A teoria do amor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
I'll worship like a dog at the shrine of your lies
I'll tell you my sins
So you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good God, let me give you my life
O frio fora daquele teatro era responsável por manter as ruas tão vazias, sem movimento. As pessoas estavam decididas de mais em se manter aquecidas em alguma lanchonete ou em suas casas. Mas mesmo estando aquele frio aterrorizador o teatro estava lotado de mulheres sem esperanças e amarguradas com suas vidas. Nenhuma mulher atraente, pelo menos não aos olhos de Bruce Sawyer. Ele achava que nunca iria sentir atração por nenhuma outra mulher.
Bruce apertou seu cachecol no pescoço e assoprou as mãos, tentando esquenta-las. Seus passos eram apressados no saguão daquele antigo prédio, apressados demais, assim como de um fugitivo. Seu olhar estava à procura de algo, mas não sabia exatamente o que procurava. Ele não entendia bem o porquê de tanta pressa, o que o esperava em seu apartamento? Um sanduíche de pasta de amendoim, com uma cerveja – ou talvez três – e um jogo ridículo que não entendia quase nada. Olhou seu relógio, já se passava das 20 hrs. Bruce afundou sua mão nos bolsos do sobretudo ate sentir o gelado do cantil, encarou a rua pela vidraça e tremeu ao ver o frio ao lado de fora.
— Sr. Sawyer – Bruce se virou e encarou a jovem sorridente com a mão estendida em sua direção. – Sou Escarlate Denver.
— Certo. – o homem deu um sorriso de lado e encarou a vidraça novamente.
Bruce sabia o que a garota iria falar, mas não se importava. Ele nunca se importou com o que suas admiradoras tinham a falar, era algo tão clichê dito por elas que não fazia questão de ouvir. Conversas afiadas, presentes e convites um tanto provocantes. Escarlate era uma garota bem mais nova do que ele geralmente via em suas palestras e era bem mais bonita que a maioria. Ele não sabia o porquê garotas daquela idade perderiam a noite de seus sábados ouvindo um velho bêbado e descrente de suas próprias palavras.
Bruce tirou o cantil de seu bolso e deu um enorme gole em sua bebida, que desceu queimando sua garganta, fechou os olhos e respirou fundo, jogando-o novamente dentro do bolso. Sentiu algo tocando seu ombro e encarou a jovem que ainda continuava parada no mesmo local.
— Você quer alguma coisa? – ele perguntou rudemente.
— Sim. – ela o fitou.
— O que? – ele ergueu uma sobrancelha.
— O porquê o senhor diz todas aquelas asneiras.
— Do que esta falando, jovenzinha?
— “Não existe amor, amor é só mais uma coisa criada para o consumismo” – ela o imitou.
— Você está brincando? – Bruce olhou para os lados a procura de algum funcionário que afastasse aquela garota. Neste momento ela se tornou mais irritante do que atraente.
— Você é tão descrente que exista algo além de amor por bebidas? Você não acha que exista algo além da sua maldita solidão?
— Jovenzinha, acho melhor você cair na real e parar de assistir Disney. – ele a encarou e uma expressão brava dominou aquele rosto angelical.
— Você é um sujeito detestável, sr. Sawyer.
— E você é uma jovem um tanto ridícula em acreditar em algo impossível.
— O sr. Devia medir suas palavras e saber que existe algo além de suas mentiras para aquelas mulheres.
— Senhorita Denver, não faça isto com você, não acredite no irreal. – ele piscou e empurrou a porta, saindo naquele frio gélido.
— Sr. Sawyer não acabei. – a jovem gritou.
— Mas eu sim, srta. Denver.
Escarlate tentava se equilibrar em seu salto e tentava ignorar o frio que atingia suas pernas nuas. Usar saia naquele dia era algo ridículo a se fazer, ainda mais entrevistando alguém como Bruce. Trabalhar em um jornal nunca fora algo agradável, para nenhum familiar, mas aquilo a encantava desde sempre. Quando optou por jornalismo e não medicina quase matou sua mãe e se transformou em alguém patética em uma família tão bem sucedida. Vir para Arizona foi o segundo motivo para não ter nenhuma ligação com a família Denver e eles fizeram o favor de esquecê-la. O que a impressionou foi à rapidez com que foi esquecida, não entendia como os pais podiam esquecer tão rapidamente.
Escarlate não parecia ter apenas 20 anos, com sua responsabilidade ela aparentava ser mais do que mostrava. Desde pequena sempre fora bastante focada em suas escolhas e nunca desistir até ter algum resultado, fosse ele bom ou fosse ele ruim.
Ela tocou no braço de Bruce, fazendo-o virar para si. Bruce era alguém bonito, ainda mais para sua idade. Era alguém atraente, tirando suas olheiras, a barba rala por fazer e o cheiro forte de álcool. Pelo que ela leu e soube por fontes confiáveis, Bruce havia 43 anos, tinha dois filhos, mas nenhum que tinha contato, desde a morte de sua esposa. Teve problemas com drogas e bebidas, mas nada comprovava que ainda tinha tal coisa, não sabia.
— Srta. Denver — ele a chamou e ela o encarou. – Não tenho mais nada a declarar a você e sua ignorância besta e criada por filmes da disney. Cresça e veja que o mundo não ira ser transformado como o vê, percebe que seu carro não ira se transformar em uma abóbora e muito menos que um príncipe ira te beijar. – ele se afastou e afundou ainda mais as mãos congeladas no bolso. – Quando cair no verdadeiro mundo que é este, me procure e teremos uma conversa adulta e na qual a srta. ira me declarar algo importante. Passar bem. – ele fez um aceno leve de cabeça e se virou com passos apressados deixou paras trás aquela garota tão desprezível.
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