A touch of fire
9 Bem pelo seu humor ele não deu o que você quer não é?
Notas iniciais
No quarto e mando uma mensagem pra Adrian.
Eu: Bom dia dorminhoco. Se divertiu ontem?
A: Bom dia, querida. Fiquei preocupado com você.
Eu: Hum, segundo Aléxis uma convidada aliviou suas preocupações.
A: Porra! Que FDP! Não foi assim...
Eu: Como foi então?
A: Não foi nada de mais. Você sabe... – Pra Adrian nunca é nada demais.
Meu melhor amigo, admito é um mulherengo, nunca me fala abertamente sobre isso, acho que é um dos pontos da nossa amizade que ele colocou um limite. Nunca falamos sobre a vida amorosa agitada dele ou da inexistência da minha.
Mas, sei.
Sei que ele está saindo aleatoriamente, tendo casinhos. Não sei dizer o que é pior, o fato de ele estar com todo mundo, ou seria muito pior se ele só... se apegasse a alguém. Alguém que não seria eu.
Eu: Caso de uma noite? — Continuo.
A: É, Sofi, nem me lembro do nome dela. Isso não foi importante, sabe? – Aléxis tinha razão então, ele não disse isso apenas para me machucar. Ele me disse a verdade. Isso melhora ou piora as coisas?
Eu: Eu não sei, nunca tive um caso de uma noite, se acontecer comigo te aviso.
A: Rá engraçadinha. Isso não vai acontecer?
Fico na defensiva na hora.
Eu: Por que não?
A: Não, não Sofi, nem quero ouvir sobre isso.
Viu? Os limites dele.
Desisto.
Como sempre faço.
Olha pega aqui todo esse sentimento idiota e coloca na bolsa Sofia!
Eu: O que acha de vermos maratona de how i met your mother? — digo por que no final só quero ver ele.
A: Horas?
Eu: As três! Vou ver se nessa casa tem alguma pipoca.
A: Na casa do Aléxis certo?
Eu: Né?
A: HAHA. Te vejo.
Aléxis não está por perto quando desço, e não ouço indicação de que ele está em casa.
Estou aliviada, Aléxis tem presença demais pra mim nesse momento.
Vou para a cozinha e preparar a pipoca de caramelo, meço nos armários, hum, tem uns chocolates chiques. Olha só, estou começando a achar que esse povo tem bom gosto.
— Bem, não posso negar que as coisas mudaram. – Adrian entra, mas está relaxado, ele conhece esse lugar melhor que eu. Ele veste jeans e camiseta cinza. Só. Tão casual, tão bonito. Meu coração palpita levemente.
— Deixa disso. Vem, vamos pra o “meu” quarto. – digo fazendo aspas com as mãos. Ele ri.
-Sofi, agora é o seu quarto, vai ter que se acostumar.
-Tem uma banheira lá, quero dizer, já me acostumei. — eu rio.
-Olha ela, sabendo fazer do limão a limonada.
Nos acomodamos na cama, ele deita do meu lado parecendo nem se ligar nisso, já eu fico um pouco tensa até relaxar com a sua presença familiar, vemos seriados desde sempre e é o que mais fazemos quando estamos juntos. Quando nos damos conta já passa das dez.
— Eu tenho que ir. Temos aula amanha. — ele diz meio sonolente.
— Ah não...!
— Você vai ficar bem?
— Vou. Quero dizer enquanto me mantiver positiva tudo vai ficar bem.
— Qualquer coisa você me liga.
— Certo.
Abro a porta do quarto a tempo de Aléxis entrando na porta em frente, ele para na hora, seu corpo ficando tão tenso que ele ajeita a postura ficando ainda mais alto e aperta os olhos suspeito.
— Adrian?
— E ai cara?
— O que está fazendo aqui? — impressão minha ou ele está com raiva?
— Vim ficar com a Sofi. Mas, já estou indo. – Ele me abraça e beija a minha testa. O gesto aquece meu coração e minhas bochechas ficam vermelhas. – Amo você querida.
— Eu também.
— Te vejo amanhã. – Ele vai, conhece a saída. E então ficamos sozinhos, Aléxis não demora a invadir o meu quarto.
— Sei que essa é sua casa, mas o quarto é meu e você não foi convidado. Saia.
— O que Adrian estava fazendo aqui?
— Não é da sua conta! — digo indignada. — Não posso trazer ele aqui?
— Bem pelo seu humor ele não deu o que você quer não é? – ele está com raiva definitivamente. Meu temperamento inflama.
— Vá a merda, Aléxis! Sai do quarto! – grito. Parece que é só o que eu tenho feito nos últimos dias. Gritar com ele.
Não quero pensar no momento em que Lia voltar como vai ser a minha vida, Aléxis não vai estar me atormentando sozinho disso tenho certeza.
A manhã de segunda feira é estranha, três mulheres se movimentam pela casa como se não me vissem parecem fantasma, silenciosamente como uma dança bem calculada elas vem e vão e quase vejo uma nevoa por trás delas de leves que se movimentam.
Acho que elas são as pessoas que trabalham aqui.
O café da manhã é um grande banquete. Meu estomago torce quando vejo e quase choro, café da manhã sempre foi uma coisa incerta pra mim, nunca sabia se poderia tomar o café da manhã, se tinha dinheiro pra comprar alguma coisa ou se Lia arrebataria meus centavos no meio da noite, para ir para onde quer que ela fosse.
Algumas vezes eu tive sorte.
Outras não.
Então, pela primeira vez desde que toda essa mudança começou, sinto gratidão, sento e como. Até que me sinto cheia demais.
— Oi. – eu digo pra uma das mulheres. Ela para e sorri para mim. — Sou Sofia. — ela deve ter por volta de 50 anos, um rosto caloroso.
-Eu sei. Eu sou Tereza. Você precisa de algo?
-Agradecer pela comida. Você cozinha aqui?
-Sim. — ela sorri. -Obrigada. Fico feliz que você gostou, posso fazer um lanche para você levar a escola?
-Isso seria...- engulo o nó na garganta. Quando foi a última vez que se preocuparam comigo? — Obrigada Tereza. Onde é a garagem? – ela me mostra uma escada na cozinha que leva ao subterrâneo. Saio correndo antes de chorar na frente dela.
Minha moto, graças a Deus estava coberta em um canto, mas estava.
— Miúda! Onde é que você vai com isso? – Aléxis pergunta enquanto vem em minha direção. Estava devagar passando pelo caminho de tijolos elegantes que levava ao portão.
— Pra escola? – pergunto colocando o máximo de ironia na minha voz.
— Sua mãe disse que você iria de carro comigo.
— Uh, eu vou de moto como todo dia. – Logo ele ia perceber que minha mãe diz muita coisa! Muita merda.
— Não pode ir nessa coisa! – ele diz. Com raiva de novo? E o que ele chamou de coisa é um clássico!
— Isso é uma moto! E me levou perfeitamente para a escola nos últimos tempos!
— Mas... – deixo lá e acelero. A única liberdade que tenho nos ultimos anos. Uma motinha velha e usada que comprei com 1 ano do meu salario que consegui poupar.
Adrian e eu não estamos nas mesmas aulas na segunda, e eu não consigo ver ele quando chego e nem quando saio. No intervalo, bem, suspeito que ele tem um compromisso marcado.
Na escada da sala de artes.
E ele pensa que não sei sobre isso e eu finjo que sou idiota o bastante para não saber. Corro para casa no final da aula.
— Sofia! – A voz de Lia faz meu estomago gelar. – Querida, posso saber por que está correndo? – Edward está sentado comendo, tranquilo e sereno.
Lia sentada ao lado dele, com um sorriso jovial no rosto.
Aléxis entra logo depois de mim.
— Ah, olá, tiveram boa viagem?
— A melhor querida. Nós fomos por perto, mas Edward prometeu me levar para a Europa em breve! — ela levanta e vem na minha direção. — Mas, fiz uma pergunta, está correndo por que?
— Tenho que trabalhar Li... – ela me aperta o braço. Suas unhas afundam em meus braços e ela aperta os olhos pra mim. – Mãe. Você sabe.
— Trabalhar? Você não precisa disso Sofia. – ela sorrindo sem graça.
— Sua mãe tem razão. – Edward diz. Não preciso? E quando for chutada daqui? Aposto que ninguém vai me salvar. Isso aqui não vai durar.
— Eu preciso. — digo em tom duro.
— Não, não precisa. – ela diz e me aperta de novo.
-Lia. — ele diz num tom firme. — Se a Sofia quer ter um trabalho, deixe ela ter um trabalho.
-Querido... Que impressão isso passa para as pessoas? — ele faz uma cara, uma cara que gosto de ver. De quem não se importa.
-Que ela é esforçada? — Aléxis estava tão quieto que esqueci que ele estava ali. — Oi pai. Como você está?
-Filho. Muito bem. Tem razão. O trabalho ensina responsabilidade. — Ele sorri para mim. — O que você faz lá?
-Um pouco de tudo. Atendimento, produção, caixa.
-É uma loja?
-Uma confeitaria.
-Passa o endereço para que eu possa ir qualquer dia. — ele parece sincero. Quero acreditar que essas palavras, que essa expressão são verdade.
— Estou atrasada. Se me derem licença. – eu digo e fujo dali o mais rápido que posso.
— Eu não sabia que você trabalhava. – Aparentemente não fugi rápido o bastante, ele me segue. Parece estar sempre me seguindo.
— Alguém tem que colocar comida na mesa. – Digo sem pensar.
— Como é?
— Nada. Estou atrasada.
— Espera, o que quis dizer com isso?
— Escuta Aléxis,eu não tenho tempo pra isso.
— Seu braço! Ela fez isso? – as marcas das unhas de Lia estão lá. Meias luas vermelhas.
— É melhor você fingir que não viu isso. – digo. Um pouco rude de mais, mas sei que não vou sair ilesa se ele começar a perguntar de mais.
Nos próximos dias eu evito todos eles.
Todos.
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