A touch of fire
11 Uh, ele sempre teve essa bunda?!
Notas iniciais
É sábado, está frio e estou com tantas cólicas que minhas mãos estão tremulas. Aquele período do mês.
A semana já tinha sido estressante o suficiente, achei que esse final de semana, poderia só relaxar e aproveitar que novamente Lia se foi sem que tivesse que ter uma conversa completa com ela.
Não vou mentir, estou cansada, mas o dinheiro das horas extras e o bonus de não lidar com ela durante a semana? Valeram a pena.
E o fato de que tenho conseguido evitar Aléxis?
Fenomenal.
Ele tem tentado.
Depois do final de semana passado, daquilo que me recuso a pensar que foi real, fugi dele como quem foge de um incendio.
Em casa, chego tarde da noite, e sou a primeira a sair pela manhã. Tentou falar comigo na escola, mas cuidei para que estivesse sempre próxima de Adrian quando ele viesse.
Ele só me encarou, bravo. As piadas costumeiras longe de serem faladas. O que me faz pensar que, talvez, talvez, só talvez não tenha sido um sonho e eu... tenha deixado ele... me beijar.
Ah! Pelo amor de Deus não vou pensar nisso.
Desço e preparo chocolate quente, e pego aqueles salgadinhos que vem em potes de tubo, esse pessoal pode ser muito útil com seu estoque de besteira nos armários, os chocolates algumas marcas que parecem chiques e nunca vi, pego alguns para provar, no quarto e me deito na cama e espalho ao meu redor tudo que garimpei. Ligo a tv e é isso.
Esse é o meu dia perfeito.
Meu dia de folga.
— O que você está fazendo? – Alexis entra no meu quarto, como sempre ele não bate, levo a mão ao peito.
— Que susto caramba! Vai embora! – grito . Estou sem vontade de enfrentar ele agora e realmente sinto muita dor, o que há de mal em uma pessoa sofrer sozinha?
Só quero me enrolar nos cobertores e comer o meu peso em chocolate. Pelo amor de Deus.
— Você está bem?
— Alexis, por favor, me deixa em paz!
— O que você tem? Está estranha.
-Não tenho nada! Você pode ir por favor?
-Não, estou a semana toda tentando falar com você, fazem duas semanas que você mora aqui e eu te vi, sei lá três ou quatro vezes? O que está acontecendo?
— É cólica, tá legal! – digo, sinto minhas bochechas quentes, estou corando? Que maravilha.
— Certo, bem eu finalmente sei que você está no seu período, então, isso explica seu mau humor dobrado.
— Me deixa sozinha...
— Vou fazer companhia para você. – finalmente o encaro. Ele está... engulo seco. Bom... Ele veste uma bermuda azul marinho e... só. Seguro o folego, devia ter continuado encarando a TV. Mas tem covinhas nos quadris que desaparecem dentro da bermuda junto com um pequena trilha de pelinhos. E agora, essa imagem está gravada bem no meio do meu cérebro.
— Tem que ver se eu quero.
— Eu posso ficar com você?
— Aléxis eu não estou com energia pra...
— Vou me comportar, prometo.
— O que quer dizer com vai se comportar?
— Quer dizer que eu não vou provocar você.
— Então você admite que me provoca?
-Vou me comportar, só isso que vou dizer.
— Tudo bem. – cedo.
Deixo de olhar ele, esses olhos avelã... Com pontinhos dourados…
-Chega pra lá. – ele puxa a coberta e se acomoda do meu lado. – O que é esse monte de coisa?
— Chocolates. Salgadinho...
— Você vai comer tudo isso?
— Posso compartilhar um ou dois. Não mais que isso. – digo seriamente, por que sim, chocolate é coisa seria e sou egoísta com chocolate.
Rio da sua cara. Seus olhos estão arregalados.
— Meu Deus, pequenina pra onde vai tudo isso?
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que você tá muito bem pra uma pessoa pequenada que come tanto assim.
— Eu não como demais! Como o essencial! E chocolate é essencial!
— Ok! – ele diz devagar. –Um assunto delicado, então. O que está vendo ai na tv?
— Guerra Culinária.
— Hum...
— Você não precisa ficar.
Ele fica em silencio. Ambos ficamos por um tempo, ouço apenas as nossas respirações e sinto o calor de Aléxis muito perto de mim. Não tinha pensado nisso, mas a proximidade é estranha. Consciente demais de que se me mexer, vou tocar ele.
– Certo, então tinham cem chefs aí ? – pergunta depois de um tempo quieto.
Até ele voltar com o que parece ser um vídeo game na mão.
— Isso e o objetivo é sobrar um só.
-Entao esses dois aí vão comer tudo agora?
-Não Alexis. — eu rio . — São etapas. — Ele me olha estranho. — Vai fica quieto.
— Eu pensado que você ia colocar uma comédia romântica boba, um filme de princesa. — zomba.
-Voce prometeu…
-Velhos hábitos, baixinha.
-Entao é isso que você vê no seu tempo livre?
-Desde que era criança.
-Não gostava de desenhos?
-Bom, realitys de culinária me faziam companhia.
— Você não teve infância? – tenho vontade de responder, que minha infância acabou rápido demais, que enquanto pude, enquanto tive a chance, não era era desenhos que via, era um programa e discutindo com meu vô quem ia ganhar, não estava no celular ou no videogame.
Estava plantando flores naquele jardinzinho com minha avó, assando alguma coisa na cozinha com ela, ou colocando comida para os passarinhos com meu avô ou fazendo algum trabalho manual na garagem que ele considerava ser sua “oficina”. Concertando a moto que dirijo por aí, um projeto que ele levava a sério e depois quando finalmente ficou pronta sempre íamos atrás do pôr do sol na saída da cidade e ele me colocava naquela garupa.
Foram os melhores anos da minha vida.
— Bom, antes de ter que trabalhar, tinha meus avós, e eles não eram fãs de desenhos, mas esse era o passatempo deles... – suspiro.
— Como assim?
—É complicado, para dizer o mínimo. Deixa isso pra lá.
— Não tenho escolha você não vai mesmo me contar nada sobre você não é? Tô cansado dessa merda de... Deixa pra lá Aléxis, esquece Aléxis! – Ele bufa. Ele tem razão eu não vou contar. – Certo, certo, vamos esquecer, fiz uma promessa, vou manter.
Alexis se concentrou na competição, tanto que ficava dizendo “essa mulher vai ganhar certeza, olha como está bonito.” Mas, ficava indignado quando era exatamente o eliminado, quase ri por que aconteceu várias vezes, ele não era bom nisso, em fazer previsões.
— Isso está me dando uma fome danada.
— Vamos lá embaixo ver o que tem pra comer.
— Você está bem? – A preocupação em seu rosto não me conforta, me deixa um pouco nervosa. Finjo não me importar, como faço em tudo com ele.
— Eu vou sobreviver.
— Bem, tem pizza congelada. Depois de toda aquela comida bonita, é o que temos. Olha, pequena, vo ver sincero, não sei cozinhar nem pra salvar a minha vida, aquele dia do espaguete? Foi a primeira vez que cortei uma cebola.
— Deu pra perceber o riquinho, parecia que você queria matar a cebola.
-Queria que você ficasse orgulhosa do meu trabalho… — ele pisca pra mim. Quase estrago o clima ameno e grito para ele parar com isso, mas penso bem e mais uma vez ignoro.
Alexis se move na cozinha apesar de toda sua dita falta de experiência com muita agilidade, fico encarando sem poder desviar o olhar, quero pedir que ele coloque uma camiseta, mas então ele saberia que estou roubando olhares em direção ao seu peito nu, as costas nuas..
Estapeio meu rosto mentalmente, pelo amor de Deus Sofia! É Alexis! O cara que odeio, sabe?
Já não basta ter deixado que ele me beijasse duas vezes e agora estou secando ele com os olhos?
Preciso colocar os pés firmes na realidade.
Regra número 1: Não encarar seu corpo como se gostasse.
Regra número 2: Não deixar ele beijar você.
Regra número 3: Se lembrar da regra número 1 e da número 2.
— Até que é boa vai, mesmo que não seja a sua comida.
— Claro, não está ruim...
— O que você acha da gente jogar as vinte perguntas?
—Que isso?. — desconfio.
-Cada um tem que fazer uma pergunta. É isso, não tem nenhum segredo na verdade…- ele ri.
-Parece uma pessima ideia, não sei se quero responder suas perguntas.
— Qual é! Você pode me fazer perguntas também.
— Mas vinte, são muitas perguntas. Perguntas demais. Você é muito intrometido pra isso.
— Tudo bem, dez!
— Cinco.
— Fechado!
-Não fique tão animado…
-O objetivo do jogo, baixinha, é não fugir da pergunta. — meu estômago revira. — Então sim, estou animado.
— Então tá. — finjo não me importar. — Qual é sua primeira pergunta?
— O que acontece entre você e a Lia? – Solto um longo suspiro. Ele tinha que ir direto no coração não é?
-Isso não é nem justo, são tantas coisas… Poderia responder por horas dessa pergunta.
-Diga uma coisa… pelo menos.
— Okay, Alexis, mas não pode dizer a ninguém, nem ao seu pai sobre isso. — ele assente bem sério. — Lia não é um exemplo de mãe. Você não quer saber quantas vezes ela encontrou o príncipe encantado ou quantas vezes eu fui deixada sozinha, que ela me abandonou por causa de um homem e nem o numero de anos em que eu sustento a casa sozinha, para ela ter uma aventura. — tudo escapa como uma avalanche, culpo ele por estar tão conversado, tão disponível.
O Alexis na minha frente tão diferente do que sempre conheci.
Toda essa confissão deixa um gosto amargo na língua, se ele contar ao pai dele, vai saber o que Lia vai fazer comigo?
— Isso é horrível, eu não sabia…
-Ela só me trouxe dessa vez por que seu pai parece ser “família”. — sua expressão está horrorizada.
-Entao existia uma realidade em que você não viria? E moraria sozinha?
— Não vou dizer mais nada, afinal sua primeira pergunta já foi respondida, mas… Se falar algo ao seu pai pode me deixar de fora? — ele pisca confuso.
— Não sou desleal, não vou colocar você na fogueira. Mas eu… isso é sério ! Não consigo… — meu coração aquece por que ele me encara tão sério, seria muita burrice da minha parte acreditar nele ?
— Minha vez. — falo para quebrar esse estranho feitiço que prende meu olha ao dele.
— Espera, merda, só… — ele respira fundo.
— Nem pensar! É minha vez. Onde está sua mãe?
— Faleceu. Câncer. Quatro anos atrás. — ele engole seco. Arrependimento me cobre inteira na hora. Realmente achei que seria algo como: Divórcio e ela está vivendo a sua melhor vida em Paris ou algo assim. Que é aqui que descobrimos que Edward foi um mal marido, mas….— Acertou no coração baixinha. — ele sussurra.
— Sinto muito. Não tive a intenção, não pensei que..
— Tudo bem, época difícil, muito, mas...- ele pisca. — Não quero falar sobre isso. Já deu seu troco.
— Sinto muito, não foi assim. — repito. Meu coração doí por ele. Uma perda dessas.
Quero perguntar se ela era uma boa mãe, se era presente. Se ele estava com ela, mas Alexis se recupera mais rápido que eu.
— Minha vez. — e seus olhos avelã brilham. Eu não gosto disso.
— Há quanto tempo está apaixonada pelo Adrian?
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