A traição de Alana

5 A traição de Alana 5


Como Quirón havia dito no capitulo anterior, uma pessoa foi resignada a me levar até o chalé de Hermes. Eu já estava esperando que essa pessoa fosse justamente alguém que tivesse ficado do lado do Leo Valdez (idiota), e que por esse motivo não teria ido muito com a minha cara. Mas, para minha surpresa, a pessoa escolhida para me guiar fora o filho de Apolo, Will Solace.

Will parecia ser daqueles semideuses sem propósito nenhum na vida além de servir aos demais semideuses como curandeiro. Ele era legal, não irei mentir, mas também não sabia ficar calado – O que me deixou com uma grande vontade de soca-lo enquanto caminhávamos até o chalé 11.

— Sabe... — Will dizia – Eu nunca tinha visto Leo Valdez tão nervoso com algo. Ele sempre é divertido e amigável.

— Amigável? – Repeti em tom de pergunta. – Não imagino como aquele projeto de anão poderia ser amigável. Para mim não passa de um idiota.

— Sim, ele é um idiota. – Will concordou. – Mas também é uma das melhores pessoas que eu já conheci na vida. E como você pode chama-lo de anão, sendo que sua altura não é lá essas coisas?

— Simplesmente porque eu sou mulher. – Respondi. – Ser baixinha é algo normal para uma garota. Agora para um menino fica muito feio isso. E não pense que por causa de minha altura eu não seja uma boa lutadora, ouviu? Posso te derrubar no chão antes mesmo de você conseguir dizer meu nome.

Will parou de caminhar e me olhou bem nos olhos.

— Isso é um desafio?

— Entenda como quiser. – Respondi friamente para o garoto.

Will permaneceu me olhando por mais alguns segundos e então revirou os olhos e passou a gargalhar como um idiota na minha frente. Eu fiquei ali, tentando entender o motivo da graça, e por fim acabei perguntando isso a ele.

— A graça é você ter esse teu jeito marrento de ser. – Will Solace respondeu. – Parece até alguém que eu conheço.

— Isso é impossível, meu caro rapaz. – Eu disse para Will. – Eu sou única, acredite em mim. Eu sei do que eu falo.

— Será mesmo? – Will perguntou. – Ou todo esse teu jeito marrento de ser não passa de uma máscara para que não se sinta frágil em relação às pessoas ao teu redor?

Permaneci um breve momento calada, tentando absorver a pergunta do garoto. Will tinha um raciocínio bastante perturbador. Fiquei tentada a dizer para ele que sim, que ele tinha razão em sua pergunta. Contudo, analisando melhor a minha mente, eu percebi que não era verdade. Eu não era uma pessoa frágil e tampouco tinha uma máscara no rosto. Eu era simplesmente eu; a garota mais legal e corajosa que já conheci- O que me deixava em um patamar totalmente diferente que as demais meninas loucas por maquiagens e vestidos (Sim, estou falando das filhas de Afrodite sim).

— E então, estou correto no meu pensamento quanto a você? – Will me perguntou.

— Claro que não. – Respondi firmemente. – Eu não sou uma garota frágil. Posso te mostrar se quiser.

— Seria legal ver suas habilidades de luta, mas fica para outra hora. – Will disse voltando a caminhar em meio a uma vasta área de grama, muito bem aparada, e que no fim ligava até um aglomerado de construções ao estilo casas de campo de interior, mas que possuía inúmeras peculiaridades e ornamentos que deixava bem claro a ideia de que aquelas casas não eram apenas casas comuns, mas sim Chalés destinados aos filhos dos deuses.

Eu fitava cada Chalé com certa cautela, e até mesmo com um pouco de admiração (Não acredito que eu disse isso). De fato as construções eram bem impressionantes e muito lindas, embora eu tenha odiado dois chalés em particular assim que os vi: Os chalés de Hera e de Afrodite.

O chalé de Hera era lindo por fora, mas também era totalmente desnecessário já que a rainha dos deuses não tinha filhos com mortais (eterna corna). Contudo, por mais que eu tenha odiado o chalé de Hera, nada era mais ridículo que o chalé destinado aos filhos de Afrodite. Sério, eu nunca tinha visto uma coisa tão bizarra quanto o chalé de Afrodite. Parecia uma casa de boneca em tamanho real, e apenas vendo com os próprios olhos para você entender o que eu estou querendo dizer.

Meu pai já havia me advertido uma vez que os filhos de Afrodite eram muito poderosos, e que eu não deveria me deixar levar apenas pelasaparências, mas... cara, não dava para levar a sério esses projetos de Barbie e Ken. A minha opinião quanto a eles teve uma leve mudança, apenas quando conheci Piper MacLaine, a única semideusa filha da deusa Barbie a qual eu me identifiquei um pouco (Bem pouco mesmo).

Enfim... Sem mais delongas, o fato é que Will me guiou pelos chalés, me mostrando um por um até parar em frente a uma construção feita de madeira bastante envelhecida pelo tempo, e com algumas janelas quebradas. Um alvoroço de jovens garotos e garotas corria para dentro do chalé e saiam na mesma velocidade para fora do mesmo, sem sequer perceberem o pesado caduceu dourado que pendia sobre a porta de entrada, ameaçando cair a qualquer momento.

— Que chalé horrível. – Comentei. – Parece até mesmo um barraco.

Will deu uma leve risada ao meu lado e então disse:

— Fico feliz que tenha gostado do Chalé 11.

— Chalé 11? –Me virei para encarar Will e acrescentei: — Você está brincando comigo, não é?

Will balançou a cabeça em negativa e respondeu:

— Não. Esse é o chalé de Hermes, minha querida novata. Seja bem vinda aos seus aposentos!

Ótimo, além de quase ter meu plano arruinado mais cedo, ainda descubro que o local dos meus aposentos não passa de um barraco gigante. O que mais eu poderia esperar do acampamento meio sangue?