A traição de Alana
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Certo, você também nunca ouviu falar de meu pai, não é mesmo? Eu não deveria te culpar por isso, mas te culpo sim. Meu pai é um grande rei, e mesmo assim ninguém sequer ouviu falar do mesmo. Semideuses romanos e gregos da antiguidade tinham medo das montanhas pois sabiam que ali existiam deuses mais antigos que os próprios deuses que vivem no olimpo. Meu pai é um desses deuses. Pugnis Rex significa '' Rei dos punhos'' em latim, e foi o nome que os romanos antigos deram à meu pai devido a sua grande força e liderança sobre os deuses numina montanum ( deuses elementares das montanhas), ou ourae, como são conhecidos em grego antigo. Minha tia Altia também é uma numina montanum, mas prefere ser denominada uma ourae já que se considera mais grega do que romana. Nunca entendi o porquê se levar em conta o local onde ela vive.
Voltando ao assunto principal, meu pai seria uma espécie de Zeus para os deuses das montanhas. Foi ele quem ordenou o ataque ao Argo 2, que certa vez esteve em território italiano devido a profecia dos 7. Infelizmente os semideuses que estavam à bordo conseguiram sobreviver. Um deles, Jason Grace, me encarava com os olhos azuis sem saber o que dizer. Quirón também me fitava com uma expressão de interrogação no rosto. Os demais semideuses pareciam da mesma forma.
— E aí.. — Eu disse. — É assim que vocês recebem uma pessoa nova por aqui? Ficam encarando ela até ela se assustar?
— Não, não é isso. — Disse uma voz em meio a multidão. Fiquei obsevando até um garoto de cabelos loiros tão claros como o sol, e grandes olhos verdes aparecer. Seu sorriso era radiante e bastante cativante. Certamente era filho de Apolo. O garoto se aproximou de mim e então acrescentou: — Acho que a maioria dos semideuses aqui nunca sequer ouviu falar de seu pai. Ele é deus do que mesmo?
— Pugnis rex — Respondi para o garoto. — Ele é um deus elementar da montanha, e senhor dos demais deuses elementares denominados por vocês, gregos, como ouraes.
— Ah, seu pai é um ourae. — repetiu o garoto de cabelos dourados. — Seja bem vinda filha de Pugnis Rex. Eu me chamo Will solace. É um prazer te-la conosco.
— Imagino que sim. — Respondi.
— Espera aí. — Disse uma garota de cara amarrada e musculos por todo o corpo, embora possuisse uma especie de barriga avançada. — Como você pode ser filha de um ourae? Esses deuses não são conhecidos por terem filhos. Na verdade, nunca ouvi falar de um descendentes deles.
— Os deuses ourae não são muito adeptos a possuir descendentes com mortais. — Disse Quirón. — A maioria deles opta por viver isolados e possuir descendentes da sua própria espécie e claro, de sua própria natureza. Mas as vezes uma prole desses deuses aparecem. Alana é uma prova viva disso.
— Exatamente. — Confirmei impaciente. — Mais alguém quer perguntar algo sobre meu pai?
— Eu quero. — Disse outro garoto em meio a multidão. Ao contrário de Will solace, ele era mais ou menos da minha altura, e possuia grandes cabelos cacheados que rodeavam seu estranho rosto. Sua pele era chamuscada, e suas vestez pareciam ter sido lavadas dentro de uma máquina cheia de graxa e oléo de mecânico. O garoto se aproximou de mim e disse: — Qual é o local exato dos domínios de seu pai?
— Por que você quer saber disso? — Perguntei.
— Apenas me responde isso, anda. — O garoto insistiu.
Revirei os olhos e então respondi:
— É dificil dizer especificamente, mas meu pai é senhor de todo os deuses apeninos da italia, então.....
Uma bola de fogo veio em minha direção mandada pelo garoto de roupas sujas de graxa. Se eu não tivesse bons reflexos, certamente teria graves queimaduras em meu rosto. Ergui meu punho direito para frente, e um pequeno tremor surgiu abaixo do garoto, o fazendo cair de costas no chão.
— Leo. — Gritou Jason indo em direção ao garoto. — Você estar bem?
— O pai dessa menina é o senhor daqueles brutamontes que ficaram atacando rochas na direção de nosso barco. — Disse Leo se levantando. — Ela é inimiga.
— Eu não sou não.
— Sério mesmo, querida? — Disse Leo. — Onde você estava quando a guerra com Gaia começou? Certamente não era do nosso lado.
— Você não sabe o que diz.
— Eu sei que meu barco quase foi destroçado...
— Chega. — Gritou Jason. Sua voz foi tão forte que até Quirón pareceu impressionado com a tamanha liderança do semideus. O filho de Jupíter fitou seu amigo Leo e então disse: — Eu entendo a raiva que você sente, até porque eu estava dentro daquele barco. Porém, não podemos colocar a culpa dos erros do pai de Alana sobre ela. Os deuses algumas vezes erram....
Um trovão ribombou no céu, e fez Jason pigarrear.
— Na verdade.. — Ele continuou. — Nem todos os deuses erram. O que eu estou querendo dizer é que não podemos julgar os filhos pelos pais. Não temos provas que Alana é nossa inimiga. Tenho certeza que ela irá contar tudo que quisermos depois. — Ele se virou para mim e então acrescentou. — Eu estou certo não é, Alana?
Fiquei um pouco surpresa com o modo que Jason encarou a situação. Ele conseguiu colocar seu amigo idiota no lugar e ainda por cima fazer com que os semideuses não me olhassem de cara feia. Bom, pelo menos uma boa parte deles.
Jason ainda me encarava com uma expressão convidativa, e um tanto amigavél demais. Eu não estava acostumada com isso. Para não deixar ninguém no suspense, eu decidi falar.
— Eu contarei tudo que quiserem saber. Mas antes de mais nada, alguém poderia me dizer onde fica o banheiro? Preciso muito tomar um banho.
— Então estar feito. — Disse Quirón. — Deixaremos nossa nova hospede descansar um pouco, e depois ela conta o que quiser sobre sua vida. Alias, ótimas palavras Jason Grace. Mostrou que possui em seu sangue a liderança herdada de Zeus.
— Obrigado. — Respondeu o garoto.
— E quanto a mim? — Questionei. — Onde vou descansar?
— Você ficará no chalé 11, que é destinado aos viajantes e claro, aos filhos de Hermes e semideuses que não sabem qual é seu parentesco divino. — Respondeu Quirón.
— Mas acontece que eu sei o nome de meu pai. Eu já o vi antes. — Respondi.
— Sim, sabemos disso. — Disse Quirón. — Mas como pode ver, ainda não temos chalés para os filhos dos deuses da montanha, ou seja, você ficará com as proles de Hermes. Pelo menos por enquanto. Mais alguma pergunta?
— Não. — Respondi.
— Ótimo. — Disse Quirón. — Nesse caso eu mandarei que alguém lhe acompanhe até seus aposentos. — Ele se dirigiu para a multidão e gritou: — O resto de vocês voltem para seus afazeres. Não é porque Gaia foi derrotada que vocês tem que manerar nos treinamentos. Andem logo seus molengas.
— Não exagera Quirón.- Disse um dos garotos em meio a mutidão.
— Eu ainda não exagerei senhor Stoll. — Retrucou Quiron sorrindo.
É... como você deve ter observado, meu plano quase foi por água abaixo. Aprendi que a maioria dos semideuses não sabem nada sobre meu pai, e que aqueles que sabem, não passam de bebês chorões devido a pequenos ataques de rochas contra um barco. Eu sabia que não seria fácil minha estadia no acampamento meio-sangue. Mas aos poucos eu conseguirei ganhar a confiança deles. Principalmente a de Jason Grace.
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