Notas iniciais
Cap um pouco mais longo do que o anterior.

Hoje é um de meus dias ruins, eu admito.

Deitada enquanto encaro a porta, me lembro de toda a cena do assassinato, não sei mais distinguir o que foi real e o que foi fruto de meus pesadelos espalhafatosos.

O.K, no começo me deitei na cama para fugir das broncas e castigos de minha mãe (Ela está muito brava com a ligação) , mas agora é real, eu realmente me sinto péssima.

– Lisa, o que você fez foi imprudente — Minha mãe entra no quarto, dizendo essas palavras. Ela esta estranhamente calma, como se tivesse tomado uma cartela toda de calmantes( o que pode ser verdade).

– Hum — Murmuro

– Me responda direito- Seus olhos azuis quase saltam das órbitas.

Mexo meus lábios, mas o som não sai. Em seu lugar, um grito estérico corta o ar .

– Você está bem? — Ela diz, afastando uma mecha loira do rosto.

– Não — Consigo dizer

– O que aconteceu?

Tento responder, mas meus olhos se enchem de lágrimas. Mais de sete bilhões de pessoas no mundo, e justo eu tinha que ter sido testemunha daquilo?

– Lisa, qual é, me responda

Afundo a cabeça nos pés da cama, deixando minhas lágrimas encharcarem o lençol de algodão egípcio.

– Ah, filha — Minha mãe diz

Diego entra no quarto, mas quando me vê chorando, dá a meia volta e desce as escadas. Minutos depois, ele volta com um copo de água com cristaizinhos embaixo, eu sugiro que seja açúcar.

Ele entra no quarto e entrega o copo em minhas mãos , minha Mãe o encara com satisfação e bagunça seus cabelos quando ele se levanta e vai em direção a porta.

– Você quer ficar sozinha? — Ela pergunta

Balanço a cabeça em concordância.

Ela beija minha testa e sai do quarto, deixando a porta entreaberta.

Passo as próximas horas ouvindo o Tic- tac do relógio, contando cada segundo em meio a devaneios aterrorizantes. É como se eu fosse uma das vítimas do Jason de o Massacre da serra elétrica, sabendo que corro enorme perigo, mas de mãos atadas, sem ter o que fazer. Só percebo que o dia já passou quando meu pai me leva um pouco de sopa.

– Fome...Não — Falo, como um bebe

– Você tem que comer, pelo menos um pouco. — Ele fala. Percebo que o cabelo preto ganhou um fio branco a mais, e os olhos pretos apresentam olheiras das noites mal dormidas.

Continuo deitada, sem a menor vontade de comer. Ele pega a cadeira da escrivaninha e se senta ao lado da cama, me dando colheradas de sopa.

– Você comeu tudo — Ele fala — Agora sua mãe vai te colocar no banho .

E assim foi feito. Minutos depois, eu já estava no banheiro, embaixo do chuveiro. Felizmente, minha mãe me deu privacidade, assim terminei o banho rapidamente.

Vesti pijama e fui para o quarto,me deitando exatamente onde estava antes.

Três dias depois, eu estava do mesmo jeito.

– ACORDA GAROTA! — Clara grita, entrando em meu quarto

Meus ouvidos doem , mas não me mexo nem um centímetro sequer.

– Lisa, você já está nessa situação fazem três dias. Está na hora de ver o sol — Ian comenta

– É — Clara diz, o apoiando — Você esta mais pálida do que um vampiro.

Ela abre a cortina, me cegando com o luz do sol.

– Dói — Falo

– Vai doer mais se a senhorita não se levantar nesse exato momento- Ela fala

Continuo parada.

Os gêmeos se encaram, como se estivessem tramando um plano maligno.

– Se não vai por bem, vai por mal — Ian fala

O garoto me levanta da cama e me carrega no colo pelas escadas. Fico me debatendo, mas ele nem se incomoda. Ouço Clara atrás de nós, rindo da situação.

– Eu disse que íamos dar um jeito — A garota fala para minha mãe

Ian abre a porta, me conduzindo para fora de casa, o sol está ainda pior do que o da janela de meu quarto.

– Quarenta graus e você jogada na cama. — Diz Clara — Deveria estar em um hospício

Mostro a língua para ela .

– ESSA É A LISA QUE EU CONHEÇO! — ela grita , assustando meu vizinho

Ainda nos braços de Ian, sou carregada por três blocos de casas, parando em frente a uma arvore de uma casa sem moradores.

Ian me coloca suavemente embaixo da árvore,que faz uma sombra reconfortante.

– O que aconteceu com você? — Ele pergunta

– Foi estranho — Falo, depois de três dias sem formar frases — Eu podia sentir o trauma, como se cada segundo eu ficasse mais perto da morte.

– Isso é normal — Clara fala — Mas não é desculpa para ficar parecendo um zumbi

Faço um gesto obsceno para ela.

– Também te amo — Ela fala

– Clara, dá um tempo — Ian fala — Deixa ela respirar

A menina funga.

– Todo esse tempo dormindo, você perdeu uma novidade — Ele fala

– Qual? — pergunto

– O Baile anual das testemunhas em perigo — Clara fala

– O nome real, clara — Ian comenta

– O baile anual do condomínio

– Agora está certo

– E daí? — Falo

– E dai — Clara fala, toda animada — Que todos os gatos do condomínio vão estar lá

Ian faz cara feia

– Não é só isso- O garoto fala — O baile tem atrações legais, e cada ano tem um tema. Esse ano, será sobre os filmes de princesas Disney.

– Vai ter comida? -Pergunto

– Sim — Clara responde — e da boa

– Agora eu me interessei

Os irmãos riem. Clara vê o porteiro chegando com uma pizza e corre atrás dele, nos deixando sozinhos

– Então, todos tem que ir com um par — Ian fala — Eu não posso ir com minha irmã, você aceitaria ir comigo?

Olho o rapaz. Ele está vermelho como um pimentão. Contenho a vontade de apertar suas bochechas.

– Você não ia querer ir comigo, eu só sei comer

– Eu não ligo

– Então tá bom, eu aceito — Falo, tentando parecer indiferente.

É Tão estranho, quer dizer, eu já tive muitos amigos homens, várias vezes fomos juntos aos bailes, mas eu nunca senti tanta animação como hoje.

"Lisa, volte para a forma normal" Penso

Clara volta,com um pedaço de pizza na mão.

– Clara, com quem você vai? — Pergunto

– Com o seu irmão.

Se eu estivesse comendo, provavelmente estaria engasgada.

– O que? — Pergunto

– Ele me convidou

Tenho um ataque de riso. Clara era linda, feliz , legal , mas não era o tipo de Diego, ela não era metida e nem fútil.

– Cara, chega de piadas por hoje — Falo

– Mas é sério — Ela fala — Ele foi muito gentil no convite. Quem resistiria aqueles olhinhos azuis implorando pelo sim?

Me sinto um pouco enjoada, admito.

– Não esquenta — Ian fala — Depois da meia noite ela vira abóbora

A menina dá um tapa no ombro do irmão.

– Seu idiota- Ela fala

Eles riem, mas eu fico parada, sem ação.

Diego e Clara não combinam. Ele é o tipo que destrói os corações das garotas, e ela é do tipo que demora para se curar. Não vai dar certo.

Pelo bem de Clara, isso não deveria acontecer.

Notas finais
Gostaram? Espero Não ter sido rápida demais, com essa coisa de Lisa na amizade estranha com Ian