida e resolvi perguntar enquanto saíamos da escadaria principal.
–Luis, o que houve? Porque se recusou a mandar os cavaleiros, se não fosse o clero dar a ordem você...
–Aline, ela é minha filha, e se ela fez algo errado, não sou eu que vou entregar ela para morrer em alguma fogueira, ela tem meu sangue, e não quero levar a culpa por toda vida, por ter matado minha herdeira, mesmo sabendo que deveria ser o certo, não vou dedura-la, se quiser, faça o que achar melhor, nisso estou fora, e se precisar irei contra a vontade do clero.
Aquilo que acabará de ouvir, era duro, se alguém escutasse aquilo, meu marido, o rei, iria levar uma bronca daquelas, iria ser considerado um pecador, estava indo propriamente contra o certo, o que aconteceria ali? Estava sendo um pai? Isso não o interessava, ele só queria saber de poder, coisa que não estávamos tão bem, graças as guerras, e mortes que estávamos enfrentando. Ele me virou as costas, ele disse que era para mim fazer o que quiser, certo? Sim, eu vou fazer o que realmente manda a igreja, ela era a certa, e assim sempre será! Me virei, e dei ordens, para que todas as patrulhas que ainda não tinham ido atrás de Angelina saísse, e teria de trazer ela viva, ou se não, nem aparecesse ali mais, ao não ser, se quiserem ficar presos nos calabouços, e que vasculhassem todos os lugares atrás dela, até se for no inferno.
Thomas.
Realmente, meu dia não estava sendo um dos melhores, o que havia acabado de acontecer? Eu estava ali, chegando a casa dos meus pais, e falaria que iria fugir com uma princesa? Era algo inacreditável o que eu estava fazendo, parecia loucura, mas tudo compensava, só de olhar para ela, cabelos pretos, olhos castanho avermelhado, branca como a neve, era incontestavelmente linda, só de olha-la já trazia a felicidade para alguém, estava disposta ajuda-la, não só pela beleza, mas por tudo, pelo seu jeito, e coragem, logo que iriamos entrar em minha casa, ela me puxou e disse:
–Espere, não acha melhor contar alguma mentira? Não é por nada, mas é confiável contar a todos de sua casa isso? E se eles contarem ao meu pai, mãe, ao clero em principal?
–Se acalma, Angelina, confie em mim, eles são confiáveis, garanto isso a você.
E então entramos em minha casa, meus pais me observaram assustados, eu? Com uma garota? Era realmente difícil de acreditar, sério, nunca ousei a trazer alguém aqui, minha mãe até reclamava e achava estranho, mas não tinha achado ao certo, uma pessoa que me interessava, não até agora, e até hoje.
–Mãe, pai, e Anthony essa é Angelina filha dos reis...
–Da França –Disse minha mãe assustada.
–Como você sabe...eu nem estou vestida como uma princesa e...-Disse Angelina
–Não sei se você se lembra, mas fui eu que estava até agora pouco, arrumando seu vestido, e via sua expressão, você fugira garota? Sabe o que pode acontecer?
–Sim, eu já sei...mas é que eu não podia ficar ali, seria difícil e...
E Angelina, contou aos meus pais, o que havia acontecido, todos concordaram, menos Anthony, meu irmão, que começou a discutir, chegando a ter vir em cima de Angelina, como se fosse agredi-la, agora questão era, porque?
–Anthony, se acalme, para que isso?
–Você sabe, mãe, se descobrirem que encobrimos essa tamanha falcatrua, estaremos literalmente mortos! E tudo por causa de uma princesinha sonhadora.
Aquilo pareceu ofender Angelina, que se levantou do banco de madeira que estava sentada, em minha cozinha, aos berros com Anthony, indagou um xingamento, por respeito, e disse:
–Eu não preciso de sua ajuda, nunca pedi a você, só preciso que mantenha isso em segredo, esse é o único favor, mas acho que será meio difícil vindo de você, pois pelo seu jeito, só deve se preocupar com você mesmo, mas ajuda mesmo só quero de Thomas, e de seus pais, que por sinal, não creio que você ainda com essa falta de educação seja prole deles –Angelina deu as costas a Anthony, fazendo ele sair batendo os pés –Só espero que o senhores, liberem ele para ir comigo, sei que é difícil, mas necessito de ajuda. Entenderei se vocês não quiserem e...
Antes que Angelina terminasse a frase, o meu pai, levantou e disse com o maior sorriso, ele e minha mãe, que por sinal, nem cheguei a se quer apresentar o nome dos dois para Angelina, abriram sorrisos lindos, e verdadeiros e disseram ao mesmo tempo:
–Sim, você pode levar meu filho.
Não conseguia conter minha alegria, sim, eu estava animado, em ir nessa louca viagem dos pecados, mas não importava, só de tentar algo novo já era muito bom, era magnífico, Angelina também, ela não conseguia segurar a felicidade em seu rosto, combinamos de partir ao por do sol, e ali em diante teríamos um novo rumo a seguir, juntos, um pelo outro.
Rei Luis I.
É, esses últimos momentos não estava fácil no castelo, não, logo daria o por do sol, e nenhum sinal de minha filha, e o que me impressionará era minha esposa, Aline, parecia uma bruxa desgovernada, atrás de sua vassoura, sinceramente, ela deveria se acalmar, se não iriam confundir ela a uma bruxa mesmo, e ela iria parar na fogueira, e iria começar uma nova caçada as bruxas, porque, ela parecia estar pirando durante esse tempo, e bateu em minha porta, era o Papa da Igreja da Inglaterra, Áquila, e o papa de meus país, Verone, os rostos deles, estavam com uma expressão nada amigável, chegava a dar medo, o papa da Inglaterra, Áquila, virou-se e disse.
–Nós dois, o papa dos países que eram para ter os herdeiros dos reis casados a momentos atrás, estamos aqui, para declarar a você, rei da França, e ao rei da Inglaterra, que já está a caminho da sala, apenas algumas coisas, só espere um pouco.
Logo o rei entrará na sala, e o discurso dos papas, começava.
–Bom, o que a gente vai falar, é algo bem simples, se não encontrarem a menina, que fugiu, pelo motivo que sua esposa disse, senhor da França, de não querer se casar, por não querer uma vida assim, e não obedecer as nossas ordens, haverá uma rebelião, e aposto que todos vão ficar a favor do clero, sempre ficam, não é mesmo? Quem seria louco de ir contra as forças do poder divino? Ninguém, e por esse mesmo poder, venderemos indulgencias plenas, a todos, que quiserem realmente ir para o céu, e não iremos querer dinheiro, produtos, ou algo do tipo desses miseráveis, colocaremos eles para guerrear, em nome do poder divino, Inglaterra contra França, e isso provocará muitas mortes, e sua consciência, Luis I? Um monte de gente morrendo por uma menina rebelde? E você senhor da Inglaterra? Perderia impostos de seus miseráveis, se encheria de prejuízos com tantos mortos, seria algo aceitável? –Disse o papa da França, com a concordância do papa da Inglaterra.
–É, realmente seria horrível se isso acontecesse, nunca permitiria tamanha barbaridade com meu povo atoa, por uma garota idiota, que arruinou a minha reputação, e principalmente a de meu filho, vou mandar minhas tropas irem atrás dela também, imediatamente.
–Espere, se acontecer isso, quem irá suprir os impostos que a igreja ganha? A igreja vive do povo, o que irá acontecer? –Falei com tom agressivo.
–Ora, ora, ora, nós papas, e o clero, podemos nos refazer em outro lugar, e se algo acontecer de tão grave, pegaremos a fortuna de vocês, pense bem, ou traga a menina, tanto faz, se for morta ou viva, irá pagar por isso de qualquer forma, mas a traga, se não quem sofrerá as consequências, será o seu povo, e vocês, caso morra muita gente.
Não tinha o que contestar, só poderia concordar, o jeito que os papas falaram, chegava a dar medo, como eles podem ter tanto poder? Como iria salvar minha filha? Essa era questões que me atormentavam, agora era arrumar um jeito, só tinha realmente apenas um jeito, era ir atrás de Angelina, e ajuda-la a fugir, para bem longe, e nunca mais voltar, isso seria um grande pecado, mas valeria a pena, eu poderia matar algo em vez dela, e trazer para cá, mas se algo der errado, se descobrirem minha armação, provável que eu perca meu trono, e toda minha riqueza, que já está tão pequena.
Angelina.
É, as coisas iam bem, iam ao meu favor agora, mas queria ser um mosquito, bem pequeno, para saber o que estava acontecendo com todos da nobreza e clero, o que o meu ato havia provocado, mas, não ia me martirizar por isso, precisava sair dali, e rápido, Thomas, já arrumava o burro para irmos, mas um burro não seria de grande utilidade, e além do mais, era o único meio de locomoção da família, então fiz questão que fossemos andando, ele questionou no inicio, mas depois aceitou bem, então havia chegado o por do sol, e nos despedimos dos pais dele, e fomos andando, para algum lugar, sem rumo, andamos por muito tempo, paramos por vários momentos meus pés ardiam na sola, era realmente cansativo, mas prazerosa a sensação de liberdade, logo começou a ficar frio, então entramos numa roxa, que mais parecia uma mini caverna, e dormimos lá, com uma fogueira, até começar a pegar fogo nas palhas que estavam entre as madeiras, acordamos e continuamos andando, sem nenhuma vila a vista, percorremos muito, até chegar em um vilarejo, e andamos até eu topar com uma duquesa que ia nas festas de meus pais, que me reconheceu dizendo:
–Angelina? Princesa da França? É você?
Na hora não sabia o que pensar, mas Thomas soube o que falar.
–Olha, acho que você só pode estar confundindo, ela é Angélica, filha de Zeus e Hera, acho que você a reconheceu pois ela é filha de um senhor feudal, e eu sou seu marido, Cristian, prazer. –Disse Thomas rindo.
Naquele momento vi o quanto Thomas era cara de pau, como podia mentir com tanta facilidade? Sério, eu não conseguiria, mas algo me deixou intrigada, como ele sabia de “Zeus e Hera”? Tamanha coincidência com a Mitologia Grega, ou ele já lera algo parecido? Claro que a idiota da duquesa nem imaginava quem seria, pois não podia ler esse tipo de coisa, ainda mais se tratando de mitos, era como diz mesmo o papa? Ah, lembrei um “Sacrilégio”, era realmente uma grande besteira, a duquesa gorda, e com um vestido luxuoso virou-se e disse:
–Ah, filha de senhor feudal? Vejo que é de grande importância então, seu pai possui muitas terras, querida?
–Bem, sim, possui, inúmeras terras, sabe? –Disse eu, tentando mentir.
–Ah, que bom! –Disse a duquesa entusiasmada –Se quiserem ir na minha festa hoje, no castelo junto aos reis, então convidados, ok? E vê se trás o seu pai, quem sabe, meu marido negocia terras com eles, até mais. –Disse a duquesa saindo com suas gorduras balançando.
–Sério que ela não viu nossas roupas, e acreditou em tamanha mentira? –Falei
–Olha, eu nunca diria que você é filha de camponês, não teria como acreditar, sua pele não tem corte, nem suor, nada do tipo, e é bem diferente de muitas camponesas, é realmente linda –Disse Thomas corando.
–Obrigada, mas você não tem cara de quem é filho de camponês, mais é, e sua família é bonita por sinal, agora, uma coisa que me deixou intrigada, “Zeus e Hera”?
–Ora, Mitologia Grega.
–Tá, isso eu sei, mas como você lia? Se é difícil para mim, imagine para você, e como você sabe ler?
–Quantas perguntas em uma só, senhorita, mas ok, vou explicar, minha mãe, faz vestidos, é tipo uma serva, e ela sempre trabalhou em castelo, então, sua forma de pagamento, era com que os filhos dela estudasse, então eu ficava numa sala, onde explicavam para mim, e assim eu aprendi a ler, e meu irmão, bem, um pouco, sabe? Mas a questão da mitologia, é que quando queimaram uns livros, eu peguei eles, e li, por isso sei, entende?
Minha expressão era muito boa, uma pessoa que entendia o que eu já li? Mitos? Era algo inigualável e único, tive muita sorte de encontrar o Thomas, ele era tipo, demais.
–Mas, então, vamos ao baile?-Falei
Thomas me olhou com uma cara, de quem comeu e não gostou e disse:
–Olha, não é perigoso os nobres te reconhecerem, tipo, você era princesa, é ou era, não sei, agora é filha de um feudal, que é um Deus Grego, e tipo, nunca fui em bailes assim, não sei nem dançar, e nem agir com gente assim. –Falou Thomas sorrindo.
–Olha, é fácil, me siga, aonde eu for, e age como eu agir, é simples, mas eles não vão desconfiar que sou eu, tipo é realmente fácil de distorcer, eu sou filha de um senhor feudal, e você, meu marido, rico, e da nobreza, ok? –Disse rindo.
–Marido? Ok –Disse Thomas rindo –Mas aonde vamos achar roupas descentes?
–Ah, essa é a questão, bom, é só a gente ir até a duquesa, e falar, que sei lá, fomos assaltados na viagem, eu tenho uma pulseira, que ganhei aos sete anos, que ficou comigo, e deve ser de valor, ela vai acreditar, porque ninguém tem esse tipo de pulseira e eu dou a ela, e ela nos dá roupas novas.
–Acha boa ideia? –Disse –É meio arriscado e...
–Thomas, quieto, apenas me siga, e a vida nas histórias que eu li, sempre tem risco e emoção, por isso são as melhores.
–Ok, senhorita, vamos
E fomos até a duquesa, sério, não foi difícil achar aonde ela morava, logo que chegamos, fomos barrados na entrada pelos guardas, até que mandamos chama-la, e elas nos deixou entrar, inventamos uma história, falamos que assaltantes satânicos roubaram tudo, e disseram que iria usar nossos corpos para rituais e ela ficou horrorizada, que até me deu uma cruz de ouro, não só para mim, mas para Thomas também, foi muito engraçado, ela ficou um pouco traumatizada, mas deixou com que ficássemos com ela até o baile, nos deu alimento, e roupas maravilhosas, estava acabando de me arrumar, quando Thomas bateu na porta e entrou, mas ficou paralisado por um tempo.
–Como você está linda.
–Feche a boca, para não babar –Disse rindo –Você está magnifico, meu marido de mentirinha.
–Quem sabe não posso ser seu marido de verdade.
O olhei sorrindo.
–O que?
–Nada, vamos, temos um baile para enfrentar.
E Thomas, me deu os braços, e descemos até a escadaria principal, e os olhos se voltaram a nós dois.
Fale com o autor