A teoria do caos

13 Capítulo XIII – A órbita de um Midoriya


Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha de volta para você.

Friedrich Nietzsche, Para Além do Bem e do Mal.

As ruas de Hosu estavam se tornando território proibido para muitos vilões. Com Nora e Stain andando por esses becos, e em consequência trazendo mais heróis com eles tentando os capturar, Hosu no momento não era o lugar ideal para se tentar praticar um crime.

Por isso era compreensível que Xin estivesse nervoso ao andar por lá no meio da madrugada. Mais ainda pelo motivo de estar lá especificamente. Mesmo com um grupo de seis ele se sentia intimidado. Ele nunca havia visto Nora pessoalmente, mas ouvira todos os boatos. Inclusive sobre como a quirk dele poderia ser uma contrapartida da sua. Era quase um consenso a esse ponto, já que ele sempre jogava o que se podia fazer contra você mesmo.

Uma quirk interessante, quando não era usada contra você.

Podia ser pior, podia ser Stain. Pelo menos Nora não tinha o costume de deixar corpos pelo caminho. Pelo o que sabia.

—Tem certeza que ele está aqui?

Mao murmurou irritado a sua frente.

—Se está com tanto medo, volte para casa.

Os dois sabiam que isso não era possível. Ele sentia que havia assinado um contrato com o diabo. O retorno era bom, e ele não era contra criar um pouco de caos para os heróis, mas todos sabiam que era algo sem volta.

Ele só não estava confortável em pegar a missão que todos tinham falhado até então. Ainda mais quando tal missão era procurar alguém de quem seu primeiro instinto era fugir. Olhos laranja demoníacos, era o que diziam. Rápido e correndo pelas paredes como um homem possuído. Com certeza alguma mutação.

—Por Cristo, pare de balbuciar seu maldito, ou eu mesmo te mato. É só achar esse desgraçado do gato e dar um recado.

—Que ninguém conseguiu até agora.

—Eu não sou ninguém. O lunático quer ele? Vou levar arrastado pelo rabo.

—E por isso eu não uso um rabo.

A voz repentina os fez paralisar. Xin olhou para trás apenas para notar que os outros homens estavam caídos no chão ou amarrados na escada de incêndio. Mao gritou irritado, seus braços se esticando prontos para atacar, mas antes que ele pudesse ouviu um zumbido e o brilho de uma corrente elétrica, o corpo dele caindo no chão pesadamente.

Na penumbra ele via apenas os olhos laranja e a silhueta escura, mas as orelhas não deixavam dúvidas de quem era. Xin estendeu a palma das mãos e liberou o impulso, em pânico. A sombra se moveu e por um momento ele achou que havia acertado. Por minutos ele continuou atacando a esmo, sua respiração era a única coisa que se ouvia junto aos zunidos dos espinhos, os olhos procurando ao redor.

Ele respirou em alivio, apenas para algo cair em suas costas o levando ao chão. Suas mãos foram torcidas, suas palmas em direção ao seu peito. Sem chance de atacar sem se machucar.

—30 segundos a cada liberação, o dobro quando fica exausto. – A voz mecânica murmurou em seu ouvido e seu terror aumentou.

—Só um recado! Só viemos dar um recado. – A pressão aumentou em seu pulso. Se entrasse em pânico ia criar um buraco na própria barriga naquele ponto. – Eu juro!

—De quem seria esse recado?

—Da liga dos vilões!

—Que nome criativo. O que eles querem de mim?

Xin se sentiu relaxar minimamente, ao menos ainda estava vivo.

—Fazer um convite. Eles estão recrutando pessoas. – O silêncio o fez entrar em pânico novamente. – O dinheiro é bom. – Nada. – E eles vão liberar as ruas dos heróis, vão matar All Might. Caos social. Não vão perseguir mais você, vê?

—Quem é o líder? Quem mandou vocês?

—Eu não sei. – A pressão aumentou, sua mão torceu em direção ao seu peito e Xin soluçou. – E.eu, tem um cara de sombra. E um psicopata cheio de mãos.

O corpo paralisou abruptamente nas suas costas e Xin também parou de respirar. Ele contou os segundos, até ouvir a voz em seu ouvido novamente.

—Diga a ele que se quiser me convidar, que venha pessoalmente.

O peso sumiu totalmente e quando se virou estava sozinho.

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14 anos, 9 meses atrás

Izuku nasceu em um terça-feira, quase três meses antes do previsto. Ele era tão pequeno que quase cabia completamente na palma da mão do médico e desde seu primeiro sopro de vida ele teve que lutar por algo que deveria ser do seu direito: respirar.

Hisashi, que se organizara tanto para ver o nascimento do filho fora pego totalmente de surpresa, mas ainda assim quando Inko acordara ele estava lá, ao lado da sua cama. Havia sangue em sua camisa, queimaduras no ângulo da sua boca – ele sempre as causava quando usava demais sua quirk, por alguma razão que Inko nunca conseguiu entender. A pele dele não devia ser imune ao fogo? — e os olhos dele tinham aquela expressão agitada que ele geralmente conseguia mascarar tão bem.

Ele estava com medo.

Inko ignorou o sangue – ela sempre ignorava -, o cheiro de fuligem e o ar de cautela e perigo que ele sempre carregava enquanto os dois se abraçavam depois de longos seis meses. Seis meses em que ela se perguntou, mais de uma vez, se estava fazendo a escolha certa em ficar com um homem do qual pouco sabia e o que sabia não era exatamente bom. Seis meses em que notara, mais de uma vez também, pessoas a vigilando em sua própria casa, presentes de bebê aparecendo na sua porta e estranhos que surgiam do nada para a ajudar sempre que saia na rua, e que ela sabia – apenas sabia – que era coisa de Hisashi.

Ela ponderou durante seis meses e, ainda assim, vendo Hisashi, perigoso Hisashi com medo pela primeira vez, que parecia ter passado pelo inferno para chegar até eles, ela não tinha nenhuma dúvida sobre sua escolha.

Um mês depois Izuku saiu do hospital. Ele havia ganhado peso e força para viver, mas ainda era o bebê menor que os dois já tinham visto. Ele sumia nos braços do pai, que o olhava como se ele fosse o centro do seu universo.

—Dizem que todo Midoriya tem sua órbita. – Inko brincou enquanto fitava a cara de idiota do marido focado nos olhos do filho, que também o fitava atentamente. – Vem com o poder de puxar as coisas, sabe?

—Isso...faz sentido. – Ele comentou de forma distraída.

—Se ele tem minha órbita e tiver seu fogo, sabe o que significa?

Olhos vermelhos a fitaram, um sorriso maroto no rosto cheio de sardas que tanto aprendera a amar.

—Que ele é o nosso sol, Inko-chan.

Duas semanas depois Hisashi partiu. Inko só o veria três anos depois, mas ainda assim ela não conseguia se arrepender da sua escolha.

Em certa madrugada, quando Izuku tinha 8 meses, Inko o colocara para dormir no berço e cochilara exausta no sofá, apenas para acordar com o som de uma risada infantil.

Antes mesmo de abrir os olhos ela sentiu a presença no quarto. Havia um homem de pé ao lado no berço do Izuku, que ria agitando os braços para o estranho. Com o coração acelerado ela puxou com sua quirk a arma que Hisashi havia colocado na parte mais alta do armário do quarto, e que ela pensou que nunca iria precisar.

Em segundos Inko havia saltado do sofá e tinha o cano da arma nas costas do estranho que estava perto demais do seu filho. O homem levantou as mãos ao sentir o cano frio, mas não se moveu para longe.

—Saia de perto dele.

—Sua mão está tremendo, Inko.

—Takashi? – O homem virou o rosto e toda dúvida se esvaiu ao ver os olhos dele. — O que fez no seu cabelo?

—Conto se tirar a arma de mim.

—Como sei de certeza que é você?

—Sou eu, Órbita.

Inko nunca soltou uma arma tão rápido. Takashi se virou, e ele parecia horrível. Havia sangue em seu rosto e em suas mãos, e a roupa preta que usava tinha rasgões que tinha certeza ser feito por algum objeto perfurocortante. O cabelo dele, que fora branco como a neve um dia, estava pintado de preto e maior do que vira em toda a sua vida. Ele parecia dez anos mais velho que ela, apesar de serem da mesma idade.

Por segundos ela fitou o irmão, dividida entre dois desejos ao o ver depois de quase três anos. Da última vez que o vira os dois tinham 19 anos, e seu irmão fez a escolha mais estúpida da sua vida. Sem um cartão, sem um aviso. Nada. Só para aparecer na sua casa no meio da madrugada e quase a matar do coração.

Um soco no estomago do idiota era merecido depois do abraço.

—Pare de gemer no chão e vá se lavar, se quiser segurar seu sobrinho.

Uma hora depois ele estava limpo e com as roupas de Hisashi, sentado no sofá da sua sala. Izuku balbuciava nos seus braços, as mãos gorduchas agarradas no cabelo dele, sorrindo com os dois dentes amostra. Izuku sempre fora uma criança fácil de lidar, mas ele não se abria com todo mundo. Qualquer pessoa que não fosse sua oka-san ou Mitsuki os olhos verdes se enxiam de lágrimas imediatamente. Seu filho era chorão como a mãe.

E lá estava ele, brincando com o tio como se o conhecesse a vida inteira. Takashi olhava para ele fixamente, com uma expressão quase desesperada, e Inko sabia que algo grave devia ter acontecido. Ela tinha se resignado que só teria notícias do irmão por uma certidão de óbito, mas lá estava ele, e isso fazia com que a raiva se esvaísse, e só a preocupação ficasse no lugar.

—O que aconteceu, Takashi?

Perguntou suavemente, mas toda a resposta que teve pelos minutos que se seguiram foi o silêncio. Os dedos dele passavam na testa do sobrinho.

Quando ele finalmente falou, sua voz estava levemente trêmula, mas seu tom era de piada.

—Ele parece com você, ainda bem.

—Ele tem as sardas do Hisashi. – Izuku balbuciou mais, a mão babada saindo da boca e batendo no rosto do tio. – Takashi?

—Eu me casei.

Não era isso o que Inko esperava, e ela não sabia o que dizer.

—Tivemos um garoto também.

—Oh, Takashi. Quando?

—Em maio. – Seu irmão não parecia feliz, e Inko se sentia mais confusa. – Eu pensei em mandar fotos, mas...

Inko realmente não sabia o que dizer. Seu irmão levantou o rosto e parecia o mais vulnerável que havia o visto desde que eram crianças.

—Ela morreu, Inko.

Sentiu seu coração se quebrar. Ergueu a mão e Takashi a apertou com força. Ainda assim ele não chorava. Takashi nunca chorava, ela sempre chorava pelos dois. Talvez por isso ela chorasse tanto.

—Seu filho...?

—Eu o entreguei para adoção. –Izuku havia parado de balbuciar e acariciava o rosto do tio com uma expressão concentrada. – Eu falei tanto da nossa mãe quando ela deixou a gente naquele lugar, e fiz a mesma coisa que ela fez. E eu finalmente a entendi, Inko. Depois de 15 anos, eu entendi.

—Takashi...

—Amar tanto alguém e ter que ficar longe para a pessoa ter uma chance? E eu nem sei porque pensei que poderia ser diferente...

—Takashi! — Seu irmão parou de balbuciar quando tocou no rosto dele, a expressão séria. Izuku estava se movendo incomodado, os olhos verdes cheios de lágrimas olhando para o tio. Inko pegou o filho e viu o irmão olhar as mãos vazias em silêncio. – Todo Midoriya tem sua órbita.

Takashi riu, um som triste e patético demais aos seus ouvidos: — Você que atrai coisas, Inko. Repelir não é só minha quirk, afastar tudo é o que sei fazer direito...

—Lunar e Órbita, era nossos nomes de heróis no orfanato.

—Onde quer chegar, Inko?

—Você sempre foi a lua, Takashi. Você sempre me protegeu. Eu...eu não sei o que faria no seu lugar, porque eu nunca estive nele, mas me deixa cuidar de você pelo menos uma vez?

Takashi não chorou, mas Inko não esperava que ele chorasse. Izuku se esperneou para os braços do tio de novo, onde ficou durante as próximas horas, o fitando quietamente, como raramente ficava.

Por uma noite Inko pensou que finalmente poderia ter seu irmão de volta, que juntos eles poderiam resolver tudo.

Na manhã seguinte Takashi havia sumido.

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Dias atuais

Ela podia sentir o vento acariciando sua pele e a textura dos lençóis em suas mãos. Portas se abriam e fechavam, alguém assobiava ao longe. Passos. Um sinal de emergência em algum lugar.

Inspirar, expirar. Foco. Suas pálpebras tremiam com o esforço, mas nunca se abriam. Uma borboleta presa em um escafandro, não era assim a antiga história?

O tic tac do relógio, e ela sabia que ele estava atrasado. Teria acontecido alguma coisa? Seu coração acelerou e sentia que ele podia sangrar. Segundos, minutos. Uma hora?

Seu dedo se moveu e sentiu a exaustão a tomar, mas se manteve focada.

Vento, o som da janela se abrindo. Passos gatunos. Sempre a criança que andava na ponta dos pés em casa para nunca incomodar.

‘Izukun’

—Oka-san, desculpe a demora. – A voz dele parecia cansada. Estava tarde. Ele tinha aula pela manhã, não tinha? – Deixa contar como foi meu primeiro dia...

E ele balbuciou sobre os colegas e quirks, sobre a amiga e um garoto de cabelo roxo e sobre bengalas de natal e o quanto ‘Kacchan’ era incrível, mas que ele não podia dizer isso para ele para não aumentar o ego dele. E Inko absorveu tudo, sobre U.A e sobre como Ingenium e Hawks era bons heróis, e o próximo experimento que ele faria.

—Eu tenho que ir, Oka-san.

‘Já?’

Sentiu a mão calosa na sua, lembrando quando ela era macia e gorducha. A voz dele perto do seu rosto e o beijo suave em sua testa.

—Oka-san? – Vulnerável, trêmulo. Tão baixa e triste. – Pode apertar minha mão?

Inko queria muito.

Foco.

Ela tinha feito isso várias vezes, podia fazer agora. Podia dar um sinal para seu bebê. Que ele não estava sozinho.

Seu corpo a falhou, mais uma vez.

Quando a janela se fechou Inko queria gritar, mas tudo ao redor que se ouviu foi silêncio e o assobio de alguém no corredor.

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Foco.

Ele podia sentir. O metal frio nas suas costas, cada nervo do seu corpo em fogo. Ele podia ouvir também. Gritos longe e perto. Em toda parte.

Ele sabia o que fazer para tudo aquilo parar. Bastava a verdade, e tudo iria parar. Mas aquele nunca seria seu papel. Seu papel sempre seria ficar entre sua família e o que viria. O papel da lua sempre seria proteger a terra. O papel de Takashi sempre foi repelir o que vinha contra eles.

‘Você deveria falar.’

Aquela voz na sua cabeça, o instinto de sobrevivência que nunca ia embora. Mesmo com a sua consciência que se perdia aos poucos, ainda era uma parte forte em si. Assim como sempre fora em todo Midoriya.

‘Você deveria falar. Fale.’

Ele nunca faria isso.

Mas ele poderia gritar.

E ao redor, era tudo que se ouviria.

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O sol já nascia quando entrou na torre do relógio. Um banho e um café forte era tudo o que poderia ter, sua mente a mil, ainda trêmulo pelo encontro na noite.

Por um lado, ele sabia agora que estavam atrás de Nora não por ele, por outro não era uma situação ideal também. Ainda assim, era sua chance.

Talvez Nora devesse parar de fugir.

Era sua única pista para encontrar Takashi, e ainda parar qualquer loucura que Shigakari estivesse querendo fazer.

‘Ele ainda tem o mesmo objetivo. No fim das contas, nada que eu fiz adiantou.’

Por um momento, anos atrás, ele achou que tinha alcançado Shigakari. Que tinha feito alguma diferença. Parece que estava errado.

E ele sabia que Takashi não iria querer isso. Que ele estava arriscando tudo o que ele tinha feito para o deixar seguro, mas Izuku não conseguiria apenas não fazer nada.

Por enquanto, no entanto, tudo o que ele podia fazer era tomar mais um café e alimentar os gatos enquanto se preparava para ir à escola. Ele tinha que trancar aquilo na sua mente, quando separar Izuku de Nora estava cada vez mais difícil. Depois de tudo o que Takashi tinha feito para ele poder estar ali, não iria falhar nisso também.

Mei havia ido embora horas atrás e deixado a máquina ligada para ele, o que lhe dava tempo de mais uma coisa. Ele tinha alguém para pesquisar. Ele tinha certeza que vinha um confronto à frente, e tinha que se preparar se quisesse sair dessa bagunça.

—Nada como informação para chantagem, como diria Takashi.

Meia hora depois ele tinha arquivos escolares e médicos, registro de quirk e, o mais importante, o sobrenome.

Shinsou.

—Isso só pode ser brincadeira.

Se aquele garoto ouviu seu sobrenome, não era só sobre o segredo do Nora que ele estava ferrado.

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Izuku Midoriya estava na sua escola. O garoto que seu pai tanto falara, que sabia que ele achava que devia estar morto, estivera todo esse tempo tão perto deles.

Ele havia dado essa informação ao seu pai com toda a certeza que lhe cabia, porque com cicatriz ou não, os olhos dele eram os mesmos da criança na foto. Seu pai havia balbuciado sobre flores misteriosas e sobre como as coisas faziam sentido, mas não era nisso que Hitoshi estava atento.

Izuku Midoriya era, muito provavelmente, um vigilante procurado pela polícia. Que havia salvo sua vida e jogado um balde de água – gelada — em Endeavour. Essa pequena informação ele não divulgaria, porque parecia absurda demais.

‘Você está bem, Olheiras?’

Quem ele queria enganar? Era ele sim, não sabia nem disfarçar.

‘O pior vigilante que já vi.’ Pensou divertido enquanto andava pelo campus, tentando encontrar os cabelos verdes chamativos antes que chegasse a hora da aula.

Havia tanto que tinha que saber. O que havia acontecido nos últimos anos? Como ele chegara nesse ponto? E, o mais importante e que estava deixando seu pai louco essa manhã, onde diabos ele estava enfurnado?

Um lado seu não queria se meter em nada dessa história. Era problema demais para sua vida, e havia feito sua parte e contado ao seu pai.

Outro lado seu estava curioso.

—A curiosidade matou o gato. – Murmurou indo para sua sala.

Um arrepio percorreu sua espinha.

Talvez fosse melhor só observar.

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Mal sabia Hitoshi que ele não teria escolha nenhuma sobre isso.

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—Mei! Bom dia, pessoal. Sensei não chegou? Que alivio, pensei que ia me atrasar, meu gato me seguiu até a estação, tive que voltar para deixar em casa, e perdi o trem, mas peguei outro e corri muito, mas cheguei bem a tempo...Mei, porque estão me olhando assim?

—Deku?

—Sim, Kenranzaki-san?

—Tem um gato na sua cabeça.

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Katsuki descobriu que era possível ficar entediado em uma escola como U.A durante as disciplinas do currículo normal. Será que eles iam ensinar alguma coisa naquele dia que ele já não soubesse?

Ao redor pessoas tomavam notas, olhavam o quadro confusas ou levantavam a mão em qualquer oportunidade. Quatro olhos especialmente. Ele se daria bem com o nerd. Ele tinha a mesma urgência de explodir ele às vezes.

(Quase sempre).

E falando em nerd, havia esperado o desgraçado na entrada da escola até ficar em cima da hora e o infeliz não tinha aparecido. Era como o secundário de novo, onde o maldito sempre se atrasava, apesar de saírem juntos de casa.

Sentiu uma força estranha no ar e olhou para trás, encontrando o olhar do meio-a-meio.

—Ele é meio assustador, não é? – Pikachu comentou ao seu lado, desenhando enquanto devia estar atento. Eu ele era muito esperto e não precisava, ou muito estúpido. Katsuki apostava no segundo. – Todoroki. Parece que quer matar alguém.

Katsuki bufou, olhando de relance e encontrando os olhos do outro que franziu o cenho em sua direção: — O maldito está entediado como o inferno.

—Como sabe? – Olhos de gambá perguntou curiosa. Depois reclamavam de não entender alguma coisa. – A cara dele nunca muda. Quer dizer, você Bakugou parece bem assustador. – Ela ignorou o lápis que se partiu em sua mão em ameaça. – Ele só parece...nem sei como se parece. Muito lindo, mas gelado como...

—Jesus Cristo, dá para calar a boca?

—Que rude, cara. – Sorridente se meteu e teve que respirar fundo. Olhar na cara de reprovação dele e de cara redonda no ombro dele parecia ajudar. Incrivelmente.

—Ele está entediado, e agora curioso com um bando de idiotas olhando para ele. E agora teorizando alguma estupidez. Agora calem a boca.

—Owa. – Pikachu murmurou. – Bakugou fala mesmo Todorokês?

Bakugou explodiu o segundo lápis.

O dia ia ser longo.

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Izuku estava adorando seu segundo dia, mesmo que tentar esconder Catchan dos professores estivesse sendo uma tarefa difícil. Com sorte seus colegas estavam bem-dispostos a ajudar e na primeira aula – matemática, com o herói Ectoplasma -, a experiência havia sido vários estudantes arrastando a cadeira ou derrubando algum livro para cobrir qualquer miado. Catchan havia mostrado seus protestos em ser escondido dentro do seu casaco arranhando seu pescoço sempre que tinha uma oportunidade, os olhos amarelos o olhando e forma indignada sempre que tentava o silenciar.

Apesar da obrigatoriedade do currículo normal, a classe de suporte tinha uma carga maior de exatas, o que era um diferencial. O horário do lanche deles ocorria com a classe de gestão, antes das demais. A tarde eles teriam aula no ginásio junto com a classe de educação geral. Eles não sabiam dos detalhes, apenas que a professora seria Midnight, e que seria uma espécie de levantamento de habilidades físicas. Ao que parecia mesmo as classes fora do departamento de heróis não escapavam desse tipo de treinamento.

Durante o lanche todos eles se sentaram em uma mesa do lado de fora, e Izuku conseguia observar ali a diferença entre a classe de gestão e deles. Não havia exatamente animosidade, mas a diferença entre as mesas era evidente. Os outros alunos mantinham certa distância, se olhando de forma quase calculista, avaliativa. Não era à toa que estavam na classe que lidava com negócios.

A sua mesa, no entanto, era uma bagunça. Peças avulsas no meio da comida, Mei estava fazendo algum experimento quando devia estar comendo, e todo mundo parecia falar ao mesmo tempo. Catchan, agora na sua cabeça, havia se acalmado depois de ser alimentado e liberado do seu casaco. Ele ainda não tinha ideia de como o monstrinho tinha surgido ali.

—O que está escrevendo, Deku?

Kenranzaki apontou para o caderno, que milagrosamente havia escapado do caos. Ergueu a mão em convite e ela sorriu.

—É sobre quirks? Você que analisa?

Assentiu timidamente.

—Pode analisar a minha?

—Claro.

—Se chama Colormorfo. Em minha defesa eu tinha quatro anos quando escolhi o nome. Eu consigo mudar a cor dos olhos e cabelos.

—E quanto a pele?

—Consigo mudar as pontas dos dedos, mas é isso. É bem chata.

—Na verdade é bem interessante. Quando muda a ponta dos dedos, o que está tentando fazer? No que está focando?

—No braço. O que está pensando?

—É uma teoria apenas, mas já pensou em focar em uma parte menor da sua pele? Os cabelos e os olhos são uma parte menor e isolada, e você muda facilmente, não é? Talvez se focar na mão, começar menor, possa conseguir.

—Na verdade...não é uma má ideia.

— É uma ótima quirk para camuflagem.

—Uou, você é bom nisso, Deku. Que tal a minha?

Deku tentou não parecer muito excitado, mas pelo sorriso de Mei e a cara de Kenranzaki – que o olhava como se ele fosse um animal particularmente fofo — havia falhado.

Todas as quirks eram tão interessantes.

Tako tinha braços extras, o que facilitava muito no trabalho do laboratório. Ele tinha bom controle deles, mas tinha dificuldade de usar todos ao mesmo tempo quando ficava desatento.

Harumi era uma menina tímida que sempre estava colada na irmã gêmea, Koto-chan. As duas eram extremamente parecidas – cabelos e olhos azuis, pele morena e altas -, a única diferença sendo as expressões faciais. Harumi parecia sempre nervosa, enquanto Koto tinha um olhar entediado e distraído. Harumi tinha uma quirk chamada scanner, em que podia fazer a cópia de qualquer objeto em que tocasse. As cópias só duravam algumas horas, e quanto mais complexo o objeto, mais rápido a cópia sumia. Koto tinha share, onde ela podia dividir um objeto ao meio e criar dois objetos iguais, mas menores do que o original. A cópia era permanente, mas quanto mais ela dividisse, menor os objetos se tornavam até sumirem de vez. As duas quirks só funcionavam com objetos.

—O que acontece se Koto usar Share em um objeto que Harumi copiou? Ele sumiria, ou se tornaria permanente?

Satou era um cara falante de óculos, que havia rapidamente feito amizade com todos da sala. Ele também tinha uma quirk muito interessante: Amplificador. Ele podia amplificar a quirk de qualquer pessoa, contato que mantivesse contato com ela. Só funcionava enquanto ele tocasse a pessoa, mas nesse meio tempo os níveis alcançados podiam ser absurdos. Era muito útil para descobrir os limites da quirk de alguém, o tanto que se poderia evoluir ainda, mas o esforço podia causar danos permanentes se o corpo do receptor não estivesse preparado.

(E era assim que eles descobririam que Kenranzaki poderia mudar totalmente de cor).

(E era assim que eles instalariam o caos dentro de U.A)

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Na sala dos professores Shota acordou de uma soneca com um arrepio lhe percorrendo a espinha. Um mau presságio.

Ectoplasma entrou na sala com uma expressão confusa e divertida e Shota realmente não queria saber.

—O departamento de suporte desse ano é insano.

E parece que ele não teria escolha. Por que não estava impressionado?

Nemuri que preparava o material para a aula no segundo período olhou interessada, já que seria a próxima aula dela.

—Insano como?

—Alguém trouxe um gato para a sala. Eles pensaram que estavam escondendo, foi...fofo?

O outro loiro idiota cuspiu sangue enquanto se engasgava no café. Shota afundou a cabeça no saco de dormir.

Eles sabiam exatamente quem era o tal aluno.

—Na classe de heróis tem um aluno que explodiu todos os lápis. E depois os do colega. – Cementoss comentou, e Shota queria grunhir novamente.

Porque ele também sabia exatamente quem era o tal aluno.

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—E você, Hiro-kun?

—Eu posso dar vida à objetos.

—Espera, sério? Qualquer um?

—Se eu tocar nele, sim. Mas só por alguns minutos. E é mais fácil com objetos menores.

Para demonstrar ele fez o garfo em sua mão começar a dançar pela mesa, todos seguindo com os olhos maravilhados.

—Isso é um pouco perturbador. – Aya admitiu.

—É tipo na Bela e a Fera. – Hiro ignorou o comentário de Deku graciosamente, afinal ele o compensaria com as notas depois.

O lanche havia sido abandonado completamente e Aya não podia nem reclamar. Ela sentia que havia recebido mais dicas válidas sobre sua própria quirk do que havia recebido em qualquer ida à conselheiros.

Ela sabia que Deku era esperto, ele havia entrado em segundo lugar no ano deles, que havia sido concorrido o bastante com só 10 vagas sendo preenchidas, mas esse talento em particular era inesperado. Ela o observou, quase de forma afetuosa, em como ele parecia excitado pendurado na mesa escrevendo como um louco, vibrando no lugar com cada informação. Hatsume não parecia tão interessada na conversa, mas ainda assim passava mais folhas para ele sempre que acabava sem nem mesmo levantar a cabeça, tirando coisas do lugar sempre que ele ameaçava esbarrar as mãos nelas quando se animava demais.

Aya sorriu com isso. Ela havia tido uma impressão um pouco errada dos dois no dia do exame. Eles pareciam caóticos demais, desordeiros e, no caso de Hatsume, um tanto arrogante, mas em apenas dois dias estava mudando de opinião.

Eles tinham uma boa sala esse ano. Um pouco excitados demais, mas uma boa classe. E os papéis, mesmo em dois dias, pareciam ter se estabelecido. Incluindo – ela fitou Deku rodeado por todos eles, Satou escapando de uma patada do gato sempre que tentava agarrar e balançar o outro garoto quando ele dizia algo particularmente impressionante – um certo centro gravitacional bem evidente.

Tako olhou para por onde estava de pé atrás dele olhando as notas e balançou a cabeça de forma exasperada, parecendo ler seus pensamentos.

Parece que os dois eram os pais da sala.

‘Maravilha...’

—E você, Nara-kun?

—Eu consigo concertar algo quebrado se eu cantar.

—Tipo a Rapunzel? – O garoto olhou Deku com a expressão nada impressionada e ele coçou a cabeça. – Ah, desculpe. Saiu sem querer. Mas como funciona? Funciona com ferimentos de pessoas também? Você usa sua estamina? Depende da música?

—Hum. – O garoto olhou confuso, mas tentou responder. – Só com objetos, uso minha estamina. E eu nunca pensei nisso? É interessante. Por que está me olhando assim? Deku, está me dando medo. E seu gato também.

—Okay. – Aya interrompeu antes que o garoto fugisse com medo. O que era estranho, porque Deku parecia inofensivo com um gato na cabeça, pendurado na mesa balançando as pernas como uma criancinha. Ela entendia medo do gato, no entanto. – Jimin?

Jimin que ainda olhava o garfo dançar com concentração quase saltou do banco. Ela era pequena, menor que Deku até. Os olhos dela tinham uma coloração azul opaca, imaginava que envolvia a quirk dela.

— Eu, hum. – Ela tossiu. – Posso reverter algumas quirks, dar o efeito contrário a elas. Temporariamente. Posso demonstrar?

Aya estendeu a mão quando ela pediu, e viu fascinada os olhos dela mudarem de cor, para um azul escuro.

Quando Aya tentou mudar a cor dos cabelos, a mesa em que ela tocava se tornou cor de rosa. Por sorte aquilo era temporário, ou seria difícil de explicar.

—Seus olhos? – Deku perguntou curioso.

—Eles voltam ao normal em alguns minutos.

—E o efeito acaba.

Ela assentiu, sorrindo.

Era uma quirk incrível. Todas eram.

—E quanto a sua, Deku? Como funciona sua análise?

Como se algo desligasse nele, o lápis parou de se mover e Aya viu preocupada os olhos dele ficarem distantes, o rosto pálido deixando a cicatriz horrível que tentava não encarar mais evidente.

Os outros se entreolharam.

—Deku?

Aya viu as mãos dele tremerem levemente.

—Izuku.

A mão de Mei em seu ombro o fez se encolher. Uma patada do gato na cara o fez retornar. Ele piscou levemente e balançou a cabeça. O sorriso dele era um tanto trêmulo.

—Desculpem. Não, minha quirk não é de análise. Na verdade, eu nem tenho uma.

Isso...era inesperado.

—Eu nem sabia que eles permitiam alguém sem quirk na U.A.

—Hiro!

—Ai, Satou! Não falei por mal, é só uma curiosidade mesmo.

Aya olhou Deku de forma preocupada, mas ele parecia tranquilo novamente. As pernas balançando, o gato agora em seus braços.

—Não há nada proibindo, mas nunca teve porque ninguém nunca tentou.

—Porque nunca teve, e eles achavam que não podia por isso. – Hatsume acrescentou, parecendo se divertir.

—Sem falar que alguém sem quirk chegar aos 15 anos já não é comum. – Alguns olharam horrorizados, mas o garoto continuou como se estabelecesse apenas fatos. – E os que chegam raramente terminam o secundário, as perspectivas não são boas.

—Isso é... horrível. – Harumi comentou, e tinha que concordar. Nunca havia parado para pensar nisso.

—É, mas você está aqui agora. – Satou cortou o clima pesado passando uma mão no ombro do outro, ignorando o gato a mordendo. – Nosso próprio gênio do mal.

—Oh, mas as coisas melhoram. – Hatsume, que finalmente parecia querer interagir sorriu, um sorriso um tanto enervante. – Por que ele não vai parar por aqui. Ele vai se tornar um herói.

Ela dizia isso com tanta certeza, que apesar de um pedaço seu dizer o quanto era absurdo, uma parte maior não podia não acreditar. Deku sorriu para a outra garota, o rosto afundando no pelo do gato dele, envergonhado com a atenção.

—Ah é? – Satou perguntou, ainda tentando livrar o outro do desconforto. – E como planeja fazer isso? – Aya o olhou em aviso e ele balançou a cabeça — Não estou duvidando, só curioso.

—O festival, claro. – Hatsume voltou a se distrair na peça em que mexia.

—Como?

Deku ergueu a cabeça que tinha escondido e o olhou com mais seriedade que ela tinha visto até aquele momento: — Derrotando todos os participantes e ficando em primeiro lugar.

Eles o conheciam por dois dias e segundos atrás ela estava apenas indulgente sobre isso, mas olhando a expressão dele no momento, Aya não conseguia duvidar dele.

—Okay. – Koto, até então calada comentou quebrando o silêncio chocado ao redor. A expressão dela na mesma cara de tédio de sempre. – Vamos ajudar. Vai ser divertido.

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Nunca se poderia saber que a decisão de uma aluna eternamente entediada poderia criar um caos que mudaria a própria indústria de heróis.

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Shota não sabia porque estava se arrepiando tanto nesse dia.

Era melhor Nezu olhar se o aquecedor da sala estava funcionando.

—Eraseeeer! Que tal ajudar sua melhor amiga?

Nemuri tentou enfiar uma prancheta na sua cara e desviou, virando de lado.

—Não.

—Nem se for pelo seu filho?

—Eu não tenho um filho.

—Tem certeza? Ele trouxe um gato para sala, me lembra um certo estudante que um dia trouxe um gato também...

Ele tomou a prancheta dela, pelo menos para a fazer calar a boca.

—Ele entrou na minha bolsa sem eu ver.

—Claro que entrou. – A maldita sorriu. – Então, o que me diz?

Como se ele tivesse uma escolha.

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—ESTOU AQUI! ENTRANDO PELA PORTA COMO UMA PESSOA NORMAL!

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—Estudos heroicos básicos! Nesta aula vamos construir sua fundação heroica básica por meio de vários desafios! E vamos começar com isso! Desafio de batalha!

‘Oh, finalmente algo interessante na porcaria desse dia!’

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30 anos atrás

Itsumi não sabia o que poderia ter feito diferente. Talvez com o tempo ela poderia ter pensando em outra coisa, mas tempo era algo que ela não tinha.

Um dia ela usou o nome de uma estrela para fazer o que achava que devia ser feito. Agora ela se sentia uma supernova, pronta para explodir e levar o que tivesse ao redor. E por isso ela tinha que os deixar ir.

Pelo retrovisor ela os viu dormindo atrás. Takashi, sempre o protetor, estava abraçado com Inko. Uma parte sua esperava que eles não acordassem até tudo estar terminado, e ela se odiava por isso.

‘Todo Midoriya tem sua órbita.’ Era o que ela dizia, os olhos verdes de Inko brilhavam enquanto puxava as coisas para si, Takashi se postando ao redor da irmã, repelindo tudo o que pudesse vir rápido demais. E ela os amava ainda mais por eles terem uma parte dela neles, e terem feito disso algo tão bom.

‘Todo Midoriya se torna o centro gravitacional de alguém...’ Ela pensava, enquanto via o grande prédio surgir, onde ela os deixaria e nunca poderia sequer olhar para trás. Porque assim eles estariam seguros de tudo o que significava ser quem eram. Ter uma chance pelo menos.

Ela não poderia prever o que viria no futuro. O quanto os dois eram mais parecidos com a mãe além de uma quirk.

O quanto eles sangrariam por isso.

‘...Mesmo o de monstros.’

Notas finais
Então, voltei! Sobre esse capítulo, resolvi deixar as cenas da batalha para o próximo – será focada apenas nas partes modificadas, as que forem iguais ao canon serão apenas mencionadas -, assim como também o que acontecerá no ginásio. O próximo capítulo cobrirá dois dias de uma vez, então terá também a eleição do presidente, e a preparação para o ataque de USJ. Que estou ansiosa para fazer. Esse capítulo foi recheado de pistas, e vou deixar vocês as absorverem. Como podem ver, foquei bastante nos colegas do Izuku, porque eles serão muito importantes em certas partes daqui para frente, principalmente no festival. Já podem imaginar que o festival terá muitas mudanças. Os capítulos de agora em diante provavelmente serão mensais, porque ainda tenho que focar na minha tese até meio do ano, e começarei minha especialização essa semana + estudando para residência. Prioridades. Espero que tenham gostado no capítulo. Os comentários do capítulo anterior não foram respondidos ☹ e peço mil desculpas. Como podem ver meu tempo está bem preenchido, mas os desse serão. Então fiquem à vontade! Esperando teorias (acredito que alguns de vocês já pegaram) e até abril!