A testemunha- HIATUS

22 Bolo de boas vindas.


Notas iniciais
Tentei fazer essa grande, mas falhou. De qualquer forma, boa leitura.

Acordei sobressaltada, havia esquecido completamente da corrida marcada com os Vieira.

Levantei-me da cama, me vesti com roupas confortáveis, fiz minha higiene e sai para a rua. Na esquina, Clara e Ian me esperavam nervosos.

– O combinado era sete da manhã, mas são sete e quarenta! – A garota fala.

– Por que não nos avisou que atrasaria? – Ian indaga

– Desculpa, eu dormi além da conta.

Clara pragueja e começa a correr pela rua, Ian e eu decidimos a seguir.

Há tempos que eu não fazia cooper , tinha me esquecido de quão bom era correr para se exercitar.

– Podemos fazer uma pausa? – Pergunto, após exatos quarenta minutos correndo pelo condomínio.

O grupo faz uma pausa, na sombra de uma árvore. Ian me empresta sua garrafa de água e deixo que o líquido corra por minha garganta.

Nos sentamos no meio fio, para que as pernas descansem um pouco.

– Lisa – Clara chama – Descobriu algo sobre os seus novos vizinhos?

– Não. Depois que você saiu de casa, fiquei de bobeira e li um pouco. Estava querendo dar uma torta para eles, sabemos o quanto o primeiro dia é ruim.

– Torta seria uma boa – Ian fala, admirando o céu – Só vieram três pessoas?

– Pelo o que vi, sim – Respondo.

– Vamos continuar a correr? – Clara fala, se levantando.

Ian e eu nos levantamos, seguindo em ritmo acelerado.

Quando o exercício acaba, entro em casa e me encaminho até o banheiro.

– Credo, você está fedida. – Diego zomba, quando estou na porta do meu destino.

Após o banho,me troco e vou até a cozinha, minha expectativa era fazer a tal torta, mas percebo que acabaram os ingredientes necessários, os marco na lista de compras e decido fazer um bolo simples de fubá e, quando tudo já está nos conformes, coloco o bolo no forno.

– Cozinhando? — Meu pai pergunta

– Sim, um bolo para os recém-chegados vizinhos.

– Essa é a minha garota, solidária.

Rio, meu pai está exagerando.

O bolo finalmente fica pronto, então o corto em pedaços pequenos e coloco o conteúdo em uma vasilha com tampa. Abro a porta de entrada de casa e caminho até o outro lado da rua.

Toco a campainha e aguardo o atendimento.

– Oi – Falo, assim que uma garota com os cabelos tingidos de um forte tom de vermelho, baixa e com olhos verdes sob um óculos de grau abre a porta – Sou Lisa, a vizinha da frente .

– Ah, oi – Ela fala – Sou Dafne.

– Trouxe um bolo de boas vindas, deve estar sendo difícil a mudança.

Como se eu tivesse apertado um botão, a garota desaba em lágrimas, deixando-me parada na porta , sem reação.

– Ei, você tá legal? – Indago

– Ele matou a minha prima, sem dó. Por que eu vi aquilo? Por quê? Por que ele não me matou? A mira era eu, de qualquer modo – Ela fala, entre as lágrimas.

Fico sem palavras.

– O que você viu? Eu passei por algo horrível também, posso te entender.

– Era meu ex, ele disse que... disse que iria me matar se eu terminasse. Mas sabe, eu achei que fosse brincadeira. Agora olha pra mim, olha onde estou! Mia se jogou na minha frente na hora do tiro, era ela quem deveria estar viva aqui, eu deveria estar enterrada a sete palmos na terra.

– Ei, Não foi culpa sua . –Falo, tentando juntar tudo o que ela disse.

– Foi sim, eu o namorei só pra ser popular, e olha no que deu.

Uma sombra se aproxima da garota, tirando-a da porta.

– Me dê um minuto. – Um garoto de cabelos castanhos claros e olhos verdes como os de Dafne me diz isso, fechando a porta.

Aguardo um minuto lá fora, segurando a vasilha. Quando já estou prestes a voltar para casa, a porta se abre.

– Desculpe por minha irmã, ela está muito abalada ultimamente.

– Eu entendo – Falo

– Sou Igor Oliveira, irmão da Dafne.

– Sou Lisa. Você também testemunhou? – Indago

– Não, mas vi o corpo sem vida, caído no chão.

– Deve ter sido horrível.

– Minha prima era o tipo de garota que conquistava todos a seu redor , sempre feliz e saltitante. Vê-la caída foi como se minha própria irmã estivesse ali .

– Meus pêsames.

Ele olha para baixo.

– Trouxe esse bolo como boas vindas, aceita?

– Sim. – ele fala, pegando a vasilha.

– Se precisar de qualquer coisa, é só me chamar na casa da frente, lembre-se de que todos aqui já passaram por o que sua família está passando, todos podem ajudar.

– Tá. Se me dá licença, vou lá cuidar de Dafne, ela pode estar tentando se matar.

– Tá. Boa sorte. – Falo

Ele fecha a porta devagar e eu vou até minha casa, rezando pelo bem estar daquela família.

Chegando em casa, vejo uma carta em cima da mesa da cozinha.

A abro,sem saber quem era direcionada. As palavras e imagens ali contidas me fazem ir deslizando até o chão, me debulhando em lágrimas.

Hey Lis, como vai?

Não posso escrever muito, mas quero dizer que sinto sua falta todos os dias , de verdade. Na escola, fiz amizade com Rafaela (a garota que comia sozinha no banheiro) , mas o papo não flui, é tudo muito mecânico.

Não vejo mais filmes de terror, sem ter você aqui pra gritar eles perdem a graça.

Não vou mais ao shopping, não tem graça passar em frente do parque de crianças sem você para gritar.

Não fico mais mandando mensagens no meio da madrugada, pois sem minha destinatária aqui, de que me valeriam as noites em claro?

Por fim, descobri que preciso muito mais de você aqui do que imaginava.

Quanto a formatura, enviarei as fotos.

Aviso: Sophia, a patricinha da escola foi EXPULSA (sim, você leu direito) . Foi encontrada usando drogas no banheiro (mas nós já sabíamos, certo?)

O cara do intercâmbio vai ao baile com Clarisse (sim , ela roubou ele de você kkk )

Eu vou ao baile com... O idiota do Ricardo ( o cara que reprovou dois anos seguidos )

Ben e eu brigamos, mas já esta tudo sob controle.

Enviei uma foto de sua, que está sendo habitada por um casal de idosos, também mandei uma minha, para que não se esqueça de mim. Certo?

Beijos, você também sabe quem

Notas finais
Estava pensando... Vocês tem alguma dúvida sobre a fic? Caso sim, me perguntem pelos reviews ou por MP