A tribo das máscaras
1 Capítulo I
Alec Clark era um garoto de dezesseis anos, magro e baixo, que evitava á qualquer custo passar em vielas durante a noite. Ele acreditava estar sendo perseguido todo o tempo em que não estava dentro de sua casa, a qual considerava um território quase sagrado. A paranoia constante fez com que tivesse que frequentar um psicólogo durante um ano, mas depois de uma briga com o profissional, desistiu do tratamento, após, é claro, tacar-lhe o livro na testa e proferir todos os palavrões conhecidos por um garoto de sua idade.
Possuía uma excepcional coragem tratando-se de assuntos sobrenaturais. O que contrastava com seu medo de andar pelas ruas, ele mesmo dizia que “Devemos ter medo de pessoas, e não de fantasmas ou monstros.”.
Filosofia esta, que não se aplicava ao restante de sua família. Sua mãe, Beatrice, uma mulher enrugada e desajeitada, jurou ter visto um fantasma, na janela de uma casa velha, depredada e abandonada em um bairro afastado. Desde então não pisou novamente naquela parte da cidade.
Seu pai, Roger, um homem ainda mais baixo que Alec, gordo, careca e míope. Era igualmente covarde e havia, há não muito tempo, deixado o emprego em uma fábrica fora da cidade, logo após o contarem que um monstro vivia ali perto e que algumas vítimas já foram encontradas inteiramente despedaçadas e irreconhecíveis na floresta ao lado.
O lugar onde moravam não era, nem de longe, o mais convidativo da cidade. O bairro era um dos que apresentavam o maior índice de criminalidade do município, não era possível sair depois das oito da noite sem ser assaltado com uma arma na cabeça.
A casa era simples e mal arrumada, alguns vidros das janelas estavam quebrados e a parede do lado de fora era decorada com aviso do tipo: “cuidado, cão bravo” e num momento de súbita e espontânea inspiração, Beatrice pendurara do lado de fora do muro dos fundos uma placa metálica com letras miúdas dizendo: “Viveiro de cascavéis”.
Mesmo com os avisos não deixaram de ser vitimas de alguns pequenos furtos entre eles: uma cadeira que ficava na varanda, um quadro, algumas roupas do varal e por ultimo, mas não menos importante, roubaram uma das galinhas que o pai de Alec criava nos fundos.
Apesar disso. Era um bairro maravilhoso, os vizinhos, pelo menos os que nunca tentaram assaltar ninguém, eram ótimas pessoas que eram capazes de fazer qualquer coisa para ajudar, mesmo a um estranho.
Certa vez, a família Clark viajou para um fim de semana de confraternização familiar em uma fazenda á alguns quilômetros da cidade. Todos os familiares compareceram e tiveram um almoço agradável no primeiro dia, entretanto, logo depois, ao saírem para dar uma volta ao redor do lago da propriedade. O grupo que continha dezesseis pessoas, quando chegou bem perto da margem, pôde observar uma massa disforme boiando no meio do lago.
Pegaram uma vara para puxar a coisa e ver o que era. Ficaram muito assustados quando constataram que aquilo era um corpo em decomposição. Depois disso todos juntaram suas bagagens e voltaram para suas casas, isso poderia ocorrer novamente, e dessa vez com um deles.
Dois meses depois, quando Alec voltava da escola, passou em frente a uma casa abandonada em uma grande avenida quase no centro da cidade, e viu, mas desejando não ter visto, uma figura alta e forte, vestida inteiramente de preto com uma mascara branca, sem nenhum detalhe exceto o furo nos olhos. Assim que o viu a pessoa correu e se escondeu dentro da casa.
Esses acontecimentos já faziam parte da vida do povo daquela região, ocorrências estranhas, barulhos a noite e volta e meia, relatos de seres de preto com máscaras brancas correndo e se escondendo por ai. Ninguém sabia o que eles eram, mas também não se importavam, pois, para o povo, eles faziam mal a ninguém.
Fale com o autor