Notas iniciais
Quero agradecer de todo o coração pela recomendação de Pere. Garota, vou confessar que eu achei q tu tinha parado de ler a fic até receber a notificação. Fui até Marte, voltei e fui de novo de tanta alegria, sério, obrigada. Suas palavras tocaram o coração dessa pobre autora Dedico esse cap para você. Agradecimentos: DudaDudix Di ângelo Pere. Mamãe ama vcs.

Ian

Alguns meses depois da volta de Lisa...

– Esse condomínio deveria dar uma festa – Falou Bárbara, os cabelos loiros balançaram com o vento.

– Isso não é uma escola, a maioria das pessoas tem problemas psicológicos. Fora que Lisa não poderia ir, e eu não vou a uma festa sem aquela garota. – Clara falou, brava. – Se quer festa, saia a pé desse lugar e procure uma.

– Calma, eu só quis dizer que é muito parado, que não têm o que fazer.

– Fiquem as duas quietas. – Intervi.

– Ah, volta a jogar seu joguinho, Ian. – Minha irmã protestou. – Eu não obrigada a nada, então vou até a casa da Lisa.

– Ninguém está te prendendo. – Resmunguei.

Ela saiu a passos pesados, deveria estar de TPM.

– Ela não vai com a minha cara. – Disse Bárbara.

– Clara é assim às vezes, não ligue.

– Mas eu realmente acho que deveríamos fazer uma festa.

Lembrei-me com saudade da festa a fantasia em que eu fui de Aladim e Lisa de Jasmine, parece que foi há um século.

– Não, no condomínio não está em clima de festa.

– Só porque tem um doido que ainda não foi encontrado? Fala sério, ele deve estar morto em algum lugar.

– Ele não é um doido qualquer, é o homem que torturou e tentou matar minha amiga, acho que você deveria respeitar mais. Em nome de tudo o que ela passou e de todas as cicatrizes que ela carrega, tanto emocionalmente quanto fisicamente. – Disse.

Bárbara pediu desculpas, depois se deitou no sofá, a cabeça perto de meu colo.

* * *

Lisa

– Terminou o exercício? – Perguntou o novo professor cedido pelo governo, também é um ex-militar, mas foi dispensado por ficar cego de um olho. Parece ter mais paciência que o antigo, mas fica irritado toda vez que erro os exercícios que ele considera “fáceis”(na verdade, são bem complicados, isso sim).

– Terminei. – Disse eu.

Após um logo tratamento com a psicóloga, eu agora poderia estudar. Quase não saía de casa, só conversava com Clara e Igor. Ian vinha aqui de vez em quando, mas sempre vai embora cedo. Igor até tenta conversar normalmente, sem contar os problemas, mas nunca consegue. Ele desabafa, fala que não suporta o fardo de ter que cuidar de Dafne sozinho. Eu já tentei falar com a garota, mas ela sempre se tranca em casa e ignora quem quer que vá conversar. Clara seria alguém de quem Marisa teria orgulho: sempre fica aqui para me apoiar, me ajudar (exceto dia de aula, já que estou atrasada na matéria e ela precisa estudar o que tem pela frente). Ainda acordo suando frio, achando que estou na casa da tortura, ainda vejo o rosto dele, sorrindo falsamente com uma faca na mão. Ainda acho que, quando acordar, ainda estarei lá. Felizmente, é só “achismo”, nunca real.

– A senhorita precisa fazer caligrafia, essa letra está péssima.

– Ok. – Falei. Minha letra não era feia, eu só estava absorta demais em pensamentos para caprichar na letra.

– Finalmente entendeu como se fazem esses exercícios, agora leia esse texto e responda as questões. – Disse o homem calvo, entregando para mim uma folha.

“E lá vamos nós” Pensei. Isso era pior do que a escola: Em primeiro lugar porque não temos uma turma ( aquela de sempre, com a pessoa que faz brincadeiras, com aquela que enfrenta os outros alunos, aquela que dá a risada engraçada, aquela que é tão quieta que chega a dar medo), em segundo lugar porque não tem um amigo para te passar as respostas ou a tarefa se você se esquecer de fazer e em terceiro lugar porque não tem intervalo, não dá para pedir pro seu amigo que trouxe lanche bom te dar um pedaço. Claro que essas não são as únicas razões.

Mas, apesar disso, eu gosto das aulas. Sinto-me mais normal, mais próxima do que eu estaria passando se ainda estivesse do lado de fora, estudar faz minha mente parar de reviver o que passei em ambos os crimes, faz com que eu me esqueça que fui testemunha de um assassinato cujo o “chefe” ainda não foi preso e de que fui torturada.

Paro de devanear e faço os exercícios do texto.

* * *

– Até que enfim. – Clara fala – Essa sua aula é infinita?

– Biologia, demora uma hora e meia. Se fosse matemática, demoraria duas horas e meia. O que faz aqui?

– Vim te ver.

– Antes do almoço?

– Bárbara estava na minha casa e começou a falar asneiras, me deu nos nervos e resolvi vir mais cedo.

– Ainda não vi essa menina, acredita?

– Claro, você parece uma zumbi que só fica em casa.

– Eu corro um quarteirão de vez em quando.

– Corre às quatro da manhã, junto com Diego, esse horário é o de dormir.

– Ele me obriga a correr e eu que sou a culpada?

– Ele não quer te ver com cem quilos, sério, você só come, dorme e estuda. ‘

– Leio também, escuto música, frito ovo.

– Você fazia maionese antes, um ovo não é nada.

Abro um sorriso.

– Tenho uma boa notícia. – Falou ela.

– Que notícia?

– Na rua de trás tinha uma família, lembra-se?

– Não.

– Aquela dos irmãos que viviam brigando, a menina chegou a quebrar os óculos da irmã mais velha. Lembra?

– A menina que quebrou usava aparelho?

– É.

– Ah, lembro.

– Então, eles foram dispensados, segundo a polícia já é seguro voltar para a vida normal, fora daqui.

Sorri, mal podia esperar pelo dia em que liberariam eu e minha família.

– Que bom.

– Pois é, as meninas estavam colocando as coisas no carro quando estava vindo para sua casa.

– Será que vai demorar para esse dia chegar para nós?

– Tomara que não. E tomara que nós duas saiamos no mesmo dia.

– Tem razão, odiaria ficar aqui sozinha.

Clara mexe nos cabelos.

– Eu acho que aqui dentro poderia ter um shopping center – Falou ela. – Como naqueles condomínios de luxo m que eles se privam dos pobres mortais.

– Com uma livraria enorme...- Completei

– E lojas de departamento...

– E salão de beleza...

– E operadoras de celular... – Falou Clara.

– E cinema...

– E podólogas...

– Espera, podólogas? — Indaguei – Isso não é algo que os jovens procuram nos shoppings.

– Eu procuro. – Falou ela.

– Santo Deus, só você mesmo.

– Olha o preconceito contra nós, Liz.

– Nós?

– Eu e todos os jovens que procuram podólogas.

Rio, não como costumava fazer,mas mesmo assim rio. A risada sai como som repercutido em metal, há muito tempo guardada.

– Você sabe rir.

– É, sei ficar com fome também. Que tal fazer miojo ? – Sugeri.

– Brigadeiro.

– Mas é hora do almoço...

– Que se dane, quero brigadeiro!

Saí da sala de estar, indo para a cozinha. Se minha mãe achou estranho que eu estivesse fazendo brigadeiro, não comentou.

Pela primeira vez em meses eu me sentia mais viva, talvez fossem os remédios que a psicóloga receitara, mas me sentia mais alegre,mais normal.

E adorava isso.

Notas finais
O que acharam? Bjus da Tia Zia P.S: Escrevi uma oneshot, seu quiserem dar uma olhada... http://fanfiction.com.br/historia/607237/Um_conto_de_amor_e_amizade/