A touch of fire

19 Eu vou mergulhar na piscina pelado.


— O que você vai fazer para ir para o trabalho?

— Andar, fiz isso antes de ter a moto. – ele bufa.

— E vai deixar por isso mesmo? Cadê a garota que sempre está lutando contra as injustiças ?

— Está… cansada.

— Não fale assim pequena, é só um céu nublado. Sabe?

-Na verdade… Não sei…- até minha voz está fraca.

-Sabe sim, quando o céu está cinza e a chuva passa e finalmente bate aquele vento, tem um céu azul lá, está lá. E a gente sempre vê ele de novo.

—Está… filosofando comigo? — um sorriso se forma sem querer no meu rosto.

-Sim, estou dizendo que vai passar e você vai voltar a lutar contra tudo de novo.

-Certo, certo. — bufo. -E o que eu faço enquanto não volto?

-Dança na chuva, pequena.

Engulo seco.

— Nada! – ele bufa.

— Adrian sabe?

— Ainda não falei com ele.

— Por que você está chateada com o que viu ontem? – Penso por um minuto. Sim, eu estou chateada. Adrian claramente não queria que eu fosse. Talvez ele soubesse de algo.

— Sim. – ele bufa. – Por que você está bufando?

— Por que em geral as mulheres são grandes faladoras e você responde as coisas com: “Nada”! ” Sim”. Estou começando a me irritar com isso. – eu rio.

— E eu que achei que era só você que me irritava. – ele dá um pequeno sorriso. Ele estaciona na frente do mercado e eu salto. Eu pulo de prateleira em prateleira buscando o que eu quero. Ele está me olhando como se eu fosse louca com meus pulinhos, mas eu não me importo. Ir ao mercado é um ritual pra mim, principalmente por que quando eu ia ao mercado era um grande evento. Significava que Lia não tinha roubado o meu dinheiro e que eu teria algo para comer por pelo menos uma semana se eu economizasse. E eu sempre economizava. Como eu disse. Sou uma pessoa que faz plano.

— Acabou? – ele pergunta. Em seus braços estão dois pacotes de batatas e dois pacotes de cervejas.

— Sim.

— Certo, vamos eu quero pegar uma pizza no caminho.

Passamos tudo pelo caixa, mas isso demora um pouco já que a mulher que parece ter em torno dos trinta não consegue deixar de olhar Aléxis. Ela é bonita. Tem cabelos castanhos e olhos verdes e um decote que eu acho que não devia estar em seu uniforme e claro, Aléxis já o conferiu algumas vezes. Ela está flertando tão abertamente que passa os itens cada vez mais devagar e a fila se acumula.

— Moça, eu estou com pressa. – Digo irritada. Com a demora. Ela me olha de cima a baixo e uma vez que decide que eu não sou nada demais ela desvia e olha para ele.

— Sua irmã?

— Sim. – Ele ri. – Meia – irmã. – Seguro o impulso de falar que se eu fosse irmã dele nós não estaríamos nos beijando ontem à noite! De uma forma bem histérica, mas eu desisto nunca no inferno eu vou dar munição para ele usar contra mim! Quando finalmente ela termina. Aléxis apenas paga tudo. E ele não me olha. Bem, eu não vou reclamar por ele estar pagando!

— Meu nome é Marla. – Ela pisca. – Meu número. – ela estica um papel pequeno para ele.

— É um prazer Marla. – ela sorri. Seus dentes são perfeitamente alinhados.

— Ah, querido você não faz ideia.

— Sou Aléxis.

— Combina com você.

— Obrigado. – ele pisca. Ela ri e parece afetada. A cena toda me dá náusea.

— Tiro folga aos domingos. E saio daqui as 22.

— Vou me lembrar.

— Estou esperando que sim.

— Podemos ir?

— Claro apressadinha. – ando para a saída o mais rápido que posso.

– Foi você que disse que queria ir logo.

— Sim, mas eu encontrei algo interessante nesse meio tempo.

—Idiota. Ela deve fazer isso com todos.

— Pode até ser. – ele concorda. – Mas por uma noite eu não ligo.

— Nojento! – ele ri. Quando chegamos a casa, ele me segue até o meu quarto. Nós sentamos no chão com a pizza, as cervejas, as batatas e os doces. E assistimos guerreiro ninja americano, que é basicamente um circuito com várias etapas que exigem condicionamento físico. Eu amo esse programa. É dia de duelo entre os EUA e o Japão. Eu confesso que torço pelos americanos, enquanto Aléxis insiste que os japoneses são melhores.

— Okay, então, se os japoneses perderem o que é muito difícil de acontecer, por que são japoneses! Eu vou mergulhar na piscina pelado.

— Fechado! – eu digo. Por que é tarde e eu aposto que a água está gelada. – Mas não me diga que eu não avisei quando você tiver lá com as coisas encolhidas.

— Coisas?

— Sim. – eu digo.

— Que coisas?

— As que você tem no meio das pernas.

— Eu não tenho coisas no meio das pernas! Eu tenho...

— Coisas! – ele ri.

— Certo. Voltando. Se os americanos perderem você mergulha pelada.

— Só se você não olhar!

— Como eu vou saber que você mergulhou?

— Você só vai olhar quando eu estiver na piscina!

— Tudo bem.

— Agora fique quieto. – Depois de algumas cervejas, umas fatias de pizza e sanduíches de cookies com creme de avelã, os japoneses perdem. Eu grito e faço a dancinha da vitória pelo quarto, enquanto Aléxis afunda na almofada no chão.

— Eu avisei.

— Mas eles são japoneses, porra! Eles são ninjas! Como...

— Você perdeu amigo!

— Foda-se. Sim.

— Vamos lá.

O ar está meio frio. E quando ele passa na pele arrepia. Eu rio. Quando Aléxis tira a camisa e estremece. Então ele leva a mão ao cós da calça. Engulo seco e viro de costas, se a visão de seu abdômen me faz estranha eu não quero ver o resto! Ouço o barulho de seu mergulho e me viro.

— Porra! – ele bate o queixo. – Essa porra tá muito gelada! – Eu rio.

— Eu avisei para você não torcer pelos japoneses.

— Engraçadinha. – ele vem até a borda.

— Sai dai, você vai pegar um resfriado.

— Resfriado? Eu não... – ele geme – Porra! Câimbra! – Ele afunda e levanta um pouquinho para respirar. Meu coração gela.

— Aléxis?

— Pequena você vai ter que vir aqui me ajudar a sair.

— O que? – pergunto, mas ele está afundando de novo. Meu coração acelera ele está se afogando? Tiro os sapatos e a calça. Sem pensar pulo. A água esta gelada, como um bom soco no estômago, minha pele se reseta quase como se tivesse queimando. Eu não sei nadar! Afundo, sem apoio, meus pés não tocam nada sólido, só existe esse cercado de água que puxa meu corpo para baixo. Debato, não imaginei que era uma piscina profunda. Está escuro. Entro em pânico, vou morrer aqui. É isso.

Onde está Alexis?

Duas mãos cercam minha cintura e me puxando com tanta força que se não tivesse em tanto desespero doeria, e sugo o ar com um barulho algo e engasgado. O que pareciam horas foram só alguns segundos e não cheguei a engolir água, só respiro como se tivesse corrido quilômetros a fio, o peito subindo e descendo com alivio de ter ar para entrar.

Olho para um Aléxis meio pálido.

— Ei, ei, Sofia pelo amor de Deus. – o desespero em sua voz, o jeito que ele fala meu nome... É o frio ou o fato dele ter dito meu nome que me arrepia até o fundo dos meus osso?

Com medo de afundar, cravo meus dedos em seus braços, fecho minhas pernas em sua cintura por extinto, ainda estamos na água e estou desesperada por apoio e segurança.

— Eu não sei nadar! — grito em seu rosto tão próximo ao meu. Assustada, com medo.

— O que? — indignado, grita de volta. — Por que se jogou aqui então, está maluca?